quarta-feira, 11 de maio de 2016

Herança Maldita


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O legado que o Brasil receberá dessa década perdida é muito desolador, tristonho e pouco esperançoso. Vivemos os horrores econômico, político, atingindo o campo da ética, da moral, e da decência nas atividades do establishment e de grandes corporações em plena globalização. Os esqueletos que ficam são perversos, uma dívida pública impagável, mais de 300 bilhões, além da redução dos programas sociais, e o estrangulamento da atividade produtiva.

O governo conseguiu bater recordes de pedidos de recuperação e igualmente falências. As linhas de crédito foram enxutas, as dificuldades cresceram, a infra estrutura está abalada, e as obras prometidas também correm o sério risco de não serem entregues. A falência do Estado Brasileiro contaminou toda a economia globalizada, e para que se tenha uma idéia para que fossem atendidos os reclamos de concessões sociais, o endividamento chegou a um montante que não será pago, e os nossos parceiros estrangeiros tem o receio de complicações mais a frente.

Somos uma democracia imatura e ate irresponsável, batemos à porta de autoridades estrangeiras para afirmar que há um golpe contra as nossas instituições e apelamos invariavelmente para o jogo da banalização e judicialização. Collor foi bem sensato deu 48 horas e partiu sem qualquer espírito de vingança. O que temos é um desafio à democracia, quebraram o Brasil, envergonharam a Nação durante a copa do mundo e farão o mesmo nos jogos olímpicos, mas querem por que querem o puder (poder) para aboletarem-se e ficarem na vida fácil da corrupção e das negociatas.

Terminado o martírio do povo brasileiro, de 200 milhões que sofreram o baque de um governo altamente inapto, inepto e incompetente de traçar metas e diretrizes, somos alvo de chacota no exterior. Já começaram a desenhar as formas pelas quais um turista pode ser morto no rio de janeiro, além das doenças endêmicas e epidêmicas.

Nada a comemorar nos últimos dez anos. Recuamos quase 10 pontos no produto interno bruto. E mentem deslavadamente para dizer que se trata

de crise internacional, como se o Chile cresceu mais de 4,5%, a Colômbia, o Peru em torno de 2%. Os culpados se consideram intocáveis e nunca reconhecem a própria culpa, trazem no discurso o ódio, a intolerância, fruto da ignorância no convívio com a democracia. Esse entulho dos últimos dez anos é resultado de um perverso maniqueísmo unido ao maquiavelismo do poder pelo poder, quebrando empresas estatais, e fazendo dos fundos de pensão um braço da roubalheira.

Eis o exemplo mais clássico da sete brasil que não conseguindo honrar suas dívidas foi requerer recuperação judicial. O Balanço da última década perdida de um desgoverno, sem igual, não é nada animador, mas a partir da chegada de novo personagem o que torcemos é que a Nação tome consciência de que a vitimização está morta e sepultada, e nunca mais a demagogia e o clientelismo afetarão o voto, que tenhamos o aprendizado nas próximas eleições,ainda que os candidatos não mereçam nosso voto.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Se não criarem uma policia ultra secreta, uma corregedoria séria, se não houver a modificação na lei da magistratura, se continuarem calando os promotores e parando as CPIS quando bem entenderem, o judiciário em vez de mais uma década perdida, fabricara outro século perdido...

Loumari disse...

Desde Moçambique

Por MARCELO MOSSE
In Facebook 11/05/2016

O que faz Nyusi correr para a China?
Agora que a caridade e os mercados ocidentais se fecharam, Moçambique dá outra vez uma guinada em direcção a China. Mas como sempre se saberá, a China nunca será uma solução definitiva, sobretudo agora que precisamos de dinheiro fresco para alimentar a Tesouraria e sabendo que a China nunca dá dinheiro fresco para esse fim. Então, se é assim o que espera Nyusi ganhar na China?
Os últimos anos do consulado de Guebuza foram profícuos na abe...rtura dumas fissuras dolorosas na relação com os doadores ocidentais. Porque havia a China. Mas a China com seu banco de exportação (o Exim) nunca se predispôs a dar dinheiro para caixa. Sua ajuda ou foi por via de obras públicas de urgência duvidosa ou por créditos concessionais igualmente para obras públicas ou de interesse discutível ou de qualidade questionável.
E é preciso dizer da inevitabilidade do crédito ligado (tied loan) desses exims banks…a china com suas empreiteiras (Ponte para a Catembe, Circular de Maputo, novo hotel em parceria publico-privado na marginal de Maputo), a BNDS do Brasil com suas Andrades Gutierrez e Odebrecht (Aeroporto de Nacala e Moamba Major) e a mais recente vaga do credito português com suas Teixeiras Duartes e Mota Engils (Ponte sobre o Zambeze e a Vila Olímpica dos nossos pesadelos).
Pois, o que faz Nyusi correr à China? Não sei. Mas se vai para ir buscar mais crédito isso não ajuda em nada. A não ser que Nyusi tenha decidido assumir as despesas de uma reestruturação dos créditos da China para a Ponte da Catembe e para a Circular de Maputo, para atrasar o calendário do pagamento de juros e capital e permitir ao Estado alguma liquidez enquanto recupera a confiança com a caridade e mercados ocidentais.
Seja como for, a partida para a China mostra que o Governo está numa encruzilhada de cuja saída depende um acesso de genialidade. Porque Moçambique precisa não apenas de dinheiro para seus gastos correntes mas sobretudo para não atrasar o benefícios que o país espera do Gás do Rovuma.
Para ter esses benefícios, a ENH, que participa nos projectos da ENI e da Anadarko, também deve de investir…pelo menos 1 biliao e USD nesses projectos antes de a exploração iniciar. Se não investirmos, corremos o risco de perder a receita inicial com royalties e com recebimentos em espécie (Gás). E seria expectável que a ENH se fosse endividar lá fora para viabilizar sua comparticipação mas isso é hoje impossível porque os mercados estão fechados.
Será isto que leva Nyusi à China? Não sei. Como os negócios do nosso Estado são sempre em segredo como se não fossemos uma democracia só resta especular. Mas que é encruzilhada lá isso é. Com o dilema de que nossa margem negocial no gás do Rovuma também está reduzida.