segunda-feira, 9 de maio de 2016

O discurso vazio de Henrique Meirelles


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Mtnos Calil

Qualquer cidadão medianamente informado já tem conhecimento de todos os problemas do pais citados por Henrique Meirelles neste artigo publicado na FSP. (v.abaixo)  E o mais grave deste discurso vazio é a mesmice da política econômica que se insinua nas entrelinhas, pré-anunciando receitas que mais uma vez vão afetar as camadas mais pobres da população, incluindo amplos setores da classe média. Meirelles chama essas receitas de “medidas realistas” acrescentando essa tremenda obviedade (sic) : “É importante ter em mente que não há soluções fáceis e instantâneas”.

O que está em jogo hoje Brasil não é a facilidade e a rapidez das pretensas soluções que viriam das “medidas realistas”, mas sim a viabilidade destas soluções que foram sintetizadas  de forma simplista  por Meirelles no já anacrônico “crescimento econômico”, associado ao “desenvolvimento sustentável”.

Os problemas do Brasil vão muito além do crescimento do PIB. O país está quebrado e não dispõe dos recursos  necessários para resolver tantos problemas, alguns dos quais vão continuar se agravando.
Como qualquer economista do Establishment, Meirelles ignora (ou melhor, faz de conta que ignora) a sociedade que é constituída por seres humanos cuja qualidade de vida vem se deteriorando inclusive nos países desenvolvidos que adotaram as receitas macro-econômicas de Meirelles.

Ocorre que o “equilíbrio macro - econômico” proclamado pelo futuro “Ministro Banqueiro da Economia” não leva em conta o “equilíbrio social”. Para essa macro-economia o que interessa apenas é o “mercado” constituído por uma parte da população brasileira que é a base do “desenvolvimento sustentável” – a classe média (ou apenas uma parte dela, a de melhor poder aquisitivo).

Na melhor das hipóteses a velha macro-economia de Meirelles beneficiará a metade da população brasileira que constitui um excelente mercado para os “investidores” aos quais em nada interessa o que acontece com a outra metade. Esse é o papel do Ministro Banqueiro – estabelecer as condições necessárias para o investimento das grandes corporações que sabem perfeitamente que obterão o retorno esperado, se contarem com a gestão macro-econômica de Meirelles.

A D.Dilma certamente contribuiu para afundar o Brasil. Porém o que poucos dizem é que a crise atual existiria mesmo que Meirelles estivesse no Poder, simplesmente porque as causas estruturais estariam agindo independente de quem estivesse no Governo. 

A única diferença é que a crise seria um pouco menos grave, já que a D.Dilma revelou uma incompetência bem acima da média. 

O Brasil de hoje é muito diferente do Brasil governado pela dupla Lula-Meirelles, que foram contemplados com o boom das commodities e muito pouco se pode esperar do futuro governo Temer (ou de quem esteja no lugar dele), ainda mais que, como dizem, será  apenas um governo de transição. Transição que será marcada pela continuidade da crise econômica e das outras crises até que em 2018 seja eleito mais um Presidente – pouco importando se o regime eleitoral for presidencialista ou parlamentarista. 

A citada transição é meramente política, pois a economia continuará na UTI e se dela sair, será mantida em regime de convalescença hospitalar por pelo menos dez anos, consagrando assim o nosso ciclo de “décadas perdidas”.

PS. Morto o comunismo, só resta à humanidade civilizar o capitalismo ou prosseguir na sua marcha em direção ao abismo, conduzida pelos psicopatas do poder.


Mtnos Calil, Psicanalista, é Coordenador do grupo Mãos Limpas Brasil.

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