domingo, 22 de maio de 2016

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) no Poder


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

A matéria abaixo é mais um texto, resumido, extraído do livro A EXPLOSÃO DA RÚSSIA. É um devastador ataque do ex-funcionário do KGB, Tenente-Coronel Alexander Litvinenko, aos seus antigos superiores. Em parceria com o acadêmico Yuri Felshtinsky, ele denuncia os métodos letais do KGB usados para levar Vladimir Putin ao Poder como um dos dirigentes russos mais populares jamais eleitos.

Proibido na Rússia e baseado nos bastidores das campanhas secretas russas acumuladas por Litvinenko ao longo de 20 anos, o livro mostra como as organizações que sucederam o KGB conseguiram sobreviver depois de desvinculadas do comunismo. Ao retomar antigos métodos de terrorismo e guerra elas conseguiram impor um “estilo ruusso” de governo.

Litvinenko foi perseguido por Putin, esteve preso, fugiu da Rússia e recebeu asilo político na Grã-Bretanha em 2001, tornando-se cidadão britânico em outubro de 2006. A seguir, no dia primeiro de novembro, foi assassinado com uma dose letal de polônio 210.

O livro foi editado no Brasil em 2007 pela Editora Record.

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), sucessor do KGB, conseguiu eleger presidente o seu candidato. Ao falar no aniversário de fundação da Comissão Extraordinária Pan-Russa, PUTIN começou seu discurso aos colegas dizendo que a missão do FSB estava concluída: ele se havia tornado o Primeiro-Ministro da Rússia.

O restabelecimento de uma placa em homenagem a ANDROPOV no prédio da Bolshaya Lubyabka, onde está instalado o FSB; um brinde a STALIN com o líder dos comunistas russos, ZYUGANOV; atentados em prédios residenciais e uma nova guerra na Chechênia; a promulgação de uma lei que, mais uma vez, torna legal investigar indivíduos com base em denúncias anônimas; a promoção de generais do FSB e oficiais do Exército a posições de Poder; e, finalmente, a total destruição dos alicerces de uma sociedade constitucional erguida sobre os valores frágeis, é verdade, mas ainda assim democráticos de uma economia de mercado e o estrangulamento da liberdade de imprensa. São estas apenas algumas das realizações do Primeiro-Ministro Presidente PUTIN nos primeiros meses de seu governo.

A tudo isso devemos acrescentar a militarização da economia russa; o início de uma nova corrida armamentista; o contrabando e a venda de armas e tecnologia militar russa a governos hostis aos países desenvolvidos do mundo; a utilização de canais do FSB para contrabandear narcóticos sob o controle a proteção do FSB, da Ásia Central e do Sudeste para a Rússia, e daí para o Ocidente.

Os futuros historiadores terão que responder a estas perguntas: quem foi o responsável pela brilhante sucessão de passos meticulosamente planejados que levaram PUTIN ao Poder, e quem terá sugerido seu nome como possível candidato aos homens do círculo mais próximo do primeiro presidente, que, por sua vez, apresentaram o antigo chefe do KGB a YELTSIN como seu sucessor?

Mas, talvez, o mais espantoso seja o fato de STEPADHIN e PRIMAKOV, os dois candidatos à sucessão que antecederam PUTN, também serem provenientes das estruturas de repressão. YELTSIN mostrou-se incrivelmente persistente em seu empenho de entregar o cargo a alguém dos organismos de segurança do Estado.

Nas eleições de 2000, os eleitores russos foram colocados diante de uma deliciosa lista de candidatos: PRIMAKOV, a velha cara do KGB, vangloriando-se de que, se chegasse ao Poder, poria na cadeia 90 mil empresários (ou seja, toda a classe empresarial russa); a nova cara do KGB, PUTIN, que antes mesmo de ser eleito enfatizou a necessidade de dar prosseguimento às políticas de YELTSIN; e ZYUGANOV, cujo rumo futuro poderia facilmente ser previsto.

Para encarcerar 90 mil empresários, PRIMAKOV teria que mandar prender 60 pessoas diariamente, inclusive aos domingos e feriados, ao longo dos 4 anos do seu mandato presidencial. PUTIN, a nova cara do KGB, mostrou-se menos sedento de sangue. Talvez a campanha eleitoral tenha sido deliberadamente arquitetada por alguém na base da oposição mocinho/bandido. IO bandido PRIMAKOV retirou voluntariamente a sua candidatura, depois de uma esmagadora derrota nas eleições para a Duma.
Ficaram na disputa, então, a nova cara do KGB e o comunista. Era a mesma escolha, preto ou branco oferecida em 1996, e PUTIN venceu. Ele não decepcionou inteiramente a confiança nele depositada pelo povo. Pelo menos não parece estar trabalhando a um ritmo de 60 pessoas por dia, a menos que contemos o turbilhão de terrorismo e antiterrorismo e a guerra na Chechênia.

Mas PUTIN, indubitavelmente, merece o título de tirano, já que deliberadamente destruiu os primeiros rebentos do autogoverno na Rússia desde os primeiros decretos que assinou, e atualmente exerce essa forma transparente de domínio arbitrário que o povo russo conhece comobespredel (literalmente: “sem limites”). Ele está perfeitamente descrito na definição de “tirano” constante do Dicionário Enciclopédico Soviético de 1989: “Um governante que se baseia em decisões arbitrárias e na violência”.

Mas a Rússia é um país imprevisível e pode revelar-se dona de uma força mais poderosa que o punho cerrado dos serviços secretos.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lula ou Putin, qual é o mais mentiroso? Páreo duro.