quarta-feira, 18 de maio de 2016

Política de Abutres


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Cláudio Belodi

Num país com uma capacidade política tão precária é impossível que tenhamos a sorte de em poucos anos sermos realmente brilhantes na economia e na justiça da pluralidade social. Quer queiramos ou não, a política tem papel relevante no progresso desses temas. Sua inabilidade leva ao descrédito, persistindo a esperança de surgimento de lideranças menos pragmáticas e mais programáticas. E nessa esperança, gerações são desperdiçadas pela cumplicidade política que apodrenta a riqueza humana

O problema dos políticos abutres é que sempre querem que o governo, do qual não são parte majoritária, acabe em cadáver, com administração desastrosa. Acham que, quando tiverem (um dia) a ascensão do comando consertem tudo para serem proclamados reis. Enquanto isso são contrários a ações conectivas com os interesses da sociedade, mesmo que beira os ideários dos seus princípios, porque são contra simplesmente por serem contrários. São os chamados radicais livres, causadores de tanto mal à saúde da sociedade.

No ínterim da satisfação do poder não são contrários para o melhor comedimento e aperfeiçoamento da solução, impingem tempos de sofrimento àquele povo que disfarçadamente dizem defender. Soluções, mesmo medianas, que se protelam causam enormes e irreversíveis prejuízos sociais às gerações presentes e pósteras. Soluções, mesmo medianas, se bem executadas, são melhores que grandes projetos mal dirigidos. A grandiosidade da obra é ajustando as ações no decorrer da sua execução e não no decurso do planejamento.

No corolário de disputas políticas há sempre os astutos defensores das especialidades, pouco das essencialidades. As essencialidades causam uma distribuição das riquezas mais igualitária, enquanto as especialidades socorrem pequenas classes, a maioria já bem abastada. Classes que absorvem dinheiro público notadamente para produzirem pesquisas e relatórios, dos quais são inumeráveis os sem contribuição real à sociedade. Vorazes defensores de direitos desses, direitos d’aqueles, direitos de aqueloutros.

Na verdade, uma montanha de direitos para auxílio de minorias não comprometidas com a vida em sociedade, literalmente, já que criam sociedades discriminadas com suas postulações – tem-se direitos inalienáveis reconhecidamente diferentes do regramento social comum. E depois culpam a sociedade dos demais pela incompreensão de serem taxados de diferentes.

Um exemplo de oligarquia social diferenciada são os artistas. Alguém já viu um artista maltrapilho fora de cena? Não, sempre que estampam colunas nos jornais, o fazem em badaladas festas, bem trajados e regados de boa comilança. Errado, não! Mas não podemos esquecer que são uma classe de especiais, que “lucram” com dinheiro público para produzir o próprio trabalho, sob a égide da cultura. Não estão nem aí com a verdadeira cultura. E para isso há a política dos abutres, que montam defensas politizadamente protetivas.

Por isso nossa indignação das disputas por ideários partidários. O que os políticos realmente pensam é que foram eleitos pelos seus partidos e não pelo povo, este de maioria desapegada de partido algum.

Porque os políticos afrontam o povo? Porque não são capazes de um diálogo construtivo? Que lhes falta para, dentro dos princípios partidários, se ajustarem à outras correntes de pensamento e conceberem um ideário democrático comum, superando as divergências no trato público e a bem do povo?

Resposta: – FALTA VERGONHA

A pilastra básica da democracia - o entendimento, está longe dos propósitos dos esbravejantes radicais livres democratas. Para eles, democracia significa apenas, e tão somente, o direito do contraditório, o direito liberal de movimentos anarcoreivindicatórios, de se conservarem opositores a tudo e a todos. Ninguém nunca os viu, para o bem da justiça social, promoverem o embate de soluções e a disputa para o entendimento da razoabilidade das ideias, nem tampouco projetos inovadores. Ou sou a favor ou sou inteiramente contra. Nunca há a condescendência de meio termo a nenhum dos contendores.

As forças de oposição, não importa quais sejam, sempre prejudicam o povo, pela inércia, o atravancamento ou atraso na tomada de decisões.

Que esperar de uma reforma política com essas cabeças prepotentemente asnáticas e rapinantes. Será um diploma inepto.


Claudio Belodi é Empresário no setor de Tecnologia e Arquitetura Ambiental.

Um comentário:

Martim Berto Fuchs disse...

"Que esperar de uma reforma política com essas cabeças prepotentemente asnáticas e rapinantes ?"
N-A-D-A !!!
O sistema político baseado na intermediação de partidos políticos acabou. Faliu. Zéfini.
http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2016/05/ponte-para-o-nada.html