sexta-feira, 27 de maio de 2016

República Gravada


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O Brasil nunca contou com uma investigação séria, profunda e extremamente eficiente em relação às relações espúrias entre empresariado e governo, e ao que tudo indica a coisa veio para ficar e abalar alicerces de uma republica gravada. Sim, literalmente gravada, na medida em que todos estão servindo de mote para não serem pegos sozinhos chamando os tutores e salvadores a fim de que a impunidade prevaleça, afora o foro privilegiado que é uma verdadeira assimetria com a cidadania.

No governo interino, a situação é complexa e repleta de resistência pois que os destemidos companheiros alimentam até o último minuto e a esperança do retorno. Perdemos muito terreno no cenário externo, na imagem arranhada e as notícias que saem são as mais degradantes possíveis. O jornal alemão Die Zeit afirmou que mais nos assemelhamos a uma republica de gansgters, e a moda de al capone ninguém sabe quem tem bala na agulha para matar o último delator.

Querem esvaziar a operação de limpeza da miséria da corrupção não importa o custo, mediante novas leis,acordos de leniência e sempre invocam o nome do Supremo Tribunal Federal, de algum Ministro para que o conchavo possa ser levado a cabo.

Entretanto, não há a mínima possibilidade de esmagarem o sentimento da cidadania, da sociedade civil e da população que está atenta e zelosa de sua responsabilidade num momento crucial da vida nacional.

Quem diz a verdade sobre os números da dívida pública e do arrocho ninguém sabe os malogros são constantes e as notícias dilaceram a confiança e credibilidade. O mercado acionário vem sendo catapultado a cada dia mediante as diabruras do poder econômico e a queda brutal das empresas em termos de rentabilidade e mesmo produção.

Somente o setor industrial foi responsável por mais de 55% do desemprego nacional que salta números alarmantes de quase 12 milhões de carteiras de trabalho não assinados pelo empregador,dizem que a saída é o empreendedorismo

mas os recursos financeiros são escassos e debilitados,taxas de juros nas nunvens, no cheque especial mais de 308% e do cartão de crédito impensáveis 410%, nenhum País do mundo resiste à barbárie dessa exclusão do consumo e da penalização dos que ficam na faixa da pobreza, hoje o Brasil reúne mais de 70 milhões de miseráveis sem a menor perspectiva de reduzir a sangria a curto prazo.

O engodo de políticas públicas distorcidas nos levou ao caos, ao invés de serem melhorados os serviços, no interesse geral e coletivo, tudo foi pensado no particular, no subjetivo,do financiamento do carro, das bolsas em escolas e acesso aos mercados de trabalho e também de estudo.

Deveriam pensar no transporte,na infra estrutura, na construção de ferrovias, e no estabelecimento de redes de educação e cultura eficientes. A criação de uma espécie de Obamacare é fundamental, de acordo com a faixa da população seria essencial um sistema universal de atendimento e massificação de enfrentamento das doenças epidêmicas e endêmicas, assim da menor faixa seria pago cinco reais e a maior cem reais todo mês, com isso cada um teria um cadastro com o número para que se preciso fosse tivesse primeiros socorros em qualquer ponto do Brasil.

E adotada a média dos valores, se entendermos uma população de 100 milhões de contribuições, o governo poderia, mensalmente, arrecadar um bilhão e doze bilhões ao ano, uma famosa contribuição que não pesaria nos bolsos de pobres e ricos,e teriam a mesma qualidade de atendimento, com essa verba seriam construídos hospitais, pronto atendimento em cidades carentes e compra de equipamentos.O numerário poderia ser declarado no imposto de renda e teria uma repercussão com vinculação da
receita à exclusiva despesa de saúde.

Numa República calejada pela corrupção, pelos desmandos e ausência de governabilidade, precisamos de um grupo de elite que pense e repense o Brasil, não hoje mas para que realmente alcance seu futuro.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

2 comentários:

Loumari disse...

Temos que o Saber Conquistar

Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. Ninguém está disposto a abdicar daquilo que tem, com a justificação de que nós também queremos o mesmo. Se quisermos algo temos que o saber conquistar. Não podemos continuar a mendigar, meus irmãos e minhas irmãs.

Mia Couto, in 'E Se Obama Fosse Africano?'

Loumari disse...

Os homens são sempre mais verbosos e fecundos em queixar-se das injúrias do que em agradecer os benefícios.
(Marquês de Maricá)


Os maus queixam-se de todos, os bons de poucos, os melhores de ninguém ou de si próprios.
(Marquês de Maricá)


Todos se queixam, uns dos males que padecem, outros da insuficiência, incerteza, ou limitação dos bens de que gozam.
(Marquês de Maricá)


Vinde cá, meu tão certo secretário / Dos queixumes que sempre ando fazendo, / Papel, com quem a pena desafogo!
(Luís Vaz Camões )


Não se queixar nunca; a queixa sempre traz descrédito.
(Baltasar Gracián y Morales)


Queixam-se muitos de pouco dinheiro, outros de pouca sorte, alguns de pouca memória, nenhum de pouco juízo.
(Marquês de Maricá)