quinta-feira, 16 de junho de 2016

A Criação do Mossad


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

“Eles escolhem as pessoas certas, não as pessoas melhores.  Há uma grande diferença”

O texto abaixo é o resumo de um dos capítulos do livro “As Marcas da Decepção”, de autoria de Victor Ostrovsky, ex-agente do serviço Secreto Israelense, nascido no Canadá, filho de pai judeu canadense e mãe israelense. Tornou-se, aos l8 anos, o mais jovem Oficial militar de Israel. Foi recrutado e treinado pelo MOSSAD, tornando-se um katsa, o nome que Israel dá aos seus Oficiais de Inteligência. O livro revela como as comunidades judaicas dos EUA, Europa e América do Sul são armadas e treinadas pela Organização em unidades secretas de autodefesa e como os agentes do MOSSAD facilitaram o comércio de drogas, com a finalidade de financiar os imensos custos de suas operações clandestinas. O outro autor é Claire Hoy, jornalista e um dos mais importantes escritores canadenses. É autor de 4 livros. “As Marcas da Decepção” foi editado no Brasil, em 1992, pela editora Scritta.

Em 1 de setembro de 1951, o Primeiro-Ministro de Israel, David Ben Gurion, decretou a criação do MOSSAD, organização de Inteligência independente do Ministério das Relações Exteriores. Até hoje, embora todo o mundo saiba que ele existe – os políticos, muitas vezes, chegam a vangloriar-se de seus sucessos -, o MOSSAD permanece, sob todos os aspectos, uma organização clandestina. Não se encontra, por exemplo, nenhuma referência a ele nos orçamentos de Israel. E o nome do seu chefe, enquanto está no cargo, nunca é tornado público.

Existe uma crença de que até mesmo o Primeiro-Ministro, embora ostensivamente encarregado dele, não tem autoridade real sobre suas ações e é, muitas vezes, manipulado por ele, para aprovar ou por em prática linhas de ação que podem ser do maior interesse dos dirigentes do MOSSAD, mas não necessariamente do maior interesse de Israel.

O Primeiro-Ministro israelense, apesar de supostamente responsável pelo serviço de Inteligência, muitas vezes ignora as ações secretas até que sejam consumadas. E o público em geral raramente tem conhecimento delas, “muito embora a Inteligência seja uma condição necessária para que as democracias possam evitar desastres e, possivelmente, a destruição total”, resumiu sir William Stephenson no prefácio de “A man called Intrepid” (Um homem chamado Intrépido).

E prosseguiu: “Em meio a arsenais cada vez mais intrincados em todo o mundo, os Serviços de Inteligência são uma arma essencial. Talvez mais importante. Mas, sendo secreta, é a mais perigosa (...). Como em qualquer empreendimento, serão decisivos o caráter e a sabedoria daqueles a quem for confiada. Na integridade dessa tutela se deposita a esperança dos povos livres”.

Todo o MOSSAD não chega a ter 1.200 funcionários, sendo todos instruídos a dizer, a quem perguntar, que trabalham para o Ministério da Defesa. Enquanto isso, dados mais recentes citam o número de membros do KGB, em todo o mundo, como sendo mais de 250 mil. Mesmo o Serviço de Inteligência cubano tem cerca de 2 mil agentes localizados, através do mundo, nas missões diplomáticas.

O MOSSAD, acredite-se ou não, tem apenas 30 ou 35 agentes secretos – chamados katsas, um acrônimo hebraico que significa “Oficial de Coleções”. Os katsas operam em todo o mundo, principalmente na Europa. O número de katsas é muito menor do que em outra qualquer agência de Inteligência por causa dos sayanim, voluntários não-israelenses judeus que prestam apoio logístico em todo o mundo. A maioria dos katsas são ex-membros das Forças de Defesa de Israel, embora o MOSSAD seja um órgão civil – em operação pelo mundo. A principal razão desse total estranhamente baixo é que, ao contrário dos demais países, Israel conta com o significativo e fiel conjunto da comunidade judia mundial fora de Israel. Isso através de um sistema único desayamim – os auxiliares judeus voluntários -.

Na Academia do MOSSAD, o diretor costuma iniciar os cursos com a seguinte apresentação: “Meu nome é Aharon Sherf. Bem-vindos Ao MOSSAD. O nome completo é Has Mossad le Modiyn ve le Tafkidim Mayauhadim (Instituto de Inteligência e Operações Especiais). Nosso lema é: Por meio da dissimulação farás a guerra”.

Oren Riff, o principal instrutor da Academia, sempre ressalta que entre 60 e 65% de toda a informação coletada vem da mídia aberta, jornais, rádio e televisão; cerca de 25% de comunicações por satélite, telex e telefone; cerca de 25% daliaison; e entre 2 a 4% de humant – agentes, ou Inteligência humana, coletada para o Departamento Tsomet (depois chamado deMelucha) -, mas essa pequena percentagem é a mais importante de toda a Inteligência reunida.

A seguir, em uma palestra de Zave Allan, sobre cooperação técnica entre agências, ele ressaltou que o MOSSAD tinha mais capacidade que todas demais agências de Inteligência no arrombamento de fechaduras. Vários fabricantes de fechaduras da Grã-Bretanha, por exemplo, enviavam vários mecanismos à Inteligência britânica, para passarem por um testes de segurança; eles, por sua vez, as enviavam ao MOSSAD, para análise. Então, o procedimento era o seguinte: o pessoal do MOSSAD analisava, descobria como é que se abria a fechadura, e depois a devolvia, com um relatório, dizendo que a fechadura “era inexpugnável”.

Sobre o recrutamento: A idéia do recrutamento é como rolar uma pedra morro abaixo. Usa-se a palavra ledarder, que significa ficar no topo de um morro e empurrar uma pedra para baixo. É assim que o MOSSAD recruta. Escolhe-se uma pessoa qualquer e leva-se a que ela faça algo ilegal ou imoral. Significa que ela é empurrada morro abaixo. Tudo está em saber usar as pessoas. Mas, para usá-las, há que moldá-las. Se o cara não bebe, não fuma, não precisa de dinheiro, não quer sexo, não tem problemas políticos e está satisfeito com a vida, não conseguiremos recrutá-lo. O que se faz é trabalhar com traidores. Um agente é um traidor, não importa o quanto ele racionalizar a coisa. Você lida com o pior tipo de gente.
Costuma-se dizer que não chantageamos as pessoas. Não precisamos fazer isso. As pessoas são manipuladas. Simples, assim...

Afinal, ninguém nunca disse que a INTELIGÊNCIA é uma atividade bonita. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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