quinta-feira, 2 de junho de 2016

Acabou o fosso ideológico que separava governo e Forças Armadas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Eduardo da Rocha Paiva

A Constituição Federal (Art. 142) estabelece que as Forças Armadas (FA) são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e se destinam à defesa da pátria, à garantia dos Poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

Hierarquia e disciplina são princípios essenciais, pois sem elas as FA se fracionariam em grupos rivais, perderiam o caráter nacional e a confiança da nação e se tornariam uma ameaça à sociedade. No âmbito do marco legal, a troca de governo não afeta a subordinação das FA aos poderes da União, pois ela é institucional, e não pessoal.

Além da defesa da pátria, a forças têm a missão de garantir os três Poderes constitucionais. Em uma eventual crise entre eles, as FA se subordinarão ao que estiver amparado no marco legal. O equilíbrio e a harmonia entre os Poderes da União são indispensáveis à normalidade democrática, pois em uma improvável falência simultânea dos três as FA se veriam obrigadas a agir, por iniciativa, para manter a paz interna e evitar a guerra civil e a dissolução do Estado e da nação.

No Brasil, a ideologia socialista começou a se firmar com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1922 –filiado ao Partido Comunista da antiga URSS, ao qual se subordinou como exigiam as condições de filiação. A impatriótica submissão a país estrangeiro e à ideologia socialista antidemocrática incompatibilizou o PCB com as FA. Hoje, o PT –como pode ser visto no caderno de Teses de seu Congresso–, os partidos aliados e suas lideranças são declaradamente socialistas, internacionalistas e filiados ao Foro de São Paulo, organização internacional que lidera a implantação desse regime na América Latina.

O socialismo, objetivo ainda não alcançado pelo PT, é um regime totalitário, com partido único ou hegemônico, impede a alternância de poder, não reconhece o direito de propriedade, centraliza os meios de produção e o planejamento econômico e elimina as liberdades fundamentais. Há uma total oposição aos ideais das FA, instituições conservadoras, mas não retrógradas e imobilistas.

Ao contrário do massificado pela propaganda socialista, o conservadorismo é progressista, mas quer o progresso com temperança e ao amparo da experiência, tradição, conhecimento e cultura anteriores, condições para uma evolução segura ao porvir.  As FA são instituições democráticas e não aceitam ideologias dogmáticas, implantadas por revoluções que desprezam o passado e, na busca de ilusórias utopias, eliminam a liberdade e abusam da violência.

E o regime militar? Questionariam alguns. Era, sim, um regime de exceção, como reconheciam os presidentes militares, que sempre manifestaram o propósito de redemocratização. Autoritário, por limitar liberdades democráticas, mas não totalitário, que as eliminaria. A redemocratização uniu a nação e foi conduzida pelo próprio governo militar de forma gradual e sem retrocessos, após neutralizar a esquerda revolucionária que buscava implantar a ditadura socialista como a de Cuba e China, ainda hoje totalitárias.

Documentos dos governos petistas propõem ações para transformar nossa democracia em um regime socialista, sendo a imobilização das FA um objetivo intermediário, pois elas são um óbice a esse desígnio. Entre outras ações, podem ser listadas:

- controlar todos os setores da sociedade, inclusive a mídia, por meio de conselhos sociais, uma reedição tropical dos soviets da revolução bolchevista russa de 1917;

estabelecer a hegemonia do partido na sociedade, forma de controle prevista na estratégia gramcista e que antecede ao assalto ao Estado e à imposição do socialismo;

- rever a Lei de Anistia para punir apenas os agentes do Estado que combateram a luta armada, a despeito dos pareceres da AGU e da PGR e da decisão do STF, em 2010, que confirmaram a abrangência ampla e geral da lei;

- modificar os currículos das academias militares e promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista, ou seja, politizar e submeter as FA ao projeto petista, transformando-as, de instituições nacionais apartidárias, em braço armado do partido –como as SA e SS, na Alemanha nazista, e as FA bolivarianas, na Venezuela.

A profissão das armas é serviço e servidão. Serviço à pátria, compromisso perene e exclusivo com a nação e as instituições, e servidão à Constituição Federal, às leis e aos valores morais e profissionais que regem a carreira das armas. Serviço e servidão, que nunca serão a pessoas, partidos ou associações de qualquer natureza. Serviço e servidão que fazem da carreira militar um nobre sacerdócio cívico, com o compromisso de sacrificar a vida pela pátria e instituições, se necessário.

O militar brasileiro é patriota por vocação e respeita e admira a história, as tradições e os heróis nacionais. O patriotismo das FA inclui o nacionalismo, mas não o xenófobo de setores bisonhos nem o tacanho de viés antiamericano dos socialistas. O nacionalismo socialista é materialista, supervaloriza a economia, mas não cultua a pátria e os valores nacionais –pelo contrário, busca desacreditá-los. Para as FA, a unidade nacional é cláusula pétrea, por isso, repudiam a luta de classes pregada pelos socialistas e a corrosiva campanha lulopetista de "nós contra eles".

A crise de valores e a corrupção, que assolam o país, estão disseminadas pela liderança política, independente do partido, e não começaram com o PT, embora tenham chegado a níveis desastrosos com sua ascensão ao poder e o uso da corrupção como política de governo. A falta de credibilidade na classe política gera dúvidas, justificáveis, se o novo governo pautará sua conduta por princípios éticos, morais e cívicos. Porém, ao contrário do governo afastado, o atual é democrata e organizado com representantes da esquerda e da direita situados no centro democrático.

Assim, não existe fosso ideológico entre o atual governo e as FA.  


Luiz Eduardo da Rocha Paiva é General de Divisão, na reserva. Originalmente publicado no UOL em 1 de junho de 2016.

12 comentários:

Afonso Mota disse...

Queriam tornar o Brasil num país socialista? Será que eu entendi bem? Mas que Modelo Econômico é o nosso? Particularmente nossa economia e mais comunista até do que socialista. Com simples operação aritmética utilizando a soma, subtração e multiplicação sobre um Recibo de Pagamento mensal de qualquer brasileiro a prova do que falo é eminente. Afinal, quem estatizou a economia? E as planilhas de custo da Petrobrás por que não são divulgadas? Por que um posto vende a gasolina s R$1,69, sem impostos, e o preço médio de mercado é de R$3,39? Afinal que modelo econômico é esse que falam que é capitalista? Ah! E a economia de escala, nos valores da gasolina, beneficiam a quem? Ora, ora Senhores há momentos que ficar em silêncio vale OURO. Pensem nisso. A Sociedade Civil esta muito bem aparelhada e tem consciência, e muita, do que fizeram por aqui. E mais consciência ainda do que deve ser feito. Abraço, nobres brasileiros! #Simples_Assim Saudações e sucesso. .'. C.Q.D. Prepare sua sociedade para o Exercício do Poder. E só os Monarcas assim são preparados.

César disse...

Nossos comandantes das FFAA são uns covardes. Se escondem atrás da Constituição(que não é respeitada pelos ditos 3 poderes) e continuam deixando o Brasil nas mãos da esquerda e suas ideologias. Nas mãos de quadrilhas. Enquanto isso a população... que se dane.

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Sugiro em primeiro lugar, senhor gal Luiz Eduardo da Rocha Paiva, que não lhe faria mal uma transfusão do sangue de militares argentinos que escreveram a carta "Carta Abyerta al Presidente Mauricio Macri".......

Espero que con la lectura de estos sencillos comentarios haya aprendido algo, de manera que el próximo 29 de mayo esté a la altura de un Presidente Argentino. Y ponga un poco más de ganas al hablar, los militares necesitan de un líder que transmita coraje y valor para luchar por la patria como un Churchill, Kennedy, Reagan y no de un gélido y abúlico Comandante en Jefe de las Fuerzas Armadas.

Desde mi humilde punto de vista le sugiero que seleccione sus asesores, por lo menos para no pasar vergüenza, porque su vergüenza es mi vergüenza, usted me representa. Yo soy militar y también argentino, usted es mi Presidente y lo que usted hace a mi me afecta emocionalmente.

Ingeniero Macri, me despido con una frase que le agradecería que la tenga en cuenta al momento de tomar una decisión “NINGÚN COBARDE ESCRIBIÓ LA HISTORIA”.

Firmado: Alguien. No me pida que ponga mi grado, nombre y apellido, porque como usted no tuvo el coraje de limpiar el Poder Judicial de los corruptos de Justicia Legítima y La Cámpora, sé perfectamente que esto que he escrito puede ser usado para hacer más ingrata mi vida en Argentina.

Respetuosamente lo saludo.

Mensagem enviada por militares aos jornais argentinos em 1 de junho de 2016."http://www.alertatotal.net/2016/06/carta-abyerta-al-presidente-mauricio.html


Aliás, militares argentinos aos quais os senhores que são Fabianos, não estenderam as mãos ou a voz, quando foram perseguidos pelos tais comitês de que atuaram e atuam contra aqueles que lutaram contra a praga dos revolucionários comunistas, os Montoneros.

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Anoto, senhor gal Luiz Eduardo da Rocha Paiva, hoje na reserva, mas quando na ativa, porque se eximiu e também outros companheiros de armas, diante do quadro político catastrófico em todos os sentidos e permeado de corrupção que vigorou depois do fim dos governos militares? Porque ficou e ficaram calados diante do desmonte da Petrobrás, dos contratos escandalosos, do panorama corrupto em meio a empresas de construção civil tipo Odebrecht? Quando do caso da Reserva Raposa do Sol? Diante da humilhação cotidiana dos militares pelos governos de Lulla & Dillma? Diante do desmonte das FFAA? Diante do quadro vergonhoso dos ínfimos soldos das FFAA? Diante da miséria que crescia a olhos vistos e nos atinge a todos, nós que somos civis? Porque se eximiram diante da imposição de impostos escorchantes e juros abusivos? Porque se mantiveram calados diante do quadro de desmonte do ensino público, da contaminação dos currículos escolares com ações tipo "kit gay"? Porque vosso estrondoso silêncio com a perversão da moral e Ética brasileira? Com a disseminação do crime e a quase absoluta impunidade acumpliciada com um judiciário contaminado com os mais obscuros acontecimentos?

Porque lhes faltou coragem e disposição, que hoje mostram nos arreganhos de dentes? É porque os sonhos Fabianos estão a se tornarem reais?

Anônimo disse...

Infelizmente nossas FORÇAS ARMADAS não são valorizadas pelos governos como deveriam, parece que não são tão importantes como outras instituições, por esse motivo existe um grande abismo entre os salários dos funcionários civis e militares como se vê a grande defasagem nos salários dos militares.
Lembrando a todos: a democracia é defendida pelas FORÇAS ARMADAS.

JESUS disse...

VCS ESTÃO DE BRINCADEIRA, SÓ PODE SER ISSO, INSTITUIÇÕES, QUE BOSTA RESTOU DELAS!!!!!!!

Anônimo disse...

Incompatibilizou o PCB com as FA. O quê? Como? E o Aldo Rebelo do PC do B ministro da Defesa, com os atuais generais de 4 estrelas prestando alegremente vassalagem? Isso é incompatibilização?

slsoares disse...

O Olympio Mourão deve estar se contorcendo no seu túmulo ao ler o que os milicos da atualidade escrevem ,como o que este comentou no final ,simplesmente ridículo "Porém, ao contrário do governo afastado, o atual é democrata e organizado com representantes da esquerda e da direita situados no centro democrático". Democrático só na casa da Mãe Joana.

Anônimo disse...

O radicalismo é parte das ideologias.
Jonah Goldberg fala em fascismos de esquerda e direita.

Há comentários nestes dois vieses. Po pouco não fuzilaram o autor do post.

Não tenho procuração para falar em nome do General,

mas, estou de acordo, plenamente com ele.
Os que o criticam , se são militares como ele, deveriam dizer o que fizeram quando na ativa para evitar o status quo.

Eduardo Prado disse...

A dignidade só existe quando todas as relações são pautadas na ética e na moral, sem essas duas o que acontece é favoritismo, totalitarismo e abusos de poder.... E dignidade é coisa que nunca tivemos.

Anônimo disse...

os comandantes militares do desgovernos civis são todos TRAIDORES!
especialmente os de Lula e Dilma, ficaram de 4 para os comunistas e estes desmoralizaram as FFAA de todas as mais humilhantes maneiras.
o PIOR foi assistir os 3 melancias darem elogios rasgados e sorrisos amplos de felicidade com a nomeação do PERIGOSO COMUNISTA AMANTE DA COREIA DO NORTE ALDO REBELO COMO MINISTRO DA DEFESA...
AS FFAA BRASILEIRAS NÃO SÃO MAIS AS MESMAS.. SÃO ANTROS DE COMUNISTAS E DE COVARDÕES QUE NÃO ESTÃO DANDO A MINIMA PARA A SITUAÇÃO DO BRASIL.
MAIS PATRIOTAS E COMBATIVAS SÃO AS BRIOSAS POLICIAS MILITARES DOS ESTADOS E A GLORIOSA POLICIA FEDERAL.
AS FFAA NADA FIZERAM PARA IMPEDIR A DESTRUIÇÃO DO BRASIL PELA GANG DO PT, MUITO PELO CONTRAARIO , FACILITARAM!

Anônimo disse...

concordo com todos vocês.os presidentes do governo militar devem estar se revirando de vergonha no túmulo. estes atuais generais nada fizeram e nada fazem pela tropa e nem pelo brasil. deixaram essas porras de esquerda se apoderarem, e mamaram e mamam ainda nas tetas por tabela.