segunda-feira, 20 de junho de 2016

Desinformação nos EUA de hoje


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Em 2008, o experiente jornalista do Washington Post, David s.Broder comparou inocentemente as táticas do senador Barak Obama para esconder seu passado, às táticas militares que pilotos utilizam para se protegerem quando voam sobre um alvo fortemente defendido por armamento aéreo: “Eles liberam uma nuvem de fragmentos de metal fino, contando que, com isso, confundam a mira das granadas ou mísseis que estão sendo lançados em sua direção”. Também é uma boa descrição da glasnost, que é uma velha palavra russa para o ato de maquiar a imagem do governante, ou pretendente a governante.

Um dos objetivos prioritários da glasnost é esconder o passado do líder, dando-lhe uma nova identidade política. A glasnost de Stalin foi planejada de modo a ocultar seus crimes terríveis, retratando-o como um deus na terra. A glasnost de Kruschev consistiu em criar uma pacífica fachada internacional para o homem que trouxe os assassinatos políticos do Kremlin para o Ocidente – como provado pela Corte Suprema da Alemanha Ocidental, em outubro de 1962, durante o julgamento público de Bogdan Stashinsky, um ex-oficial do KGB que fora condecorado por Kruschev por assassinar inimigos da União Soviética que viviam no Ocidente -.

Ceausescu, que obteve a patente de general após freqüentar, em segredo, uma escola para comissários políticos, do Exército Vermelho, em Moscou, direcionou sua glasnost no sentido de ocultar seu passado, retratando-se como um Napoleão romeno. Gorbachev, recrutado pelo KGB quando estudava na Universidade Estatal de Moscou, planejou sua glasnost de modo a ocultar seu passado, retratando si próprio como um líder mágico que exibia uma atraente “senhorita KGB” aos correspondentes ocidentais, enquanto garantia transformar a União Soviética em uma “sociedade marxista de pessoas livres”(comentário meu: uma piada!).

Portanto, a campanha de 2008 para a Casa Branca foi um grande dejá vu. Um replay de uma das campanhas eleitorais de Ceausescu. A mídia de Ceausescu pintava a Romênia do seu antecessor Gheorghiu-Dej, como um país decadente, corrupto e economicamente devastado, e pedia que o país fosse transformado por meio da redistribuição de sua riqueza. Era uma campanha de DESINFRMAÇÃO.

Do mesmo modo, a mídia americana tradicional pintava a América como um reino capitalista decadente, racista e predatório, incapaz de oferecer assistência médica aos pobres, de reconstruir suas escolas “caindo aos pedaços”, ou de substituir as “fábricas fechadas que outrora deram uma vida decente a homens e mulheres de todas as raças”. E prometia que essa realidade poderia ser transformada por meio da redistribuição da riqueza do país. Também era uma campanha de DESINFORMAÇÃO.

Da mesma forma como Ceausescu adorava relembrar a todos que alguém tão grande como ele “só nasce a cada 500 anos”, o senador Barak Obama proclamou, de modo prodigioso: “Nós somos aqueles pelo qual vocês estavam esperando”, habilmente utilizando “nós”, para transmitir seu verdadeiro significado: Eu sou aquele pelo qual vocês estavam esperando. Entrementes, a sede da campanha de Obama, em Houston, tinha em seu muro um grande cartaz do ídolo comunista Che Guevara, como foi revelado pela afiliada local da Fox News.

O Partido Democrata e a mídia retratavam Obama como um messias americano, e o senador concordou: no dia 8 de junho de 2008, durante um discurso eleitoral em New Hampshire, ele declarou que o início de sua presidência seria “o momento em que as ondas do oceano começariam a baixar e o nosso planeta começaria a sarar”.

Uma vez eleito, durante os seus primeiros 231 dias na Casa Branca, o presidente Obama fez 263 discursos, todos eles essencialmente centrados nele próprio. No seu discurso de 2010, da União do Estado, a palavra “eu” apareceu 76 vezes. Em 2011, ao anunciar que as bravas forças militares americanas tinham matado Osama bin Laden, Obama usou as palavras “eu”, “me”, “mim”, “meu”, ”minha” e variações, um total de 13 vezes em seu curto discurso de 1.300 palavras.”Eu instrui o diretor da CIA..,. Eu me reuni várias vezes com o meu Conselho de Segurança Nacional... Eu determinei que tínhamos material de Inteligência suficiente para entrar em ação... Sob minhas ordens os EUA iniciaram uma operação contra aquela construção em Abbottabad, no Paquistão”. No discurso de 2012 da União do Estado, a palavra “eu” apareceu 45 vezes, e a palavra “mim”, ’13 vezes. A essa altura, ele estava na Casa Branca há 1.080 dias e tinha feito 726 discursos. O Usa Today observou que, ao fim do seu primeiro mandato, o presidente Obama tinha feito 1.852 discursos, observações em público e comentários.

Discursos voltados para si próprios sempre foram uma faceta importante da glasnost. De fato, com o passar do tempo, o marxismo se tornou um mero veículo utilizado pelos governantes “marxistas” para construir discursos de glasnost objetivando a promoção de si próprios, assim demonstrando a prodigiosa adaptabilidade do marxismo. Os discursos de glasnost de Lenin alteraram o marxismo a tal ponto, que seus seguidores terminaram por chamá-lo de leninismo. Stalin colocou o marxismo, o leninismo, a dialética de Hegel e o materialismo de Fuerbach, numa única tigela de glasnost e preparou sua própria doutrina política amplificada, que apelidou de “marxismo-leninismo-stalinismo”. Os discursos de glasnost de Ceausescu eram uma mistura ridícula de marxismo, leninismo, stalinismo, nacionalismo, arrogância romena e adulação ludibriadora chamada ceausismo. Todos os seus discursos eram escorregadios, vagos e mutáveis; com eles, preencheu 24 volumes de suas obras reunidas sem ser capaz de descrever em que realmente consistia o seu ceausismo! 

No caso de Obama, quando ele estava concorrendo à presidência pela primeira vez, em 2008, as políticas de sua maior preferência e seu histórico de eleitores, revelaram claramente que ele era “o candidato mais esquerdista até então indicado por um partido para a presidência dos EUA”. E quem não recorda o seu comentário marxista descarado destinado a “João Ninguém”, três dias antes do último debate presidencial, de que “quando você distribui a riqueza é bom para todos”.

O presidente Obama é um jovem político brilhante que foi picado pelo mosquito marxista e que, claramente, acredita que a mudança do capitalismo para o socialismo é aquilo de que os EUA realmente precisam. Concorrer à presidência como um socialista em segredo, contudo, implicou navegar em águas desconhecidas, e parece que o senador resolveu encobrir sua ideologia radical comparando-se a Ronald Reagan e, após sua eleição, a Abraham Lincoln e Teddy Roosevelt.

É claro que todas as pessoas querem que seus líderes políticos sejam melhores que os antecessores. Mas a quintessência do marxismo émudança, a qual é construída sobre o princípio do materialismo dialético de que mudanças quantitativas geram transformações qualitativas. Assim, mudança – por meio da redistribuição da riqueza do país – se tornou o slogan eleitoral de todos os países do bloco soviético.

Mudança, por meio da redistribuição da riqueza, também se tornou o slogan eleitoral do Partido Democrata durante a campanha eleitoral de 2008. As pessoas sempre adoram um almoço gratuito. Não é de estranhar que o Partido Democrata tenha enchido estádios inteiros de pessoas que pediam que a riqueza fosse redistribuída. Alguns desses aglomerados eleitorais pareciam os encontros de renovação de fé feitos por Ceausescu. Mais de 80 mil pessoas estavam reunidas em frente ao agora famoso Templo Grego similar à Casa Branca, que foi erguido em Denver, para pedir que a riqueza da América fosse redistribuída. Foi um magnífico espetáculo de DESINFORMAÇÃO.

De acordo com uma emenda de 12 de março de 2008, apresentada ao Senado pelo senador Wayne Allard – republicano do Colorado -, financiar 111 dos 138 aumentos de impostos propostos até aquele momento pelo Partido Democrata, roubaria US$l,4 trilhão de empresários e outros pagadores de impostos pelos próximos 5 anos. Essa gigantesca redistribuição de renda faria com que a taxação de pessoas que ganham US$104.000 ao ano, subisse para 74% - US$12.000 -, e que a de pessoas que ganham mais de US$365.000, subisse 132% - US$93.500 -, mas também afetaria significativamente o pagador de impostos comum, que ganha US$62.000, cuja taxação subiria 61% - US$5.300 -.

Milhões de jovens americanos que não pagavam impostos vibraram, assim como a maioria das pessoas pertencentes aos 38% de pais e mães de família, eximidos de pagar impostos na época. Estavam, claro, animados com a perspectiva de que uma administração democrata forçaria os ricos da América a pagar parte da assistência médica, das hipotecas, dos empréstimos e dos custos do ensino dos demais, e assim correram a apoiar os candidatos democratas.

O Partido Democrata venceu a eleição para a Casa Branca e teve maioria nas duas Casas do Congresso. Logo os novos líderes políticos dos EUA começaram a se transformar numa nomenklaturaao estilo Ceausescu – no bloco soviético, a classe de elite da qual advêm aqueles que são nomeados para cargos de cúpula do governo – com Poder sem limites. Essa nova nomenklatura começou a governar o país em segredo, assim como o fez anomenklatura de Ceausescu. “Nós temos que fazer o orçamento ser aprovado para que então vocês saibam o que ele contém”, disse, certa vez, à mídia, a então líder da nomenklatura da Câmara, Nancy Pelosi. Era algo sem precedentes na história americana. Não demorou muito para que essanomenklatura – essa nova classe arrogante - começasse a controlar bancos, hipotecas, taxas escolares, fabricantes de automóveis e a maior parte da indústria de serviços de saúde.

Quando dezenas de milhares de americanos discordaram da transferência de riquezas de mãos privadas para as do governo e passaram a defender os valores americanos tradicionais, anomenklatura do Congresso as chamou de “extremistas” e potenciais “terroristas”. Também era assim que a ditadura de Ceausescu chamava os seus críticos.

No dia 7 de fevereiro de 2009, a capa daNewsweek, à época a segunda maior revista de notícias dos EUA, anunciou: “Agora Somos Todos Socialistas”. Foi exatamente isso que o jornal de Ceausescu, o Scinteia, afirmou, após ter transformado a Romênia em um monumento à sua própria pessoa. A mudança da Newsweek produziu os mesmos resultados que a mudança do Scinteia, numa escala americana. Mais de 14 milhões de americanos perderam seus empregos e 41,8 milhões de pessoas passaram a receber vales-alimentação. O crescimento do PIB desabou de 3% a 4% para 1,6%. A dívida nacional subiu para nunca vistos US$ 13 trilhões ao ano, e calcula-se que chegue a US$ 20 trilhões em 2019.  (Observação minha: semelhante ao que está ocorrendo no Brasil, hoje, ao final do desastroso governo da comunista Dilma Rousseff, patrocinado pelo Partido que se intitula dos Trabalhadores!).

Scinteia foi à falência. Em 2010, o Newsweek foi vendido por uma bagatela. E mesmo sob uma nova direção e sob novo aporte financeiro, publicou sua última edição impressa em dezembro de 2012. Também em 2010, um membro danomenklatura do Congresso, a resoluta admiradora e visitante de Cuba, a republicana Maxine Waters, começou a pregar que o futuro da indústria americana do petróleo era o socialismo, rapidamente voltando atrás, em linguagem mais amena, ao perceber o que estava dizendo: “Defendo a socialização, é... é..., basicamente o governo administrar todas as nossas companhias”. Em 1948, quando a nomenklatura romena nacionalizou a indústria do petróleo, o país era o segundo maior exportador da Europa. 30 anos depois, a Romênia era uma grande importadora de petróleo, sua gasolina era racionada, a temperatura em locais públicos tinha de ser mantida abaixo de 17 graus e todas as lojas tinham de fechar no máximo às 17:30 hrs, para economizar energia. 

Poucos comentaristas políticos conservadores alertaram que o marxismo estava infectando os EUA. Infelizmente, com raras exceções, líderes tanto do Partido Democrata como do Republicano falharam em não alertar o país para esse perigo. Parece que ninguém acredita que seja possível que os EUA, o líder do Mundo Livre, possam ser vulneráveis ao vírus do marxismo. É outra conseqüência da DESINFORMAÇÃO.

Após vencer as eleições de 2008, o Partido Democrata começou a transformar os EUA em um monumento ao seu líder. Deus me livre de comparar o presidente Obama a Ceausescu ou a qualquer outro monstro do bloco soviético – acredito firmemente que o primeiro presidente negro deve ter lugar de honra na história de nosso país -, mas realmente noto algumas coincidências que podem dar ensejo a reflexões. Finalmente, abaixo, uma lista parcial de projetos e locais que receberam o nome do presidente Barak Obama:

- Califórnia: Estrada Obama, em Seaside; Instituto de Ensino Barak Obama, em Compton; Academia de Preparação Global Barak Obama, em Los Angeles; Academia Barak Obama, em Oakland.

- Flórida: Estacionamento Presidente Barak Obama, em Orlando; Avenida Barak Obama, em Opa-locka; Bulevar Barak Obama, em West Park.

- Maryland: Escola de Ensino Fundamental Barak Obama, em Upper Marlboro.

- Missouri: Escola de Ensino Fundamental Barak Obma,em Pine Lawn.

- Minnesota: Escola Técnica Barak e Michelle Obama, em Saint Paul.

- New Jersey: Academia Barak Obama, em Plainfield; Instituo Verde de Ensino Barak Obama, também em Plainfield.

- New York: Escola de Ensino Fundamental Barak Obama, em Hempstead.

- Pennsylvania: Escola de Ensino Médio Obama, em Pittsburgh.

- Texas: Academia de Liderança para Homens Barak Obama, em Dallas.
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O texto acima é o resumo de um dos capítulos do livro “Desinformação”, escrito pelo Tenente-General Ion Mihai Pacepa – foi chefe do Serviço de Espionagem do regime comunista da Romênia. Desertou para os EUA em julho de 1978, onde passou a escrever seus livros, narrando importantes atividades do órgão por ele chefiado, e que influenciaram diretamente alguns momentos históricos do Século XX -, e pelo professor Ronald J. Rychlak - advogado, jurista, professor de Direito Constitucional na Universidade de Mississipi, consultor permanente da Santa Sé na ONU, e autor de diversos livros -. “Desinformação” foi  editado no Brasil em novembro de 2015 pela editora CEDET.
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O texto abaixo foi publicado dia 19/6/2016 no www.alertatotal.net:

Teste proposto pelo Olavão

Do sempre provocador Olavo de Carvalho, no Facebook:

Faça este teste - Pegue um universitário brasileiro e pergunte:

-- Você segue alguém ou pensa com a própria cabeça?

Em cem por cento dos casos, a resposta será:


-- Com a minha própria cabeça. Tenho pensamento crítico.

Em seguida mostre a ele dois documentos -- o alistamento militar do Obama com a data visivelmente falsificada e um artigo de jornal jurando que os documentos do Obama são autênticos -- e descobrirá que em 99,9999999 por cento dos casos o pensador crítico acredita antes na opinião do jornal do que nos seus próprios olhos.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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