terça-feira, 7 de junho de 2016

Kruschev: um monumento à desinformação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Hoje em dia, as pessoas podem se lembrar de Kruschev como um camponês realista que corrigiu os males feitos por Stalin. Esse é o resultado de uma bem sucedida operação de DESINFORMAÇÃO. Na verdade, Kruschev era brutal, imprudente e extrovertido, segundo o general Ion Pacepa, chefe do DIE, órgão de Inteligência da Romênia, e tendia a destruir qualquer projeto em que punha as mãos. Mantinha um ódio pessoal, maior que o de Stalin, pelo que chamava de “burguesia ocidental”.

Ainda segundo Ion Pacepa, Kruschev, tanto sóbrio, quanto bêbado, disse, muitas vezes, que Stalin havia cometido um erro imperdoável, ao voltar sua polícia política contra o próprio povo soviético. “Nossos inimigos” não estavam na União Soviética, explicava Kruschev. Os milionários norte-americanos é que estavam determinados a varrer o comunismo da face da terra. Eram eles os “nossos inimigos mortais”. Eles eram os “cães raivosos do imperialismo”.

Depois que o avião U-2 foi derrubado no espaço aéreo soviético, em 1 de maio de 1960, Kruschev pediu uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para contar sua versão da história. Tal reunião teve início no dia 23 de maio, prosseguiu por 4 dias e terminou com a decisão de providenciar uma reunião de cúpula das quatro potências, em Paris, a fim de apaziguar os ânimos.

O modo como Kruschev lidou com a reunião em Paris ilustra a sua natureza execrável. Ainda no avião que o levava a Paris, Kruschev começou a ficar obcecado com a idéia de que Eisenhower havia mandado, de propósito, seu avião U-2 à União Soviética com a intenção de sabotar qualquer resolução da crise de Berlim. Ainda durante esse vôo para Paris, Kruschev decidiu retirar seu convite – já aceito – para que Eisenhower visitasse Moscou, a menos que o presidente americano declarasse, do alto do pódio da reunião, que cancelaria o programa dos aviões U-2. Quando a reunião de cúpula já estava por começar, Kruschev decidiu ainda requerer um pedido de desculpas de Eisenhower. Por fim, Kruschev abriu a reunião de cúpula das quatro potências anunciando que a União Soviética não mais iria tratar com os EUA, e que não haveria mais reuniões de cúpula enquanto
Eisenhower fosse presidente.

No início de 1962, o Serviço de Inteligência da Romênia – DIE -, chefiado pelo general Ion Pacepa, tomou conhecimento que Kruschev pretendia entrar para a História como o líder soviético que havia exportado o comunismo e o poder nuclear soviético para o continente americano. Kruschev previu que o novo presidente dos EUA, John Fitazgerald Kennedy, sofreria um ataque do coração quando percebesse que os mísseis nucleares soviéticos estavam a apenas 90 milhas de distância dele.

Durante os dias críticos da crise dos mísseis em Cuba, ocorreu de o líder romeno, Gheorghe Gheorghiu-Dej, estar visitando o Kremlin. Na manhã de 23 de outubro de 1962, retornando para seu país após uma visita à Indonésia e a Burma, Dej parou em Moscou, por algumas horas, a fim de informar Kruschev sobre suas visitas. Logo antes disso, Kennedy havia advertido Moscou publicamente para que recuasse de sua perigosa aventura em Cuba.

De acordo com Gheorghiu-Dej, Kruschev estava incomumente irado e, embora seu encontro tivesse ocorrido antes do meio-dia, ele já cheirava a vodka. Pouco depois de Dej ter entrado no escritório de Kruschev, o marechal Malinovski, Ministro da Defesa soviético e um velho amigo de Dej – após a II Guerra Mundial Malinovsky se tornara o administrador soviético da Romênia –, apareceu e informou que a Marinha norte-americana fora posta em alerta e que, de acordo com a monitoração eletrônica soviética, o Pentágono estava preparando um bloqueio a Cuba. Kruschev irrompeu em fúria, gritando, xingando e dando uma avalanche de ordens contraditórias, e mandou que fosse dado um almoço de Estado e uma noite festiva na casa de ópera em homenagem a Dej, ordenando que ambos os eventos contassem com toda a Junta

Governativa do Partido Comunista e que fossem amplamente noticiados pela mídia, como demonstração da unidade do bloco. 
Na manhã do dia seguinte, o general Vladimir Yefimovich Semichastny. o novo diretor do KGB, levou ao líder soviético um telegrama de Washington que acabara de ser descodificado pelo KGB, dizendo que Kennedy ordenara uma “quarentena” naval a fim de evitar que 18 navios de carga soviéticos que rumavam para Cuba alcançassem seu destino. Quando Kruschev acabou de ler o telegrama seu rosto estava escarlate. Ele então olhou inquisitivamente para o general, diretor do KGB e começou a xingar como um barqueiro. Em seguida, jogou o telegrama no chão e o pisou. “É assim que irei esmagar aquela víbora”, gritou. A víbora era Kennedy.

Na noite de 25 de outubro de 1962, Kruschev recebeu um relatório conjunto do PGU/GRU, segundo o qual as forças convencionais e nucleares dos EUA tinham sido postas em alerta mundial, e que “a maior força de invasão montada desde a II Guerra Mundial”, estava concentrada na Flórida. Esse relatório de Inteligência concluía haver sérios indicativos de que um ataque a Cuba poderia acontecer nos próximos dois ou três dias. Naquele mesmo dia 28 de outubro, Kruschev recebeu também um telegrama de Anatoly Dobrynin - embaixador soviético em Washington -, contendo o texto de uma mensagem que lhe fora enviada pelo Procurador Geral, Robert Kennedy, irmão do presidente. A mensagem alertava que o tempo estava se esgotando, e que os EUA estavam preparados para tomar medidas fortes de retaliação, no final da semana, se Moscou não concordasse imediatamente em retirar seus mísseis de Cuba.

Não demorou para que Kruschev mudasse de idéia. Aproximadamente à meia-noite, no horário local de Moscou, cerca de uma dúzia de navios soviéticos saíram da faixa de confronto. O Kremlin anunciou também, publicamente, que todas as bases soviéticas em Cuba seriam desmanteladas e que seria permitida inspeção no local.
Na noite daquele mesmo sábado, 28 de outubro de 1962, Gheorgihu Dej declarou ter sido aquela a maior derrota.em tempos de paz, da história soviética. Embora tenha tido um prazer inconfessável com a humilhação apocalíptica de Kruschev, Dej também mostrava-se aflito, pois o lunático poderia ter explodido de raiva e ter iniciado uma guerra nuclear.
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O texto acima é o resumo de um dos capítulos do livro “Desinformação”, escrito pelo Tenente-General Ion Mihai Pacepa – foi chefe do Serviço de Espionagem do regime comunista da Romênia. Desertou para os EUA em julho de 1978, onde passou a escrever seus livros, narrando importantes atividades do órgão por ele chefiado, e que influenciaram diretamente alguns momentos históricos do Século XX -, e pelo professor Ronald J. Rychlak - advogado, jurista, professor de Direito Constitucional na Universidade de Mississipi, consultor permanente da Santa Sé na ONU, e autor de diversos livros -. O livro foi editado no Brasil em novembro de 2015 pela editora CEDET

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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