sábado, 25 de junho de 2016

Mantendo a Máquina de Mentiras em funcionamento

Vladimir Putin 

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

​Depois que Vladimir Putin e seus ex-colegas tomaram o Kremlin, a guerra contra a America sionista explodiu na Europa Ocidental com a mesma fúria de quando seu ápice na Guerra Fria. Pouco depois de termos adentrado o novo milênio, milhões de europeus começaram a ir às ruas, não para celebrar a liberdade de que gozam por ter a América os tirado debaixo dos coturnos nazistas e soviéticos, mas para condenar os EUA por sua nova guerra contra o terrorismo.

Mais uma vez a esquerda européia se mobilizava contra seu arquiinimigo, a América sionista, persuadindo outras pessoas, mundo afora a se juntar às manifestações conduzidas com toda a paixão de encontros religiosos. Em 2001, quando os terroristas de Osama Bin Laden declararam guerra aos EUA por meio de seus ataques suicidas com aviões, esses grisalhos marxistas europeus que tinham ido às ruas para se manifestar contra os americanos quando eram jovens estudantes da Sorbonne, empenharam suas canetas para condená-los novamente.

Os russos, que fornecem o estímulo ideológico dessa nova ofensiva antiamericana se tornaram mais perturbadores que os fuzis Kalashnikov que os terroristas da Al-Qaeda estavam apontando para nós. O filósofo francês Jacques Derrida, que dizia ter rompido com o marxismo, mas que ainda se enchia de emoção ao ouvir ”A Internacional”, começou a pregar que a guerra islâmica contra os EUA era justificada porque os americanos eram culturalmente alienados. Derrida, em seguida, pediu uma “nova Internacional” para unir todos os ambientalistas, feministas, gays, aborígenes e outras pessoas “despossuídas e marginalizadas” que combatiam a globalizada guiada pelos EUA.

Antonio Negri, um professor da Universidade de Pádua, que fora o cérebro por trás das Brigadas Vermelhas – um dos grupos financiados pelo KGB nos anos 1970 – e que cumpriu pena de prisão por seu envolvimento no seqüestro e assassinato do ex-Primeiro Ministro italiano Aldo Moro, é co-autor de um livro violentamente antiamericano, chamado Império. Nele, Negri justifica o terrorismo islâmico como sendo a ponta de lança da “revolução pós-modernista” contra a globalização norte-americana – o novo “Império” -, que ele diz estar desfazendo os Estados-Nações e criando desemprego em massa. O New York Times – que omitiu qualquer envolvimento de Negri com o terrorismo – foi longe, a ponto de chamar essa versão moderna do Manifesto Comunista de “o livro mais intenso, mas perspicaz do momento”.

No dia 14 de dezembro de 2002, o Secretário (de estilo soviético) do Conselho Mundial da Paz (WPC), uma criação soviética controlado pelo KGB, ainda chefiado por Romesh Chandra, convocou uma reunião do seu Comitê Executivo que, com vigor, “condenou a escalada extremamente perigosa da agressividade americana em escala global”. Um apelo internacional foi lançado pelo “Secretariado do WPC”.

O documento do WPC reconhecia que “o Conselho Mundial da Paz havia participado ou co-organizado essas manifestações”, e pediu aos “movimentos de paz que intensificassem as suas lutas, realizassem iniciativas para mobilizar as pessoas e formassem elos com o crescente movimento popular, ao mesmo tempo estimulando sua ação autônoma, e ajudando a formar um movimento de paz, amplo e militante. contra a nova ordem mundial”. O Comunicado oficial do WPC, publicado na conclusão daquela reunião, dizia, com típico estilo soviético: “A administração criminosa de Bush está intensificando seus preparativos para um ataque unilateral ao Iraque, e esse unilateralismo da hegemonia está se tornando a maior ameaça à paz mundial”. O Comunicado também chamava “os povos e movimentos do mundo que aspiravam à paz e à justiça a unir suas vozes contra a guerra americana no Iraque”.

No início de 2003, o mesmo Chandra, homem escolhido pelo KGB para o cargo e então presidente honorário do Conselho Mundial da Paz, declarou 12 de abril como “o dia mundial das manifestações”, e convocou as pessoas do mundo inteiro a organizarem protestos pedindo que todos os governos “parem de apoiar os assassinos americanos e britânicos”, e insistindo que a Assembléia Geral da ONU se reunisse para fazer cessar a guerra no Iraque. Braços do WPC em pelo menos 57 países se juntaram aos esforços, convocando manifestações antiamericanas. No fim de semana de 12 a 13 de abril, mais manifestações pela paz ocorreram simultaneamente mundo afora, com maior concentração em Atenas e Moscou.

O Partido Mundial dos Trabalhadores (WWP) se juntou à refrega. Era outra organização de fachada do KGB. O WWP, que é sediado nos EUA, convocou manifestações antiamericanas no dia 12 de abril de 2003 em Washington, Seattle, S.Francisco e Los Angeles para condenar a “ocupação colonial do Iraque” e pedir “mudança de regime em Washington”.

O WWP foi criado pela comunidade do KGB em 1957, com a missão inicial de ajudar o Kremlin a criar uma impressão favorável da invasão soviética da Hungria em 1956 entre os sindicatos e a população “de cor” dos EUA. Era dirigido por um secretariado estilo soviético, cujos membros eram secretamente treinados e doutrinados pelo KGB, que também financiava suas operações do dia a dia. Em 1959 o WWP ganhou o seu próprio jornal,Trabalhadores do Mundo, que era editado pelo Departamento de DESINFORMAÇÃO do KGB e foi, por um tempo, impresso na Romênia junto com a revista do Kominform (For Lasting Peace, for Popular Democracy). Para ocultar a mão do KGB e dar ao jornal um apelo mais amplo, os primeiros números mostravam Lenin e Trotski segurando um cartaz que dizia: “Negros e Brancos se Unem e Lutam por um Mundo dos Trabalhadores”.

Atualmente, o WWF tem um escritório nacional em New York e 18 sedes regionais por todo o país, cujos endereços estão disponíveis na Internet. Agora, o WWF se apresenta como um partido nacional marxista-leninista que promove o socialismo, apóia as lutas da classe trabalhadora e a liberação mundial lésbica/gay/bi, organiza protestos e denuncia o racismo e o sexismo.

O jornal do WWF, Mundo dos Trabalhadores,também permanece em atividade e mantém a sua retórica dos tempos da Guerra Fria. Seu sitedeclara: “Somos marxistas independentes”(Observação minha: Uma piada! Como se isso fosse possível!), cujo objetivo “é a solidariedade de todos os trabalhadores e oprimidos contra esse sistema imperialista criminoso”.

Ao longo dos anos o WWF criou várias organizações de fachada, seguindo diretrizes soviéticas, como a Jovens contra a Guerra e o Fascismo, Ação Unida do Trabalho e o Sindicato dos Recrutas Americanos. Mais recentemente o WWF criou uma organização de fachada chamadaANSWER, isto é, “Act Now to Stop War and Em Racism” (Aja Agora para Deter a Guerra e Acabar com o Racismo). A Answer é um conjunto de grupos, sediado nos EUA, consistindo de muitas organizações antiguerra e de militância por direitos civis. Formada após os ataques do 11 de setembro, a Answer, desde então, ajudou a organizar muitas das maiores manifestações antiguerra dos EUA, incluindo protestos de centenas de milhares de pessoas contra a Guerra do Iraque. É apoiada por vários órgãos comunistas estrangeiros – o Partido Comunista Libanês, o Novo Partido da Holanda, o Partido Comunista de La Argentina – e por várias organizações anti-americanas – o Tribunal Italiano de Crimes da OTAN, O Partido Verde Americano, a Amizade Canadense-Cubana -.

A Answer foi a principal organizadora das grandes manifestações anti-americanas nos EUA nos dias 12 e 13 ded abril de 2003. Seu site contém vários folhetos anti-americanos prontos – entre eles, “Cerquem a Casa Branca” e “Vote pelo Impeachment de Bush” – que podiam ser baixados, impressos e postados. Answer também forneceu dúzias de ônibus para transportar os manifestantes “espontâneos”, por mais de cem cidades dos EUA onde estavam marcadas as principais manifestações anti-americanas.

Vale notar que o fim da Cúpula sobre o Iraque, organizada pelo presidente Putin em São Petersburgo, à qual compareceram o chanceler alemão e o presidente francês, coincidiram com as manifestações anti-americanas de 12 de abril de 2003, organizadas pelo Conselho Mundial da Paz e seu rebento americano, o Partido Mundial dos Trabalhadores. 

Os políticos e a mídia dos EUA ofereceram várias explicações sobre a onda européia de ataque à América:  a Europa se sente irrelevante porque Washington não lhe pediu permissão para iniciar a guerra contra o terrorismo; ao longo dos últimos 25 anos, a Europa gastou toda a sua riqueza em Estado de bem estar social e programas sociais, e agora está envergonhada em admitir que sua força militar não é adequada; a Europa sempre favoreceu a política de apaziguamento; a Comunidade Européia está demasiadamente absorvida por sua integração interna e não quer se distrair com a batalha contra o terrorismo, assim como não queria se envolver em seu próprio conflito balcânico; os EUA falharam em resolver o problema da fome mundial e isso deixou os países árabes e muçulmanos loucos de raiva.

Apesar de haver algumas verdades em todas essas explicações, a outra razão de maior força que é universalmente ignorada: a sobrevivência da máquina de DESINFORMAÇÃO do KGB, advinda da Guerra Fria, a qual passou mais d 40 anos realizando operações anti-americanas com o propósito de desacreditar “o principal inimigo do Kremlin”.

Nos anos 1970, Yuri Andropov sinalizou que “agora o que temos que fazer é manter a máquina em funcionamento”. Andropov era um juiz sagaz da natureza humana. Ele compreendia que, no fim, o envolvimento soviético original seria esquecido e, então, a máquina de DESINFORMAÇÃO ganharia vida própria. É apenas o modo como funciona a natureza humana.
Na Rússia, quanto mais as coisas mudam, mas parecem permanecer as mesmas. Como dizem os franceses: Plus ça change, plus c’est la même chose.    
_____________________________

O texto acima é o resumo de um dos capítulos do livro “Desinformação”, escrito pelo Tenente-General Ion Mihai Pacepa – foi chefe do Serviço de Espionagem do regime comunista da Romênia. Desertou para os EUA em julho de 1978, onde passou a escrever seus livros, narrando importantes atividades do órgão por ele chefiado, e que influenciaram diretamente alguns momentos históricos do Século XX -, e pelo professor Ronald J. Rychlak - advogado, jurista, professor de Direito Constitucional na Universidade de Mississipi, consultor permanente da Santa Sé na ONU, e autor de diversos livros -. O livro foi editado no Brasil em novembro de 2015 pela editora CEDET.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Nenhum comentário: