domingo, 12 de junho de 2016

Nojinho de Deus e da Família


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Felipe Pondé

Os frequentadores de jantares inteligentes não gostam do povo. Mentem quando se dizem preocupados com ele. Essa preocupação só serve para alimentar a vaidade deles ("Como sou bom! Até me sinto mal quando tomo vinho, só de pensar em quem sofre na fila do posto de saúde!"). Outra vantagem de "amar a ideia de povo" é a carteira de "projetos" rentáveis junto ao governo.

Bom, isso nada tem de novo. Qualquer um que olhe a sua volta vê o nojinho que os inteligentes alimentam pelo povo. Ainda que chamem suas empregadas de "Dôdo" ou "Tatá".

Muita gente, nos últimos dias, falou daquilo que para muitos foi um vexame na votação do impeachment na Câmara: "Em nome de Deus, da minha família...".

Mas eu gostaria de aprofundar um pouco o nojinho que aquelas confissões em Deus e na família despertaram nos jantares inteligentes desde o domingão de 17 de abril.

Minha hipótese é simples. Penso que o nojinho aqui vai além do blábláblá sobre a "qualidade de nossos políticos". O nojinho é, na verdade, nojinho de Deus, da religião e da família mesmo.

Poderíamos fazer uma sociologia desse "mundo das letras" no tocante aos afetos, rancores, ressentimentos e solidão que, provavelmente, levaria sua segunda-feira a um astral meio ruim. Por isso, vamos deixar de lado essa sociologia triste.

Seria fácil identificar em muitos ateus rancorosos (mesmo que digam que não) um ódio de Deus que os faz pensar mais Nele do que os crentes o fazem. Quanto mais militante é um ateu, mais problemas ele tem com seu papai ("daddy issues", como se fala em inglês). E o que falar da solidão em meio a livros e aulas, muitas vezes irrelevantes? E a inveja de quem consegue ter uma vida familiar gratificante por anos a fio? Sim, sei que prometi não pegar tão pesado, por isso paro por aqui.

E isso existe mesmo? Existe essa coisa de "vida familiar gratificante"? É possível ser religioso e inteligente? Só alguém sem informação, inculto ou inseguro pode ser religioso, não?

Já voltaremos ao nojinho pela família, mas por agora examinemos o nojinho por Deus e pela religião.

Uma sociologia básica do ateísmo mostra que parece haver alguma relação entre aumento de repertório e dúvidas com relação a fé. Países com alto nível de escolaridade se aproximam do chamado ateísmo orgânico. Ateísmo orgânico é a forma de ateísmo a que se chega sozinho após se informar e refletir sobre deuses e religiões e ver como tanto os deuses quanto as religiões são repetições banais das mesmas crenças ao longo dos séculos.

Para não falar de todos os picaretas que roubam centenas de milhares de pessoas ao longo dos séculos com o blábláblá dos "poderes espirituais".
Claro que em épocas do politicamente correto e dos ofendidinhos que empesteiam o mundo com o seu mimimi, todo mundo tem que posar de "doce relativista" e esconder que suspeita que essa "gente simples" que crê em pastores, padres e afins seja gente ignorante que não entende nada da realidade.

Mas a repressão do desprezo por quem acredita nessas bobagens religiosas, tão bem instalada no dia a dia social, explode na hora em que aparece associada a algo "desprezível" como ser contra o PT. É fato que esse desprezo disfarçado de "doce relativismo" está mais presente em gente que tem "fé na luta pela igualdade social". Qualquer pessoa um pouco mais atenta sente o cheiro da condescendência quando essa gente culta é obrigada a conviver com aquela gente estúpida da fé.

E o nojinho da família? Esse é fruto de ideias como "família é o lugar da opressão patriarcal", "família é coisa de gente heteronormativa". Basta alguém dizer que uma mulher é "recatada e do lar" para um exército de chatos e ofendidos saírem de seus buracos e protestarem contra a opressão exercida pelas mulheres "recatadas e do lar" sobre todas as outras que não querem ter recato ou um lar.

O número de pessoas solitárias e sem filhos que ensinam por aí o que é uma família ou como educar um filho nos faria dar risada. Pode-se votar em nome de assassinos "revolucionários", mas em nome da família, jamais.


Luiz Felipe Pondé é Escritor. Originalmente publicado na  Folha de S. Paulo, em 2 de maio de 2016,  caderno Ilustrada.

3 comentários:

Loumari disse...

NOVAS DE ANGOLA

O todo-poderoso general Zé Maria
O chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general António José Maria, também conhecido como Zé Maria, recentemente surpreendeu os oficiais generais a si subordinados quanto ao plano de protecção permanente dos seus filhos na Europa quando "acontecer alguma coisa" em Angola.
A comunicação teve lugar durante a celebração do aniversário de uma funcionária, na messe dos oficiais, na sede do SISM, que decorreu entre as 11h00 e as 16h00. Em conversa aparentemente cordial entre altos oficiais, o general Zé Maria perguntou ao director do Gabinete de Formação e Ensino do Serviço de Inteligência e de Segurança Militar, o vice-almirante José João Sebastião “Dimoxi”, quantos filhos tem. Este respondeu que tem nove filhos.
Então, o general Zé Maria, segundo alguns presentes, destratou o vice-almirante, apodando-o de incompetente, assim como aos outros oficiais generais. Porquê? De acordo com as fontes do Maka Angola, o general Zé Maria acusou os seus colegas generais e subordinados de serem incompetentes porque, pasme-se, não são ricos e não têm planos de segurança permanente para as suas famílias na Europa.
Como exemplo da sua própria competência, referiu que todos os seus filhos são milionários, tendo cada um deles uma residência na Europa, nomeadamente em Portugal. Nesse país, segundo a sua visão, os seus filhos poderão permanecer confortavelmente instalados na era pós-Dos Santos. O general Zé Maria acrescentou que os seus filhos “têm os quatro C’s”, “curso, conta, casa e carro”, à excepção do mais novo que só tem “três C’s”.
O general Zé Maria revelou ademais que o seu filho mais novo, Simba, de 12 anos de idade, tem apenas US $600 mil na sua conta e uma casa em seu nome, em Portugal. No seu longo e improvisado discurso, o chefe do SISM gabou-se da casa de Simba, tendo mesmo afirmado que é de longe maior e melhor do que as residências, em Angola, de cada um dos generais presentes. Aqueles seriam os oficiais que, apesar das altas patentes e do seu empenho profissional, não fazem parte dos círculos de enriquecimento ilícito do generalato. Uma espécie de generais da periferia.
Cabisbaixos, os generais ofendidos manifestaram-se apenas com expressões faciais de desagrado, enquanto os funcionários civis e militares de outros departamentos assistiam ao discurso de humilhação.

Continua

Loumari disse...

Todavia, quem mais se sentiu insultado com a atitude submissa dos vários generais foi o próprio general Zé Maria, de acordo com alguns dos presentes. Acusou-os, pois, de não gostarem dele e de lhe desejarem mal, ao invocarem, em surdina, que já passou a idade da reforma, fixa nos 65 anos, mas que ainda assim continua no activo.
O orador explicou que, apesar de já ter mais de 70 anos, os seus subordinados terão de o aturar ainda mais algum tempo. Justificou a sua permanência com o facto de ter sido o criador do SISM: somente por esta razão, está à vontade para fazer da instituição o que bem entender.
“Só saio [do cargo de chefe do SISM] quando o camarada presidente sair também”, anunciou. Mais adiante, o general e ex-seminarista disse aos seus subordinados que, neste mundo, apenas respeita duas pessoas: “Jesus Cristo e o camarada presidente José Eduardo dos Santos.”
De forma extraordinária, o general Zé Maria não se coibiu, de acordo com testemunhas, de sublinhar que todos os dias, quando acorda, faz um novo inimigo, e que se sente muito bem com esta rotina.

Indignados, os oficiais em causa remeteram uma queixa, alegadamente sem a assinarem, à Casa de Segurança do Presidente da República. Por via informal, tomaram conhecimento de que o gabinete de José Eduardo dos Santos está a par do comportamento anormal do general e da forma como este banaliza a instituição e humilha os outros oficiais generais. Alega, no entanto, que, “por uma questão de humanidade”, nada pode fazer, porque não sabe onde colocar o “velho”.

CaioB disse...

Muito bom!
Discordo em uma passagem, a de "não pegar pesado".
As criaturas alvo do artigo devem ler algo que lhes "pega pesado", pois se alimentam das distorções da realidade e da lógica.
Ao negar o direito inato das pessoas normais adotar e professar uma religião de Luz, acionam a sua própria religião, que é a de negação e avacalhação dos que professam uma FÉ sadia, bem ao exemplo de radicais do meio caminho do oriente.
Com a racionalização apresentada no artigo, quanto mais "pesado pegar" mais esclarecimentos chegarão aos desviados e mais limpos ficarão seus olhos, em prol da Luz.
De resto, EXCELENTE!