domingo, 19 de junho de 2016

O fantasma de Marx


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Em uma pesquisa de opinião feita em 2008 pelaRasmussen Reports apenas 53% dos americanos disseram preferir o capitalismo ao socialismo, com outros 27% indecisos 20% optando firmemente pelo socialismo. Uma das casas noturnas no East Village de New York é o KGB Bar, que fica lotado de escritores marxistas que fazem leituras de suas obras literárias enaltecendo a idéia de redistribuição da riqueza americana. Ironicamente, o atual Pravda russo faz troça: “É preciso dizer que, como o rompimento de uma barragem, a descida americana rumo ao marxismo está acontecendo com velocidade empolgante, contra o pano de fundo de ovelhas passivas, infelizes, Isto é – perdoe-me o leitor – “o povo”. 

Por que os EUA, que construíram a economia de mercado de maior sucesso na História estão agora brincando com o marxismo? A História certamente oferecerá uma resposta definitiva a essa pergunta. Entrementes deve-se levar em consideração a explicação oferecida pelo filósofo francês Jacques Derrida, que dizia ter rompido com o marxismo, mas confessava que ainda ficava cheio de emoção sempre que  ouvia “A Internacional”.

Pouco antes de morrer, Derrida recordou a seus amigos que o primeiro substantivo constante do Manifesto Comunista é ”espectro” – “Um espectro ronda a Europa. O espectro do comunismo” -. De acordo com Derrida, Marx começa o Manifesto com “espectro” porque um “espectro” nunca morre.
Derrida percebeu algo.

“Se há uma coisa da qual estou certo, é que nenhum homem de pensamento pode imaginar que o resultado final da Grande Guerra possa ser outra coisa que não um desastre para a humanidade em larga escala”, declarou Alfred Mosley, um dos mais celebrados economistas da Europa, em 1915. Ele foi profético. A Grande Guerra trouxe o espectro de Marx à vida sob a forma de União Soviética. O espectro de Marx continua a voltar a vida após cada longa guerra em qualquer parte do mundo.

O império soviético, que levou a Europa Oriental a um sombrio feudalismo, foi criado pouco depois da II Guerra Mundial. A Romênia, por exemplo, se encontra nesse caso; quatro anos de guerra ao lado da Alemanha, espremeram a Romênia como uma esponja, e o que sobrou foi, por vingança, roubado pelo “libertador” Exército Vermelho, o qual devastou a terra pior que uma praga de gafanhotos. Muitos jovens intelectuais romenos, que haviam crescido sob a influência do fervor patriótico do pós guerra, estavam dispostos a tentar qualquer coisa, incluindo o marxismo, para reconstruir sua terra natal.

Em 1941 os jovens eleitores ingleses cansados de guerra e ignorantes em matéria de história mundial, de igual modo voltaram-se para o espectro de Marx em busca de ajuda. Dois meses após o fim da II Guerra Mundial botaram para fora do cargo o lendário Winston Churchil – que tinha sido determinante para o fim da guerra – e colocaram em seu lugar Clement Attlee, um líder marxista disfarçado advindo do Partido Trabalhista. Attlee iniciou seu reinado estatizando o sistema de saúde. Com seu apetite por socialismo mais aguçado, Attlee prosseguiu com a estatização dos sistemas financeiro, automobilístico e energético, de empresas de comunicação, aviação civil, eletricidade e aço industrial.

A economia inglesa entrou em colapso e o poderoso Império Britânico virou história, dando uma vigorosa – mas evidentemente ignorada – advertência a todos que posteriormente pudessem ser tentados a olhar o espectro de Marx como um salvador. Mesmo as mais famosas marcas britânicas, como Jaguar e Rolls Royce, tiveram de ser salvas do esquecimento por empresas de automóveis estrangeiras.

Em 1950, os eleitores se arrependeram e trouxeram Churchil de volta à Downing Street, mas a Grã-Bretanha precisou de 18 anos de governos conservadores para reparar a catástrofe gerada pelo governo de Attlee em meros seis anos. Ao longo do processo de recuperação, o Partido Trabalhista teve sorte em conseguir líderes não-marxistas, como Tony Blair, que colocaram o partido em ordem.

Pesquisadores do Instituto Max Planck para Pesquisas do Cérebro, em Leipzig, descobriram recentemente um fator genético, o Mutação A1, que supostamente afeta a habilidade de aprender com erros do passado. Se for verdade, então talvez muitos povos da América do Sul portem a Mutação A1. Eles levaram ao Poder vários Partidos dos Trabalhadores à La Attlee, na Venezuela, Nicarágua, Honduras e Argentina, colocando esses países sob tutela marxista. Navios e bombardeiros russos estão de volta a Cuba – e na Venezuela – pela primeira vez desde a Crise dos Mísseis Cubanos. O Brasil, a décima maior economia do mundo, até empossou como presidente da República uma ex-guerrilheira marxista, Dilma Rousseff.

Depois de 45 anos de Guerra Fria, e mais alguns anos de guerra no Iraque e no Afeganistão, milhões de jovens americanos, desconhecedores da História ou incapazes de aprender com ela, passaram a acreditar que o capitalismo é o seu verdadeiro inimigo, e que este deve ser substituído pelo socialismo. Encontram luar para seus anseios no Partido Democrata, cuja tema de campanha nas eleições primárias de 2008 foi a promessa de redistribuir a riqueza da América.

Mas os EUA passaram tempo demais combatendo o marxismo, e seus empresários livres e independentes jamais irão sucumbir a essa heresia. Seja como for, o Manifesto Comunista, de Marx, sobreviveu o suficiente, e os marxistas que sobraram parecem ainda estar ansiando que sua fantasia finalmente venha a ser um passado que se cumpriu: a erradicação do capitalismo.
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O texto acima é o resumo de um dos capítulos do livro “Desinformação”, escrito pelo Tenente-General Ion Mihai Pacepa – foi chefe do Serviço de Espionagem do regime comunista da Romênia. Desertou para os EUA em julho de 1978, onde passou a escrever seus livros, narrando importantes atividades do órgão por ele chefiado, e que influenciaram diretamente alguns momentos históricos do Século XX -, e pelo professor Ronald J. Rychlak - advogado, jurista, professor de Direito Constitucional na Universidade de Mississipi, consultor permanente da Santa Sé na ONU, e autor de diversos livros -. “Desinformação” foi editado no Brasil em novembro de 2015 pela editora CEDET.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

Martim Berto Fuchs disse...

A questão que não foi colocada:
- Por que o moribundo marxismo ainda resiste ?
- Resiste porque o liberalismo é a outra face da mesma moeda. Comunismo de um lado e liberalismo do outro. Um sabe produzir e o outro não sabe produzir, mas os dois tratam o povo como otário. Os dois exploram a grande massa; apenas o conto do vigário marxista é mais convincente, pois promete emprego para todos e, mais importante, sem trabalho.
O americano está se voltando para o socialismo porque o liberalismo, atrás unicamente do lucro, foi produzir no sudeste asiático (salário de escravo) e abandonou à Deus dará o seu próprio povo, o seu trabalhador.
Aí, a cantilena socialista começa produzir efeitos. Não resolve, mas engana por um bom tempo.
http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2016/02/69-fips-fundo-de-investimento-e_2.html

Anticomunista disse...

Eximio o seu comentário. Fico impressionada como ainda hoje jovens tolos acreditam no comunismo. Acredito que todo esquerdista seja preguiçoso. Nunca vi 1 comuna trabalhar, inúmeros nunca leram o também preguiçoso e péssimo administrador do 💰 do sogro: Marx, também depois sustentado por Engels.

Anônimo disse...

Senhores,
A pergunta é: "Por que os EUA, que construíram a economia de mercado de maior sucesso na História estão agora brincando com o marxismo?"
- A minha resposta é que os novos capitalistas americanos (descendentes daqueles que construíram a potência econômica daquele País) estão sofrendo uma lavagem cerebral, para que se sintam culpados pelas desigualdades sociais, pela pobreza que afeta, a cada dia, mais "americanos", na verdade, a maioria dos imigrantes adotados pelo obama paternalista do dinheiro alheio.
Em breve, os EUA vão cumprir seu destino funesto previsto no livro "a Revolta de Atlas", de Ayn Rand, fazendo jus ao ditado de que a realidade imita a ficção.
Se chegarem a esse ponto, NUNCA MAIS SE LEVANTARÃO!!!!

Anônimo disse...

O JEITO É EUA SER SOCIALISTA,RESSUSCITAR URSS E ACABAR COM TODOS OS PROBLEMAS DO MUNDO SEM DAR UM TIRO!SERÁ QUE ELES TOPAM? JÁ PENSARAM SE A IDÉIA PEGA?VAI SER LEGAL...