sábado, 11 de junho de 2016

O sadomasoquismo Político no Brasil


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Os resultados eleitorais oriundos das urnas da Justiça Eleitoral, especialmente a partir do término do Regime Militar, em 1985 - que antes também já se manifestava, porém com menor intensidade - se colocados sob exame num “divã” da psicologia social e política, certamente  vai apontar os vícios da democracia brasileira e desmerecê-la significativamente. Se essa suposição fosse confirmada nesse hipotético “divã”, a conclusão a que se chegaria, infelizmente, é que no Brasil não existe democracia SUBSTANCIAL, de ESSÊNCIA, porém meramente FORMAL, APARENTE, falsa, portanto.

Não resta qualquer dúvida que dos modelos políticos conhecidos pelo mundo de hoje, a democracia ainda é o melhor. Mas não se pode confundir democracia com OCLOCRACIA, que é a sua contrária, praticada pela massa ignara em proveito da patifaria política que comumente se adona do poder político de um país. No Brasil esse fenômeno fincou raízes fundas, levando o país à beira da bancorrota total, seja moral, política, econômica, jurídica ou socialmente, notadamente  após 2003, onde a “dupla” PT/PMDB se adonou do poder.

Viajando um pouco às origens dos modelos de governo, Aristóteles deu enorme contribuição à essa discussão. Segundo esse filósofo, os governos se classificariam em FORMAS PURAS e IMPURAS. As primeiras seriam (1) a monarquia (governo de um só), (2) a aristocracia (governo dos melhores), e (3) a democracia (governo do povo). As segundas (as impuras) seriam, respectivamente, como formas corrompidas das primeiras (das puras), (1) a tirania (governo do déspota), (2) a oligarquia (aristocracia corrompida) e (3)  a “demagogia” (democracia degenerada).

Mais tarde o  historiador e geógrafo grego Políbio (203 a.C-120 a.C)  substituiu a “demagogia” preconizada por Aristóteles, por OCLOCRACIA, que segundo ele seria igualmente a democracia degenerada, corrompida, mutilada, praticada  pelos povos desprovidos de politização e consciência política, que  tenderiam a facilmente cair nas armadilhas dos piores elementos da sociedade, levada ao poder político com a única finalidade de satisfazer seus próprios interesses.
Por seu turno, o sadomasoquismo se caracteriza pela relação entre tendências opostas, de um lado o SADISMO, que  é a busca de prazer ao impor o sofrimento físico ou moral a outra pessoa, e de outro, o MASOQUISMO, que  é a procura de receber prazer no sofrimento físico ou moral de outrem. Essa disfunção psicológica geralmente é estudada à luz das perversões sexuais humanas, onde é enquadrada como doença. Na “Classificação Internacional de Doenças” consta sob o código F65.5.

O sádico encontra enorme prazer na ideia de domínio, em causar e ver o sofrimento do outro. Já no masoquismo a pessoa obtém prazer em sofrer humilhação pelo sofrimento físico ou moral. Um gosta de causar sofrimento e o outro de sofrer.

Infelizmente os estudos mais aprofundados respeitantes  ao sadismo, ao masoquismo, e à combinação de ambos, ao sadomasoquismo, se limitam não só a questões sexuais, mas também à psicologia individual, deixando  à margem desse estudo os mesmos fenômenos que podem acontecer além das perversões sexuais de buscar prazer fazendo sofrer e sofrendo, ao mesmo tempo, em relação  ao “coletivo” de um povo, ou seja, no presente estudo, da psicologia social e mesmo da política, também  alheios a tais estudos.

Mas o sadomasoquismo na política brasileira apresenta características bem diferentes  daquele  que tem servido de palco de estudos pelos especialistas. Nele há uma linha divisória onde o POVO está de um lado, representando o MASOQUISTA, ou seja, aquele que se compraz em sofrer, e  a CLASSE POLÍTICA do outro, incorporando a função própria ao SÁDICO, que  sente prazer no sofrimento dos outros. Nesse último caso, todas as artimanhas são empregadas para esconder a realidade e enganar o despreparado eleitor, que não tem qualquer chance de enxergar a verdade escondida atrás das aparências.

Os mais marcantes traços do sadomasoquismo político brasileiro dão presença não só desde a organização dos seus partidos políticos, quanto com mais ênfase ainda no regime eleitoral, e no exercício dos cargos eletivos, onde  a maioria dos escolhidos é retirada do esgoto moral da sociedade, da sua pior escória, sempre atraída a viver na e da política.

Essas estúpidas e errôneas escolhas poderiam ser consideradas equívocos momentâneos da sociedade, desde  que fossem excepcionais. Mas não são excepcionais. São rotineiras. A cada eleição o problema se agrava. Gradativamente, e  cada vez mais, são eleitos os piores da sociedade. Então dá para compreender perfeitamente por que é justamente esse tipo de gente a que mais idolatra o que  alguns ainda ousam chamar de “democracia”, e  que não é, como  já esmiuçamos.

Sem dúvida um povo que se submete  docilmente a ser semiescravo do Estado, a  se vender por um mísero prato de comida, a  suportar a maior carga tributária do mundo, para onde recolhe quase 40% de tudo que ganha ou produz, a conviver com uma corrupção dos espertalhões da política nunca vista na história da humanidade, é  um povo que sente prazer em sofrer nas mãos dos sádicos que mandam na política e manipulam os eleitores com muita malícia e esperteza, assim traçando os malditos destinos dos brasileiros.


Sérgio Alves de Oliveira é Sociólogo e Advogado.

3 comentários:

Loumari disse...

Uma pessoa boa sente vergonha até diante de um cão.
(Anton Tchekhov)

Loumari disse...

O homem que cometeu um erro e se sente envergonhado - tem a sua falta perdoada.
(Texto Judaico)
"Tirado do Talmude Babilónico"

Anônimo disse...

Que belo rabo, esse da gravura que ilustra a matéria. Nada a ver com o rosto adaptado.
Quanto à mulher do Cunha, vocês já notaram que o sorriso dela parece coisa de doida varrida?