segunda-feira, 6 de junho de 2016

Teologia da Libertação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Kruschev desejava entrar para a história como o líder soviético que exportou o comunismo para o continente americano. Em 1959, com a chegada dos irmãos Castro ao Poder em Cuba, os serviços de Inteligência dos países da Cortina de Ferro se envolveram na tarefa de ajudar os novos dirigentes comunistas de Cuba a exportar a revolução por toda a América do Sul. Não funcionou. Diferentemente da Europa, a América Latina daqueles anos ainda não havia sido inoculada com o marxismo. Em 1967, Che Guevara foi executado na Bolívia, depois de falhar ao tentar iniciar uma guerrilha no país.

Nos anos 1950 e 1960, a maioria dos latino-americanos era pobre, camponeses religiosos que aceitavam o status quo, e Kruschev estava confiante que poderiam ser convertidos ao marxismo através de uma manipulação hábil da religião. Em 1968, o KGB conseguiu manobrar um grupo de bispos esquerdistas latino-americanos, fazendo-os sediar uma Conferência, em Medellin, na Colômbia. A pedido do KGB, o DIE, da Romênia, deu apoio aos organizadores. O propósito oficial da Conferência era o de ajudar a eliminar a pobreza da América Latina. Todavia, sua meta, não declarada, era legitimar um movimento político criado pelo KGB e apelidado de “Teologia da Libertação”, cuja missão secreta era incitar os pobres latino-americanos contra a “violência institucionalizada da pobreza” gerada pelos EUA.  

O KGB tinha uma queda por movimentos de “libertação”. A Organização pela Libertação da Palestina (OLP), as Forças Armadas de Libertaçãoda Colômbia (FARC) e o Exército de LibertaçãoNacional da Bolívia são apenas uns poucos movimentos de “libertação” nascidos no KGB. A Conferência de Medellin endossou a Teologia da Libertação, e os delegados a recomendaram ao Conselho Mundial de Igrejas (WCC), a fim de obter aprovação oficial.

O WCC, sediado em Genebra, que representava a Igreja Ortodoxa Russa e outras denominações menores em mais de 120 países, já havia caído sob o controle soviético de Inteligência estrangeiro e permanece politicamente sob o controle do Kremlin de hoje, através de muitos padres ortodoxos que são, ao mesmo tempo, membros eminentes do WCC e agentes da Inteligência russa.

O padre russo dissidente, Gleb Yakunin, que fora membro da Duma russa de 1990 a 1995, e a quem fora dado, por pouco tempo, acesso aos arquivos do KGB, vazou uma grande quantidade de informações em relatórios samizdat, identificando padres ortodoxos que eram agentes no comitê de seleção do WCC, a fim de conseguirem que um homem certo fosse eleito para o secretariado geral da instituição.

O Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas, Eugene Carson Blake, ex-presidente do CMP nos EUA, endossou a Teologia da Libertação e colocou-a na agenda do WCC. Em março de 1970 e em julho d 1971, os primeiros congressos católicos latino-americanos dedicados à Teologia da Libertação, foram realizados em Bogotá.

O Papa João Paulo II, que havia experimentado pessoalmente a perfídia comunista, denunciou a Teologia da Libertação na Conferência de janeiro de 1979 do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), sediado em Puebla, no México. Disse ele: “Essa concepção de Cristo como uma figura política, um revolucionário, um subversivo de Nazaré, não corresponde de fato ao catecismo da Igreja”.

Quatro horas depois, uma refutação de 20 páginas ao discurso do Papa apareceu na Conferência. O Cardeal Lopes Trujilo, organizador do evento, explicou que a refutação fora produzida “por cerca de 80 liberacionistas marxistas que não participavam da Conferência”. O DIE romeno fora, antes, parabenizado pelo KGB por ter dado apoio logístico a esses liberacionistas.

Em 1985, o Conselho Mundial de Igrejas, controlado pelo KGB, elegeu seu primeiro secretário-geral, que era um marxista confesso: Emilio Castro. Ele tinha se exilado do Uruguai por causa do seu extremismo político, mas administrou o WCC até 1992. Emilio Castro promoveu intensamente a Teologia da Libertação criada pelo KGB, que hoje finca raízes firmes na Venezuela, Honduras, Bolívia e Nicarágua.

Nesses países, os camponeses apoiaram os esforços dos ditadores marxistas Hugo Chavez, Evo Morales, Manuel Zelaya (hoje, exilado na Costa Rica) e Daniel Ortega, para transformarem seus países em ditaduras de Estado policial, ao estilo do KGB. Em setembro de 2008, a Venezuela e a Bolívia puseram para correr os embaixadores americanos em seus países e pediram proteção militar russa.

Navios militares e bombardeiros estão de volta a Cuba – pela primeira vez desde a crise dos mísseis em 1962 -, e também estão na Venezuela. O Brasil, a décima maior economia do mundo também foi parar no redil do Kremlin, com o seu governante marxista, Lula da Silva. Em 2011, Lula da Silva foi sucedido por uma ex-guerrilheira marxista, Dilma Rousseff. Com o acréscimo da Argentina, cuja presidente Cristina Kirchner, também está levando o país para o redil marxista, o mapa da América Latina agora aparece com sua maior parte pintado de vermelho.

Poucos anos atrás, uma versão negra da Teologia da Libertação começou a crescer numas poucas igrejas de negros radicais nos EUA. Teólogos da Teologia da Libertação negra, James Cone, Cornel West e Dwight Hopkins, declararam explicitamente suas preferências pelo pensamento marxista, porque este é proposto num sistema de classe opressora (brancos) versus classe oprimida (negros) e só vê uma única solução: a destruição do inimigo. James Cone explicou:

“A Teologia negra só aceitará o amor de Deus que participa da destruição do inimigo branco. O que precisamos é do amor divino tal como expresso no Poder Negro, que é o Poder das pessoas negras de destruir seus opressores aqui e agora e com os meios que tiverem a seu dispor. A menos que Deus esteja participando dessa atividade santa, devemos rejeitar seu amor”.

A Trinity – Igreja Unida de Cristo, de Chicago, de congregação predominantemente negra – é parte desse novo movimento, Seu Pastor, Reverendo Jeremiah Wright, que em 2008 se tornou conselheiro da campanha presidencial do senador Barak Obama, tornou-se famoso por gritar: “Não, Deus abençoe a América”, mas “Deus amaldiçoe a América”.

A campanha presidencial do senador Barak Obama se desculpou pelo “deslize” do Reverendo Wright. Em junho de 2011, entretanto, esse mesmo Reverendo estava viajando pelos EUA para pregar, em igrejas lotadas de negros, que “o Estado de Israel é um lugar (...) ilegal e genocida”e que “fazer judaísmo equivaler ao Estado de Israel é o mesmo que fazer o cristianismo equivaler ao rapper Flavor Flay”.

A essa altura, Obama já estava na Casa Branca.
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Observação minha: William Jonathan Drayton Jr. (nascido em 16 de março de 1959),  mais conhecido pelo seu nome artístico Flavor Flay é um americano músico, rapper, ator de televisão e comediante que ganhou destaque como um membro do grupo de hip-hop Public Enemy .

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Paulo Climacus disse...

Belo artigo