quarta-feira, 29 de junho de 2016

Terras Raras - Peste Branca


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hans Kruger

- No final do encontro, Meister pede a Ernesto Schaeffer para avaliar a posição brasileira na corrida internacional por terras raras e metais para aplicações na eletrônica, segmento de importância estratégica para o desenvolvimento. Com muita competência ele diz:

— Vamos considerar a atual situação e as prováveis tendências de desenvolvimento nos campos de computadores, monitores LCD/LED, smartfones, instalações solares, laser, imãs, condensadores, tecnologia de segurança e novos produtos, hoje ainda exóticas aplicações, todos somados. Logo perceberemos que as industrias não vão ter matérias-primas suficientes pois as mineradoras não poderão atender as demandas.

Nosso país deve se esforçar muito, muito mais para pesquisar os enormes vazios do nosso Norte e Nordeste.

— A China ocupa com terras raras a primeira posição mundial. A posição é tão forte que os chineses podem ditar os preços, simplesmente porreduzir os fornecimentos. O Ocidente possui umas minas, insuficientes para satisfazer a fome da indústria, e cada vez mais tenta explorar a reciclagem de sucata eletrônica e reaproveitar os montes de escória de minerais nos seus pátios, cada vez mais interessantes na medida em que os preços no mercado internacional sobem.

Entusiasmado, continua: — Prospecção apenas não resolve, nem quando incluídas novas descobertas de jazidas. Algumas matérias-primas encontram-se em minerais que são radioativos. Pode ser radiação fraca, mas com cada processo de concentração, ela aumenta. É o caso de monazita, um metal pesado. Brasil tem bastante monazita contendo urânio e tório. Por razões que desconheço, o Brasil continua explorando, enquanto outros países pararam por causa da radioatividade. Separa-se dela o neodym, um metal de côr branco-prateado brilhante. Neodym tem muitas aplicações. Para apenas mencionar algumas: imãs para tomógrafos, micromotores, discos rígidos, rotores contínuos por imãs, etc. Os sais e óxidos de neodym vão para a indústria de porcelanas e vidros. O instituto alemão BGRestima o consumo até 2030 em 27.900 toneladas que não podem ser atendidas pelas mineradoras. Lembrem: entre a descoberta de novas jazidas e a exploração de fato se passam dez anos ou mais. Essa matéria-prima ou monazita sem radioatividade ainda não foi descoberta no Brasil !!!

Schaeffer esclarece: — A nossa vida em volta da tecnologia é cercada de substâncias coloridas, luminosas. Por exemplo o terbium, separado com ácido sulfúrico quente do mineral, para obter sulfatos solúveis em água. Para purificar terbium faz-se troca iônica. Terbiumé branco-prata e os óxidos fosforizam verde. Misturados com óxidos azuis e vermelhos oriundos de europium consegue-se luz branca. Para qualquer iluminação interna isto é de extrema importância. Terbium puro ainda se aplica em sistemas sonares, sensores e muito mais. Sabemos que existem jazidas no Norte do Pará, provavelmente na região do Rio Trombetas. Ainda temos o meio-metalgermanium, mais um elemento muito caro e por esta razão restrito na aplicação. Um dos mercados mais importantes são as fibras óticas. Existem poucos países que podem fornecê-lo, o que aumenta a dependência. Os primeiros lugares são ocupados por China, Estados Unidos, Ucrânia e Rússia.

Schaeffer respira fundo e continua: — Muito se fala sobre tantal. Talvez em razão das condições inumanas de exploração de coltan na África. Descubriu-se um método de transformar coltan em tantal. No Congo e em Ruanda, coltan financia guerras. Ninguém sabe para onde o desenvolvimento vai, quais as descobertas revolucionárias o futuro próximo nos reserva. O que hoje existe em quantidades tranquilas, amanhã pode perder o valor ou subir sem parar. Nada é mais fixo, tudo se movimenta ou uma tendência técnica vence barreiras. Estou falando sobre a mineração no fundo dos mares. Pouco sabemos sobre a maior extensão da terra, os mares. Novos países entrarão no cenário mundial, se as condições políticas permitirem. Um bom exemplo é o Afeganistão. Gigantescas jazidas foram descobertas com a ajuda de satélites. Terras raras na província de Helmand, lithium no Leste. Este último é parte integral de baterias. Afeganistão tem um passado geológico único. Diversas placas tectônicas colidiram, provocando intensa atividade vulcânica, jogando magma para a superfície.

Os tesouros podem ser aproveitados ? A situação tribal e os talibãs deixam ? A China já assinou contratos com o governo de Kabul, para cobre e outros metais. Mas, quem está presente no país, sempre tem mais chances.
Outro desconhecido é a Groenlândia. Embaixo do gelo derretendo aparece uma caixa cheia de tesouros. Pode explorar as riquezas ? Os grandes conglomerados ainda ficam à espera, deixando pequenas exploradoras correrem os riscos de primeira hora. A Rússia é um caso à parte. Lá é o Estado que explora e as decisões são estratégicas e não financeiras.

E a fala do expert prossegue: —Duas regiões mencionadas na imprensa nos anos sessenta, mas fora da atenção pública agora, são o Mar Vermelho e o fundo do mar ao Oeste das Ilhas Galápagos, chamado Rift Valley, fendas abertas soltam lava e componentes químicos o tempo todo, inclusive minerais. Eu podia falar horas sobre isso. É um assunto que estimula a imaginação e as exigências práticas são abrangentes. Nosso governo tem cientistas capazes e está ciente da importância dos nosso estados do Norte. Devemos urgentemente aumentar o número de opções. O Brasil é forte em ferro, nióbio e bauxita. É pouco.

Nióbio é um caso político ou de polícia. O grande publico nem sabe. Há anos, o nióbio está sendo exportado abaixo do preço de mercado. No exterior ele muda de importância e preço. Os donos da mineradora que possui uma quase exclusividade em nióbio, constam na lista Forbesdos mais ricos. Pouco provável que conseguiram acumular tanta grana com o valor declarado do nióbio.

Meister e Machado ficam impressionados com a apresentação de Schaeffer. Mais tarde Machado comenta: — Você vê, Erich, temos gente capacitada. Falta saber, por que eles não estão nas chefias de comendo.

EXTRATO DO LIVRO “Terras Raras – Peste Branca” de Hans Erich Kruger, publicado em 2016 em português (paginas 65 – 67).


Hans Erich Kruger, agricultor, é autor de "Aventura na Selva" - 3º livro da “Série Brasileira” - Amazon ISBN 9781533269966

3 comentários:

Anônimo disse...

Caríssimos solicitaria disponibilizar o áudio ou vídeo para o restante do Brasil...seria uma ótima campanha...sucesso.
Grato.

Carlos Bonasser
bonasser@terra.com.br
Fortaleza -Ceará

Sergio Soares disse...

Em poucas palavras , o que o Brasil precisa com urgência é mudar a mentalidade de país extrativista e se tornar ponta em valor agragado com os valiosos e múltiplos produtos tirados do solo.

Renato Bulhoes disse...

Quem vende e dita o preço do nióbio brasileiro é a ity de Londres, assim como com o ouro. Em uma palavra: Rothschild.