quinta-feira, 23 de junho de 2016

Um Império do KGB


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

​O general soviético Aleksandr Sakharovsky costumava observar que o “nosso gosbezopasnost” – Serviço de Segurança do Estado – mantivera a Rússia viva durante os últimos 5 séculos e que venceria a guerra “contra o nosso maior inimigo, o sionismo americano” e, por fim, faria a Rússia tornar-se líder mundial.

O seu sucessor, Vladimir Kryuchov – que como diretor do KGB autorizaria o golpe de agosto de 1991 que depôs Gorbachev por pouco tempo – compartilhava claramente da mesma fé fanática nogosbezopasnost da Rússia. O sucessor de Kryuchov, Yevgeny Primakov, que fora um oficial do KGB, veio a se tornar Primeiro-Ministro russo. De maneira mais notável, Vladimir Putin foi o próprio chefe de todo o gosbezopasnost antes de ser designado (não eleito!) presidente da Rússia.

No dia 11 de setembro d 2002, um grande número de oficiais do gosbezopasnost se reuniu na Lubyanka. Não foi para prestar solidariedade aos EUA no primeiro aniversário de sua tragédia nacional de vítima do terrorismo, mas sim para celebrar o 125 aniversário de Feliks Dzerzhinsky, o homem que criara a polícia política russa, uma das instituições mais anticristãs e anti-semitas da História. No ano seguinte, o slogan “Rússia para os Russos” começou a fazer estardalhaço na Rússia, e uma pesquisa de opinião nacional mostrou que 42% da população era favorável a  que os judeus deveriam ser impedidos de ocupar cargos de Poder.

A Guerra havia chegado ao fim, mas diferentemente de outras guerras essa não terminou com o inimigo derrotado depondo suas armas. O selvagem KGB, que no curso de sua existência massacrou pelo menos 120 milhões de pessoas em seu próprio solo e outros 70 milhões pelo mundo comunista afora, não apenas sobreviveu como também transformou a Rússia atual na primeira ditadura de um Serviço de Inteligência da História.
Hoje a Rússia pertence a Putin e a seus amigos do KGB. De acordo com o respeitado jornal britânicoThe Guardian, Putin acumulou em segredo mais de US$ 40 bilhões, tornando-se o homem mais rico da Rússia – e da Europa -.
Diz-se que ele detém, no mínimo, 37% das ações, avaliadas em US$ 18 bilhões, da Surguntnefregs, a terceira maior produtora de petróleo da Rússia; 4,5% das ações, avaliadas em US$ 13 bilhões daGazprom – a maior extratora de gás mineral do mundo -, e 75% das ações, avaliadas em US$ 10 bilhões, da Gunvor, uma misteriosa empresa comerciante de petróleo, sediada em Genebra. O fantoche de Putin. Dmitry Medvedev, que foi o presidente russo até Putin – que chegara ao tempo limite – recuperar o cargo em 2012, foi presidente da Gazprom, que é responsável por 93% da produção e gás natural da Rússia e controla 16% das reservas do mundo. O primeiro Vice Primeiro-Ministro de Putin, Igor Sechin, é presidente daRosneft, a maior companhia de petróleo do mundo.

Petróleo e gás são responsáveis não apenas pela fortuna exorbitante de Putin, mas também por 50% do orçamento russo e por 65% de suas exportações. Quando o preço do barril de petróleo passou dos US$ 122, no dia 6 de maio de 2008, analistas apontaram para ataques a oleodutos da Nigéria e para tumultos no Iraque. A Rússia, contudo, fez uma fortuna. Outros distúrbios no abastecimento estrangeiro de óleo podem dar à Rússia – e a Putin – outras fortunas. O Kremlin de Putin parece estar bem consciente dessa possibilidade.        

No dia 12 de julho de 2006, militantes doHezbollah – Partido de Deus -, um grupo fundamentalista islâmico profundamente anti-semita, sediado no Líbano, mas armado pela Rússia de Putin, lançou um poderoso ataque de mísseis contra Israel. A esse ataque se seguiu uma ofensiva de Israel contra o atacante, que durou 34 dias. A maioria das caixas de armas apreendidas pelas forças israelenses durante a ofensiva, trazia a marca “Fabricante: Ministério da Defesa da Síria. Distribuidor: KBP, Tula, Rússia”.
Em outubro de 2010, o mesmo Hezbollah, que tem apoio russo, conduziu um exercício simulado: a tomada de Israel.

O Centro de Pesquisa do Golfo que, patrocinado pela União Européia, fornece aos jornalistas uma perspectiva interna da região do Golfo Central, descobriu que as forças militares doHezbollah estavam armadas com uma grande quantidade de foguetes Katyusha-122, de fabricação russa, que carregam ogivas 33-lb. OHezbollah também tinha foguetes Fajr-5, de projeto russo e fabricação iraniana, que conseguem alcançar o porto israelense de Haifa, e foguetes Zelzal-1, de projeto russo, que conseguem alcançar Tel-Aviv. O Hezbollahtambém possui mísseis russos Scud, bem como mísseis antitanque AT-3 Sagger, AT-4 Spigot, AT-5 Spandrel, AT-13 Saxhorn-2 e AT-14 Spprigan Kornet.

Com o passar do tempo, começaram a aparecer indícios de que o Kremlin de Putin estava envolvido no despertar, e depois no seqüestrar, as revoluções islâmicas de 2011. No Egito, o país islâmico mais pró-americano, manifestações anti-governo começaram em 25 de janeiro de 2011, quando as pessoas tomaram as ruas para protestar contra a pobreza, o desemprego e a corrupção do governo. Poucos dias depois, a Praça Tahrir, do Cairo, estava inundada de bandeiras verdes do Hezbollah, misturadas com cartazes vermelhos com a foice e o martelo. Alguns dos jovens lá presentes que supostamente estavam pedindo por democracia, podiam ser vistos queimando a bandeira do próprio país que simboliza a democracia para a maior parte do mundo, os EUA.

De acordo com a mídia, em 30 de janeiro de 2011, uma unidade conjunta do Hezbollah com o Hamas utilizou a destruição trazida pela rebelião no Egito para sublevar a prisão de Wadi el-Natroun, no norte do Cairo, e dar fuga a 22 membros da rede terrorista  do Hezbollah, chefiada por Sami Shehab, que havia sido condenado por planejar ataques terroristas no Cairo, no Canal e nas cidades do Suez e contra turistas israelenses no Sinai, em 2007/2008. O plano era libertar esses terroristas e quantos prisioneiros pertencentes à Irmandade Muçulmana fosse possível, de modo a organizar e impulsionar os protestos de rua.

O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, admitiu ter mandado Sami Shehab ao Egito como líder de uma força de 22 homens encarregados de realizar ações terroristas com o propósito de desestabilizar o governo pró-americano.

Em 20 de fevereiro de 2011, o Centro de Inteligência e Terrorismo de Meir Amit divulgou um relatório publicado pelo jornal egípcio Al-Masri Al-Taum, declarando que o verdadeiro nome do líder terrorista do Hezbollah, recém libertado, era Muhamman Yussuf Ahmed Mansour, que era um membro treinado da Unidade 1800 do Hezbollah – armado pela Rússia – que tinha entrado no Egito com passaporte falso, que o identificava como egípcio.

A conversão secreta do integrante do Hezbollah Muhamman Mansour no egípcio Sami Shehab parece ser idêntica à criação, pelo KGB, do líder da Organização pela Libertação da Palestina, Yasser Arafat. O KGB trabalhou muito para transformar um marxista de naturalidade egípcia, Mohammed Yasser Abdel Rahman Abdel Raouf Arafat AL-Qudwa AL-Husseini, nome de guerra Abu Ammar, no Yasser Arafat, de naturalidade palestina. Passaram-se muitos anos para que o KGB conseguisse prover Arafat de uma certidão de nascimento palestina credível, e outros documentos de identidade, para lhe construir um passado e para treiná-lo na escola de treinamento de operações especiais do KGB em Balashikha, a leste de Moscou.

Mas, como disse Andropov, valeu cada minuto. Em 1994, o Arafat, nascido e treinado no KGB, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Ainda assim, somente em 2002 foram registrados 13.494 incidentes de terrorismo contra israelenses cometidos pela OLP de Arafat. Mais de 600 civis israelenses perderam a vida, mortos pelos “mártires” de Arafat.   
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O texto acima é o resumo de um dos capítulos do livro “Desinformação”, escrito pelo Tenente-General Ion Mihai Pacepa – foi chefe do Serviço de Espionagem do regime comunista da Romênia. Desertou para os EUA em julho de 1978, onde passou a escrever seus livros, narrando importantes atividades do órgão por ele chefiado, e que influenciaram diretamente alguns momentos históricos do Século XX -, e pelo professor Ronald J. Rychlak - advogado, jurista, professor de Direito Constitucional na Universidade de Mississipi, consultor permanente da Santa Sé na ONU, e autor de diversos livros -. O livro foi editado no Brasil em novembro de 2015 pela editora CEDET

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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