quarta-feira, 27 de julho de 2016

A Boca, Bush e Trump


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arnaldo Jabor

Vivemos um suspense histórico, uma situação de trágicos conflitos descentralizados no mundo todo, principalmente no Oriente Médio. Como isso começou? Alguma coisa ou alguém deflagrou este tempo. Na minha opinião, foi o George W. Bush, nossa besta do apocalipse.

Ele é culpado por tudo que acontece no mundo atual e ninguém fala nele. Bush está pintando quadros em sua fazenda do Texas, enquanto o mundo que ele armou se destroça.

Finalmente, depois de 13 anos dessa vergonha, a Comissão de Crimes de Guerra de Kuala Lumpur, na Malásia, julgou e condenou Bush e Cheney por crimes de guerra. Isso.

Claro que não há quem prenda o nefasto elemento. Mas, já é um consolo.
Tudo começou com a absurda invasão do Iraque em 2003.

A invasão do Iraque foi um erro tão grave quanto, digamos, atacar o México por causa do bombardeio a Pearl Harbor em 1941. Aconselhado por seu vice-papai Dick Cheney — um dos piores ratos da América —, Bush mentiu que o Iraque tinha “armas de destruição em massa”.

A partir daí, Bush continuou a construir nosso futuro apavorante. Ele não era um Hitler nem um Mussolini, com seus dogmas psicóticos. Ele era a estupidez destrutiva, com trapalhadas trágicas que não tinham a obstinação sangrenta de loucos, mas a desorientação porra-louca de um bêbado boçal.

A partir daí o mundo entrou numa ciranda de horrores. Eu estava lá nos Estados Unidos e vi. Parece loucura, mas tudo começou quando Bill Clinton teve um caso com Monica Lewinsky, aquela estagiária gorda de Washington. Monica fez-lhe um boquete na cozinha da Casa Branca, entre pizzas, enquanto a Hillary dormia. Ela denunciou-o e Clinton, encurralado, mentiu na TV, declarando que nunca tivera relações sexuais com Monica. Mas ela guardara um vestido marcado por esperma do presidente, cujo DNA provava sua atuação. Vexame total para Clinton e quase um impeachment.

Aí, o Al Gore, candidato democrata contra o Bush, ficou com medo de defender o Clinton na campanha, para não ser considerado cúmplice de adultério até por sua esposa. Gore medrou.

E Bush foi eleito. Foi nessa época que a direita republicana mais degenerada começou a se articular.

Bush foi o pior presidente americano de todos os tempos, uma espécie de Forrest Gump no poder, ignorante e alcoólatra.

Até que um dia, para seu azar e sorte, o Osama Bin Laden derrubou as torres gêmeas no evento mais espantoso do século 21 (até agora...) e deflorou os Estados Unidos, nunca atacados dentro de casa. Não me esqueço da cara do Bush quando lhe contaram no ouvido a tragédia, enquanto ele dava uma palestra para meninos de um colégio. A cara do Bush foi de gesso, paralisada, sem uma rala emoção, sob o olhar das criancinhas em volta. A partir daí, a América quis vingança. Bush virou o “presidente de guerra” comandando a paranoia americana. Bush veio para acabar com todas as conquistas liberais dos anos 60. Só faltava um pretexto; Osama deu-o.

Aí, Bush e Dick Cheney, seu vice, derrubaram o Saddam Hussein, um ditador sunita escroto, mas que servia ao menos para segurar o Oriente Médio com sua intrincada geopolítica fanática e religiosa. No Oriente, o ódio ancestral contra os USA cresceu como nunca. Isso fortaleceu não só a Al Qaeda como seus filhotes e os homens-bomba floresceram como papoulas, iniciando a série de atentados em Espanha, Inglaterra, Índia, Bali, Boston, Paris e outros que vieram e virão. Errando sempre, Bush cumpriu todos os desejos de Osama, como um lugar-tenente burro. Essa invasão absurda estimulou o terrorismo. Osama morreu, mas sua obra foi bem-sucedida. Bush legitimou-o para sempre. Amigos, esta é a verdade brutal: a gênese do Estado Islâmico está na invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

A América jogou dois trilhões de dólares no Iraque para uma guerra sem vitórias, porque os inimigos eram e são invisíveis. Mataram milhares de americanos jovens e arrasaram um país que hoje já é dominado pelo Estado Islâmico, perto do qual a Al Qaeda é uma ONG beneficente. Somou-se a essa (perdão...) cagada a crise econômica de 2008, provocada pela desregulação total das finanças de Wall Street por Bush, precedido erradamente por Clinton.

E por essas linhas tortas, surgiu o Trump, essa ameaça à humanidade. Como? Eu chego lá...

A globalização da economia e da política — inevitável com a mutação do capitalismo — trouxe uma obrigatória convivência com o “incontrolável”, trouxe o fim de certezas, trouxe uma relativização de valores morais, sexuais, políticos, insuportáveis para a grande massa da estupidez americana endêmica. A paranoia da América não podia suportar tanta democracia. O fim das certezas enlouqueceu o absolutismo fundamentalista cristão.

Depois começou a era que chamávamos de Primavera Árabe — ridícula ilusão do Ocidente de que os árabes estavam obcecados pela democracia dos Estados Unidos... Rs rs rs...

Obama conseguiu então matar o Osama e foi reeleito.

Mas, a morte de Osama no Paquistão indispôs mais ainda o Oriente Médio contra nós e fragilizou a liderança dos Estados Unidos como potência. Daí, tudo andou para trás: Irã, Egito, Líbia, guerra da Síria contra seu povo, apoiada claro, pela China e, oba!, pela Rússia da KGB. E hoje estamos nessa briga de foice em quarto escuro, estamos na véspera de novos horrores que não param de acontecer, agora com a terceirização do terror, com o EI oferecendo franquias para os lobos solitários do Ocidente.

Se não tivessem invadido o Iraque, o mundo seria outro. Mas o “se” não existe na História. Foi o que foi. A história é intempestiva e ilógica e as tentativas de dominá-la em geral dão em totalitarismo e ditaduras. A pior estrada foi tomada, como um fim de porre do texano fraco e incompetente.

É espantoso o mal que a estupidez de um só homem pode provocar no planeta.

Mas, afinal, pergunta o leitor, que que o Trump tem a ver com isso?
É simples; ele nasceu da boca de Monica Lewinsky, em 1997, durante aquele devastador “boquete” que mudou o mundo. E que pode destruí-lo, um dia.

Arnaldo Jabor é Cineasta e Jornalista. Originalmente publicado em O Globo em 26 de julho de 2016.

5 comentários:

Loumari disse...



Comentário de Alfredo Barroso

Lembro-me perfeitamente de ter ido assistir, no início de 2003, num rest...aurante das Cortes (Leiria), a uma conferência do cardeal José Policarpo (1936-2014), integrada num ciclo de conferências promovido pela Fundação Mário Soares, numa altura em que se temia a invasão do Iraque pelas tropas dos EUA, do Reino Unido e de outros 'aliados', por decisão de Bush filho e de Tony Blair (acolitados por Aznar e Durão Barroso).
O cardeal Policarpo, manifestando a sua preocupação em relação a essa ameaça iminente, afirmou que, se a invasão se consumasse, seria como o Ocidente «dar um pontapé num vespeiro» que se tornaria «incontrolável». Seria como «abrir a caixa de Pandora» e desencadear todos os males nela contidos.
Infelizmente, foi o que veio a acontecer, alastrando a todo o Médio Oriente. Primeiro o Iraque, depois a Líbia, a seguir a Síria, abrindo as portas à Al-Qaeda (que nem sequer existia no Iraque) e dando origem, já em 2014, ao nascimento do terrível Exército do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, hoje mais conhecido por Daesh.
Claro que o cardeal Policarpo juntava assim a sua voz a muitos que, tal como ele, receavam que o pior acontecesse. Eu era, nessa altura, colunista do Expresso, e nunca me cansei - até ser 'dispensado' pelo então director do semanário, José António Saraiva - de denunciar o significado e as consequências dessa agressão brutal e injustificada (como está bem patente no livro que publiquei em 2005). Não me espanta, por isso, que continuem a ocorrer, e não apenas na Europa, atentados 'terroristas' brutais, que provavelmente nunca teriam ocorrido, pelo menos com esta dimensão e frequência, se o Ocidente não tivesse dado um «pontapé no vespeiro» e não tivesse, assim, aberto a «caixa de Pandora».

Loumari disse...

Carta-aberta de Putin ao povo norte-americano, publicada no New York Times (11/9/13)

Vladimir V. Putin (New York Times)
Os recentes acontecimentos relacionados à Síria levam-me a dirigir-me diretamente ao povo norte-americano e aos seus líderes políticos. É importante que o faça, num momento em que não há suficiente comunicação entre nossas sociedades.
As nossas relações passaram por diferentes etapas. Enfrentamo-nos durante a Guerra Fria, mas também fomos aliados uma vez e, juntos, derrotamos os nazis. Criou-se então a Organização das Nações Unidas, para evitar que voltasse a acontecer tal devastação.
Os fundadores das Nações Unidas perceberam que as decisões que afetam a guerra e a paz devem ser tomadas sempre por consenso e, com a anuência dos Estados Unidos, o direito de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança está consagrado na Carta das Nações Unidas. A profunda sabedoria que se condensa nesse dispositivo tem servido de base, há décadas, para a estabilidade das relações internacionais.
Ninguém deseja para a ONU o destino que teve a Liga das Nações, que entrou em colapso porque não tinha influência real. Mas é o que pode acontecer, se os países influentes ignorarem a ONU e optarem por uma ação militar sem a autorização do Conselho de Segurança.
O potencial ataque dos EUA contra a Síria, apesar da forte oposição de muitos países e dos principais líderes políticos e religiosos, incluindo o Papa, fará ainda mais vítimas inocentes e levará a uma escalada do conflito, que se espalhará para além das fronteiras da Síria. Esse tipo de ataque pode aumentar a violência e desencadear uma nova onda de terrorismo. Pode minar os esforços multilaterais para resolver a questão nuclear iraniana e o conflito entre israelenses e palestinos e desestabilizar ainda mais o Oriente Médio e Norte da África. Pode quebrar o equilíbrio do sistema da lei e da ordem internacional.
O que a Síria vive hoje não é batalha por democracia, mas um conflito armado entre o Estado e grupos opositores, em país multirreligioso. Na Síria há poucos defensores de uma democracia. Mas há, sim, em grande número milícias da Al-Qaeda e extremistas de todas as falanges, que combatem contra o Estado. Os EUA classificaram como organizações terroristas a Frente Al-Nusra e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que lutam com a oposição, contra o Estado sírio. Esse conflito externo, alimentado por armas que estrangeiros fornecem à oposição, é dos mais sangrentos do mundo.

Continua

Loumari disse...

Ali lutam mercenários vindos de países árabes e centenas de milicianos de países ocidentais, inclusive da Rússia, o que muito nos preocupa. Sobretudo se voltarem para nossos países, com a experiência adquirida na Síria. Já se sabe que, depois de agirem na Líbia, muitos extremistas mudaram-se para o Mali. Tudo isso representa uma ameaça contra todos nós.
Desde o início, a Rússia mostrou ser a favor de um diálogo pacífico que capacitasse os sírios a desenvolver um plano para seu próprio futuro. Não estamos protegendo o governo ou o Estado sírio, mas a lei internacional. Precisamos de atuar com o Conselho de Segurança da ONU e acreditamos que preservar a lei e a ordem no mundo complexo e turbulento em que vivemos é um dos poucos modos que há para impedir que as relações internacionais deslizem para o caos. A lei é a lei, e temos de segui-la, gostemos ou não.
Nos termos da lei internacional vigente, permite-se o uso da força só para autodefesa ou por decisão do Conselho de Segurança. Qualquer outra opção é inaceitável nos termos da Carta da ONU e constitui um ato de agressão.
Não há dúvidas de que foi usado gás venenoso na Síria. Mas tudo faz crer que não foi usado pelo Exército sírio, mas por forças da oposição, para provocar uma intervenção a partir dos seus poderosos patrões estrangeiros, os quais, assim, estariam em aliança com os fundamentalistas. Relatos de que as milícias preparam outro ataque – dessa vez contra Israel – não podem ser ignorados.
É motivo de alarme em todo o mundo que a intervenção em conflitos internos em países estrangeiros se tenha convertido em ação corriqueira para os EUA. Isso corresponde aos interesses norte-americanos de longo prazo? Duvido. Cada vez mais milhões de pessoas em todo o mundo passaram a ver os EUA não como modelo de democracia, mas como nação que se serve da força bruta e depende de coaligações mal costuradas sob o slogan “ou estão conosco ou estão contra nós”.
Mas a violência já provou ser ineficaz e sem sentido. O Afeganistão gira sem sentido e ninguém pode prever o que acontecerá depois da retirada das forças internacionais. A Líbia está dividida em tribos e clãs. No Iraque, prossegue a guerra civil, com dúzias de mortos todos os dias. Nos EUA, já há quem trace uma analogia entre Iraque e Síria e se pergunte porque quer o seu governo repetir erros recentes.
Não importa o quanto os ataques sejam direccionados, nem o quão sofisticado sejam as armas, as baixas civis são inevitáveis, inclusive idosos e crianças, os mesmos que os ataques visariam a proteger.

Continua

Loumari disse...

O mundo reage. Se ninguém mais puder confiar na lei internacional, nesse caso passa a ser indispensável encontrar outros meios para garantir a autossegurança. Por isso, um número crescente de países busca comprar armas de destruição em massa. É lógico: se tem a bomba, então ninguém lhe toca. Há grande urgência em reforçar a não proliferação [nuclear] a qual, na realidade, está a erodir-se.
Temos de parar de usar a linguagem da força. Temos de retomar o caminho da discussão diplomática e política civilizada.
Nos últimos dias, emergiu uma nova oportunidade para evitar uma ação militar. EUA, Rússia e todos os membros da comunidade internacional devem aproveitar a disposição do governo sírio, que aceitou pôr seu arsenal químico sob controle internacional para depois ser destruído. A julgar pelas declarações do presidente Obama, os EUA veem aí uma alternativa à ação militar.
Acolho como bem-vindo o interesse do presidente em continuar o diálogo com a Rússia, sobre a Síria. Temos de trabalhar juntos para manter viva essa esperança, como concordamos fazer, em junho, na reunião do G-8 em Lough Erne na Irlanda do Norte. E trazer a discussão de volta na direção de mais negociações.
Se pudermos evitar o uso da força contra a Síria, a atmosfera internacional melhorará e fortalecer-se-á a confiança mútua. Será um sucesso partilhado que abrirá as portas para a cooperação em outras questões críticas.
As minhas relações pessoais e de trabalho com o presidente Obama são marcadas por crescente confiança. Aprecio essa confiança.
Examinei atentamente o discurso do presidente à Nação, na terça-feira. E devo discordar do [conceito de] defesa do excepcionalismo norte-americano. O presidente disse que a política dos EUA é o que “faz diferente os EUA, o que nos faz excepcionais.” É extremamente perigoso estimular as pessoas a que se vejam, elas próprias, como diferentes, seja qual for a motivação.
Há países grandes e países pequenos, ricos e pobres, os que têm longas tradições democráticas e os que ainda têm de encontrar as próprias vias até a democracia. As respectivas políticas também diferem. Todos somos diferentes. Mas quando pedimos que Deus nos abençôe, ninguém pode esquecer que Deus nos criou, todos, iguais.

Anônimo disse...

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acp

Qual é? Para quê incluir esse troço esquerdista, maluco, pró-hillary, anti-TRUMP?

É necessário que TRUMP seja eleito em novembro. 4 anos de hillary, que pode ser re-eleita, vai demolir os EUA.

Difícil entender este site...

acp

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