domingo, 10 de julho de 2016

Uma nova doença mental na URSS: a oposição


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

“Na intensificação da repressão que se seguiu à invasão da Checoslováquia, as autoridades soviéticas recorreram cada vez mais freqüentemente aos métodos psiquiátricos. Essa era uma ameaça mortal para o nosso movimento. Em pouco tempo, muitos dos nossos, os mais obstinados e conseqüentes, seriam declaradosirresponsáveis.

O que não puderam conseguir as forças do Pacto de Varsóvia, nem os cárceres, campos de concentração, interrogatórios, demissões, chantagens e ameaças, estava sendo conseguido pela psiquiatria. Nem todos estavam dispostos a correr o risco de perder a razão e passar o resto de suas vidas num asilo para dementes, submetidos a tratamentos sádicos. Com esses métodos, as autoridades eludiam, ao mesmo tempo, os julgamentos vergonhosos, já que osirresponsáveis eram julgados in absentia e a portas fechadas.

Com o objetivo de criar um instrumento legal contra a resistência de alguns médicos em converterem-se em instrumentos da repressão política, o Soviete Supremo, por um Decreto de 26 de março de 1971, substituiu o tradicional Juramento de Hipócrates por outro, no qual foi introduzido o conceito de responsabilidade – dos médicos – diante do Estado Soviético.”
(“Uma Nova Doença Mental na URSS: a Oposição”)VLADIMIR BUKOVSKI, escritor e dissidente soviético).

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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