quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A Ditadura da Nomenklatura


Há um Poder dos Sovietes na Rússia? Já escrevemos numerosas matérias sobre a ditadura do proletariado. Ditadura que, de fato, jamais existiu. Passemos agora a abordar, mais uma vez, aquela bem real: a Ditadura da Nomenklatura.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é mais um resumo de um dos capítulos do livro “A NOMENKLATURA – Como Vivem as Classes Privilegiadas na União Soviética”, de autoria de MICHAEL S. VOSLENSKY, considerado no Ocidente um dos mais eminentes especialistas em política soviética. Foi professor de História na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba, em Moscou, e membro da Academia de Ciências Sociais junto ao Comitê Central do PCUS. O livro foi editado no Brasil pela Editora Record.

NOMENKLATURA, uma palavra praticamente desconhecida pela maioria dos brasileiros, exceto por alguns especialistas, merece tornar-se tão célebre quanto o termo GULAG. Designa a classe dos novos privilegiados, essa aristocracia vermelha que dispõe de um poder sem precedentes na História, já que ela é o próprio Estado. Atribui a si mesma imensos e inalienáveis privilégios – dachas e moradias luxuosas, limusines, restaurantes, lojas, clínicas, centros de repouso especiais e quase gratuitos -.                                                           _______________________
“Temos um Partido, um Partido que governa. Para que uma oposição? As pessoas sempre falam de liberdade. O que isso quer dizer?” (L. I. Brejnev, extrato de uma entrevista concedida a jornalistas do Stern, em 12 de maio de 1973)

Há um Poder dos Sovietes na União Soviética? À primeira vista, pode parecer um absurdo fazer tal pergunta, pois na União Soviética, bom ou mau, o Poder é, evidentemente, um Poder dos Sovietes.

Que nos seja permitido, então, pela preocupação de exatidão científica, examinar esta evidência um pouco mais de perto… Para responder àquela pergunta, convém, em primeiro lugar, determinar o que é esse “Poder dos Sovietes”. É uma forma de dominação particular, cuja teoria foi desenvolvida com minúcias. Na Rússia, ouve-se freqüentemente declarar que foi Lenin quem descobriu que os sovietes representavam a forma de Estado específica da ditadura do proletariado. Se bem que ela jamais se tenha concretizado, essa afirmação se reveste, não obstante, de certa importância: com efeito, houve a formação de Sovietes, e Lenin viu neles uma forma do exercício do Poder do Estado.

Até à Revolução de 1905, baseando-se nas teses de Marx e Engels, Lenin e a totalidade dos bolchevistas consideravam que a Comuna de Paris representa a forma de Estado correspondente ao período transitório separando a revolução socialista da sociedade comunista sem classes. Quando, na Rússia revolucionária de 1905, assistiu-se à criação espontânea de Conselhos – Sovietes -, independentemente do programa de qualquer Partido, Lenin viu aí a forma de Estado imposta pela marcha da História, e escreveu: “Este Poder é do mesmo tipo do da Comuna de Paris de 1871”.

Ainda, segundo ele, as características principais desse tipo de Estado são as seguintes:

“1. A fonte de Poder não é a Lei, previamente discutida e votada por um Parlamento, mas a iniciativa das massas populares, iniciativa direta, local, vinda de baixo, um golpe de força direto, para empregar a expressão corrente;

2. A Polícia e o Exército, instituições separadas do povo e opostas ao povo, são substituídas pelo armamento direto do povo inteiro. Sob esse Poder, são os operários e os camponeses armados, é o povo em armas, que cuidam, eles próprios, da manutenção da ordem pública;

3. O corpo de funcionários, a burocracia, são, eles também, substituídos pelo Poder direto do povo, ou, pelo menos, colocados sob um controle especial. Não somente os postos se tornam efetivos, mas seus titulares, reconduzidos ao estado de simples mandatários, são destituídos ao primeiro pedido do povo. Corpo privilegiado, gozando de sinecuras, com vencimentos elevados, burgueses, tornam-se operários de uma arma especial, cujos vencimentos não excedem o salário de um bom operário. Aí, e somente aí, reside a essência da Comuna de Paris como tipo de Estado particular.

Ora, a forma de Estado da Rússia representa, mais do que tudo, a exata antítese do modelo descrito por Lenin através da Comuna de Paris, afastando-se dela em todos os aspectos por ele mencionados. Na Rússia, o povo é totalmente submisso às ordens vindas do alto, não tem armas em sua posse, Exército e Polícia dispõem de efetivos consideráveis, a burocracia política forma um grupo burguesmente retribuído, que constitui, de fato, a classe dominante exploradora e privilegiada. À luz dos ensinamentos de Lenin, somos, pois, levados a fazer a pergunta: “Pode-se falar em um Poder dos Sovietes na Rússia?”    


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Espero um dia, contar com um pensamento próprio, publicado aqui, do historiador "Kamarada Azamba", ao invés de coletâneas de pensamentos de outros, para assim haurir mais conhecimentos dos intestinos do phoder aqui no Brasil, inclusive e especialmente o patrocínio que uma facção das FFAA (e da sociedade civil brasileira) de Fabianos convictos, deu à ascenção de LullaLadrão no campo político e econômico, ao apoio que deram a Cuba quando de invasão de África.

Anônimo disse...

.

acp

Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

acp

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Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

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