sábado, 20 de agosto de 2016

Dimensão Política Mundial da Segurança


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é um resumo do artigo assinado por João Almino, diretor do Instituto Rio Branco, publicado no livro “Brasil e o Mundo – Novas Visões”, uma coletânea que reúne dez textos inéditos relativos à inserção internacional de segurança do Brasil, que é uma questão de importância crescente. O livro foi organizado por Clovis Brigagão e Domício Proença Junior e editado pela Livraria Francisco Alves Editora SA, em 2002.
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Embora seja desejável a ênfase nos ingredientes econômicos, sociais e ambientais da Segurança, é inegável que, sobretudo, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em New York, são os aspectos políticos e militares da Segurança Internacional que têm predominado. Ou seja, a Segurança Política voltou a ocupar o topo da agenda internacional.
A Guerra Fria ordenava, no sistema global, os conflitos locais e regionais, engajando as grandes potências na busca do equilíbrio necessário à prevenção de conflitos globais. Com o seu fim, o confronto principal desapareceu, mas desapareceu também a força ordenadora desses conflitos.

A guerra genérica declarada pelos EUA contra o terrorismo pode ser apropriada localmente e ser encarada como um  instrumento para a repressão interna, em países confrontados com movimentos que se utilizam de métodos violentos para levar adiante suas causas políticas. Esse efeito, se não for acompanhado de uma ampliação do diálogo político, pode aguçar os conflitos e aumentar a insegurança e a instabilidade no mundo.

Nos EUA, potência hegemônica, há neste ponto um contraste entre os primeiros tempos da administração Clinton e o início do governo Bush. Com Clinton fazia-se uma tentativa de dar uma ênfase maior à economia. Agora, é a segurança e a defesa que passam a ocupar a agenda internacional, em detrimento da economia ou da agenda do desenvolvimento.

Como resultado da globalização, uma característica do terrorismo contemporâneo é que ele se organiza em redes. Aos Estados cabe, assim, dar-lhe as respostas coordenadas, e criar redes de combate ao terrorismo que sejam mais eficazes que as do próprio terrorismo.

Os atos terroristas de 11 de setembro demonstraram a vulnerabilidade do sistema de defesa até mesmo da mais poderosa potência. Isso gera insegurança e desperta o medo de surpresas ainda piores no futuro. O uso de armas biológicas e de dispositivos nucleares por grupos terroristas têm sido citados como algo que estaria no horizonte das possibilidades.

Eles se diferem de atentados anteriores, praticados por estrangeiros contra os EUA, por terem ocorrido em solo americano e terem tido como alvo símbolos do poderio financeiro e militar daquele país – a intenção era atingir também o símbolo maior do Poder político, a própria Casa Branca -.
Atos terroristas, em geral, visam um impacto psicológico desproporcional aos meios que utilizam, sendo-lhes essencial a alta publicidade. Isso os terroristas do 11 de setembro conseguiram em termos globais. Sua façanha maior foi a de apunhalar o coração simbólico do Poder mundial, de sua ordem globalizada e unipolar. Encarar a situação como de guerra foi uma opção norte-americana que influiu nas percepções mundiais. Não se trata mais de perseguir criminosos, mas empreender ações de maior envergadura, supondo que o agressor não é um mero pirata, que sua violência tem propósitos políticos e que ele pode ser identificado e punido.

Para os EUA, esta guerra é fundamental, pois o que está em jogo, quando o terrorismo pode deixar intranqüila a maior potência mundial, é a credibilidade de todo um sistema de defesa e segurança. Não dar sinais de que a guerra está sendo vencida é o mesmo que reconhecer que o acúmulo de armas e a enorme superioridade do poderio bélico pouco servem na luta contra esse inimigo. De maneira mais profunda e a longo prazo, este reconhecimento não deixa de ser verdadeiro, pois, embora vitórias militares contra regimes ou países sejam possíveis, a batalha decisiva é a que se trava no terreno político e ideológico, como ficou demonstrado na Guerra-Fria.

A guerra morna, mais abrangente e de longo prazo, é peculiar: o inimigo não é apenas um Estado que abrigue o terrorismo, nem um indivíduo ou grupo, mas algo mais amplo e difuso. Pode-se falar de guerra ao terrorismo como se fala de guerra ao narcotráfico, uma guerra que, certamente, não poderá ser vencida em 10 dias, nem em 10 meses e nem, talvez, em 10 anos. Parte importante dessa guerra não será travada no terreno militar. Aliás, já está sendo empreendida em outros campos, como no econômico, com os cortes de fontes de financiamento dos terroristas.

Essa guerra morna será longa, travada em múltiplos campos de batalha e interiorizada de distintas formas. Das várias diferenças entre esses dois tipos de guerra, deve-se destacar uma, fundamental: na luta contra o terrorismo não se constrói uma ideologia política com clareza, a não ser a da recusa da violência brutal dirigida à população civil. O terrorismo é difícil de definir, suas causas são plurais, algumas delas circunscritas a territórios nacionais, não havendo, portanto, marco político ou ideológico uniforme.

No âmbito das Nações Unidas discute-se uma convenção abrangente para a supressão do terrorismo internacional. Em relação a esse projeto, a posição do Grupo do Rio, composto pelos países latino-americanos, advoga uma definição de terrorismo que englobe todas as suas possíveis manifestações.
Há uma guerra de longuíssimo prazo contra o terrorismo. A solução para ela é política, como foi política a solução para a Guerra-Fria. Passa por um papel mais ativo, sobretudo dos EUA e da União Européia, na solução de questões explosivas das relações internacionais contemporâneas.

Nenhuma fonte de financiamento ou condição material acende mais o terrorismo do que sua mobilização espontânea pela fé inabalável numa causa, que faz com que tenha condições de se reproduzir em células autônomas e envolver uma arma difícil de combater: a disposição de trocar a própria vida pela eficácia do ato (vide os atuais atos terroristas praticados pelo denominado Estado Islâmico).

Em última instância, o terrorismo será derrotado na medida do aumento da possibilidade da participação de grupos que hoje se sentem excluídos ou marginalizados do processo político, e na medida em que se possam ir reduzindo a opressão, a miséria e a discriminação.   

O problema da criação de um Estado Palestino é hoje absolutamente prioritário para a segurança internacional, pois tem enorme efeito moderador não apenas na própria região, o Oriente Médio, mas também em todo o mundo. Tem componentes desestabilizadores, mobiliza causas populares e ações de repressão estatais. Está na origem de atos terroristas e tem repercutido sobre a economia, especialmente através das expectativas geradas no mercado de petróleo. Merece, portanto, atenção urgente da comunidade internacional.    

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Anônimo disse...



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acp

Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

acp

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Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

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