sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Nomenklatura - classe que aspira à hegemonia mundial


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O mundo do socialismo se alarga e o do capitalismo se       retrai. Em todos os lugares, o socialismo sucederá inevitavelmente ao capitalismo. Tal é a lei objetiva da evolução social. O imperialismo é impotente para deter o irresistível processo de libertação. A época atual, cujo conteúdo essencial é a passagem do capitalismo ao socialismo, é a da luta dos dois sistemas sociais opostos. É a época em que os povos novos se engajam no caminho socialista, a época do triunfo do socialismo e do comunismo em escala mundial.”
(Programa do PCUS, XXII Congresso, outubro de 1961)
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O texto abaixo é, mais uma vez, o resumo de um dos capítulos do livro “A NOMENKLATURA – Como Vivem as Classes Privilegiadas na União Soviética”, de autoria de MICHAEL S. VOSLENSKY, considerado no Ocidente um dos mais eminentes especialistas em política soviética. Foi professor de História na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba, em Moscou, e membro da Academia de Ciências Sociais junto ao Comitê Central do PCUS. O livro foi editado no Brasil pela Editora Record.
NOMENKLATURA, uma palavra praticamente desconhecida pela maioria dos brasileiros, exceto por alguns especialistas, merece tornar-se tão célebre quanto o termo GULAG. Designa a classe dos novos privilegiados, essa aristocracia vermelha que dispõe de um poder sem precedentes na História, já que ela é o próprio Estado. Atribui a si mesma imensos e inalienáveis privilégios – dachas e moradias luxuosas, limusines, restaurantes, lojas, clínicas, centros de repouso especiais e quase gratuitos -.
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A propaganda da Nomenklatura afirma que a política externa da União Soviética é pacífica, pelo simples fato de que não existem, no quadro do socialismo real, nem classes nem grupos cujos interesses justifiquem uma política expansionista e agressiva. A sociedade soviética se compõe de trabalhadores, colcozianos e intelectuais ativos, e que vantagens tirariam, pois, de uma agressão?

Ela diz a verdade, nem os trabalhadores e nem tampouco os colcozianos ou os intelectuais tirariam proveito de uma política agressiva e expansionista. Mas a sociedade soviética não compreende apenas esses grupos. À sua frente está a classe dos nomenklaturistas e seu atributo essencial não é a propriedade, mas o Poder. A extensão desse Poder determina a amplidão de seus privilégios, inclusive a parte da propriedade coletiva que cada um de seus membros consegue apropriar-se individualmente. Só há duas possibilidades no que tange a esse ponto: 1. A parte individual que consiste, para cada nomenklaturista em escalar o maior número possível de postos na hierarquia; 2. A via coletiva, o crescimento da “propriedade socialista”. 

Quem conheça de perto a Nomenklatura sabe que seus membros só dão importância aos imperativos de suas carreiras; eles lhes ditam, a todo momento, suas condutas e seus pensamentos. Ora, os nomenklaturistas desenvolveram ao máximo o sentimento de sua comunidade de interesses, e estão, portanto, inegavelmente, prontos a agir como classe. Esta faculdade resulta da estrutura da Nomenklatura, classe que se apropriou coletivamente do Poder e da “propriedade socialista”.

No íntimo, ela se entrega à exploração dos produtores de base. O sistema econômico que ela criou se caracteriza pelos rendimentos muito baixos, e uma melhoria sensível da produtividade não pode conceber-se sem uma mudança de sistema, inaceitável para ela, já que poria fim a seu monopólio. Só lhe resta, pois, a perspectiva de uma expansão externa, do estabelecimento de seu domínio sobre outros países e a exploração de suas riquezas.

Antes da Revolução de Outubro, os leninistas proclamavam que concederiam uma independência total a todas as colônias da Rússia czarista, mas, com Lenin ainda vivo, todas elas foram dominadas pela força sob os mais diversos pretextos, e integradas à União. Em 1920, o governo bolchevique procurou apoderar-se da Polônia. Um “governo soviético” da Polônia, do qual Dzerjinski, chefe da Tcheka, seria membro, estava nos planos do Exército Vermelho. As canções da cavalaria vermelha, novamente constituída, proclamavam: “Varsóvia para nós! Berlim para nós!”, e os escritores soviéticos da moda faziam coro: “A Europa para nós!”.  

Fracassado o primeiro ataque, tiveram que se retirar de Varsóvia. Em 1922, na Conferência de Gênova, os delegados enviados por Lenin nada mais eram do que “comerciantes”, e a questão da revolução mundial nada mais era do que um ato acessório. Mas a Nomenklatura não renunciou à idéia de dominar outros povos, e pôs em banho-maria seus planos a longo prazo.
O equipamento da máquina de guerra do Estado nomenklaturista se fazia tendo por pano de fundo a propaganda, pois a Nomenklatura não parava de repetir que os imperialistas estavam a ponto de atacar a União Soviética.

Não era a Alemanha nazista que ela visava naquela época, pois a cooperação militar entre a URSS e a Alemanha era ainda importante.
O exame dos jornais soviéticos de 1930 nos mostra que a Nomenklatura justificava seus armamentos pela ameaça de uma “Cruzada contra a URSS”, que teria sido convocada pelo Papa. Depois, Stalin perguntou: “De quantas divisões dispõe o Papa?”, mas, em 1930, a Nomenklatura parecia aparentar que considerava a cruzada moral do Papa, uma séria ameaça militar à URSS.

A ameaça surgida com o III Reich não conseguiu também por um freio ao apetite expansionista da Nomenklatura. Pelo contrário, os sucessos iniciais de Hitler só fizeram aguçá-lo. Em vista dos acordos secretos feitos com o Führer, ela conseguiu, durante o primeiro ano da II Guerra Mundial, apoderar-se da Ucrânia Ocidental, da Bielo-Rússia Ocidental, da Letônia, da Lituânia, da Estônia, da Bessarábia e da Bucovina Setentrional. Os bardos da Nomenklatura puderam novamente entoar cantos de vitória.

As Kurilas, ilhas situadas ao Norte do Japão, foram incorporadas à União Soviética. A Nomenklatura conservou as presas que Hitler lhe deixou em troca da sua neutralidade na guerra que travava com as democracias ocidentais, depois as que as democracias ocidentais lhe tinham cedido ao preço do seu apoio na luta contra o nazismo.

Aquelas democracias se sentiam obrigadas a retribuir a resistência oposta por uma Nomenklatura que, na verdade, só procurava salvar sua pele, e deram prova de sua generosidade. A Nomenklatura soviética obteve a Prússia Oriental e, além disso, a Polônia, a Bulgária, a Checoslováquia, a Hungria, a Romênia, a Iugoslávia, a Albânia, o Leste da Alemanha e da Áustria, o Norte da Coréia, passaram à sua dominação. Pode-se apreciar a importância do presente recebido olhando-se um globo terrestre. Esses presentes foram dados de boa vontade quando a relação de forças não os justificavam de modo algum. Não foi por causa desses territórios que se chegou à Guerra-Fria, mas porque ficou claro que a Nomenklatura stalinista ainda não estava satisfeita.

A Alemanha Oriental não lhe bastava. Ela queria também a Alemanha Ocidental. O Leste da Áustria também não. Ela queria o país todo. O Norte da Coréia muito menos. Ela queria também o Sul, além da Grécia, do Trieste, dos Dardanelos, Kas e Ardahan, o Norte do Irã, a China, a Indochina, e até mesmo uma colônia na África, a Somália ex-italiana. Voltemos novamente a um globo terrestre e examinemos as fronteiras que ela aspirava em 1952, e comparemo-las com os limites dos territórios que ela controlava 10 anos antes, em 1942, quando a frente, cercando Leningrado, se estendia até o Norte do Cáucaso, passando por Moscou e Stalingrado. Cuba, o Iemen do Sul, Angola, Etiópia, Afeganistão, Vietnã, Laos, Cambodja, vieram engrossar o grupo de países nos quais ela conseguiu instalar-se com êxito mais ou menos grande.

Suas garras, por vezes, fecham-se no vazio, outras vezes conseguem agarrar tudo, e o que nos interessa, em primeiro lugar, não são os resultados da sua política expansionista, mas sim seu expansionismo como tal, pois ele jamais esteve ausente de suas considerações sobre política exterior.

De acordo com sua natureza, a Nomenklatura é uma classe expansionista, portanto agressiva. Sua agressividade não é de essência mística, mas sim conseqüência direta de sua sede insaciável de Poder, seu bem mais caro, e de seu desejo desenfreado de aumentar uma propriedade que se choca com os limites impostos pela produtividade muita fraca, inerente à economia socialista. É errado afirmar que não existe, na União Soviética, classe que tenha interesse em conduzir uma política expansionista e agressiva, pois ela existe realmente: é a classe dominante da URSS, a classe dos nomenklaturistas.    


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Anônimo disse...

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Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

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