sábado, 13 de agosto de 2016

O escritorzinho vermelho - Mao-Tsé-Tung


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é um dos capítulos do livro “A Grande Parada”, de autoria de Jean François Revel, editado pela Biblioteca do Exército, em 2001:
Em 1930, Mao-Tsetung escreveu um panfleto intitulado “Contra o Culto do Livro”, que originou, atualmente, o mais radical culto do livro que jamais tomou conta de uma civilização desde o Alcorão.

Lido, comentado, exibido por milhões de chineses, utilizado como breviário incessantemente relido, oLivro Vermelho, além disso, este ano, é um best-seller na França. As razões políticas desse sucesso são claras. Parece haver na França inúmeros leitores – e eleitores – que pensam que os Estados Unidos são os únicos beneficiados com a coexistência pacífica e que em todo lugar a transição ao socialismo não será possível sem uma revolução violenta.

No entanto, qual éo valor intelectual, qual é o conteudo filosófico desse livro considerado a “versão chinesa” do marxismo-leninismo?
De fato, para saber se Mao tem uma filosofia original, aconselha-se a leitura do texto integral, e não do Pequeno Livro Vermelho. Esse último é um catecismo fundamental como documento histórico, mas composto por citações vagamente agrupadas por assunto, porém fora de ordem cronológica e sem lógica. Ele não suscita a reflexão do leitor.

O teor é de um marxismo-leninismo extremamente resumido, pontilhado de conselhos morais ao estilo Proudhomme, do tipo “Progredimos quando somos modestos”. “O difícil é agir bem durante toda a vida”, ou redundâncias: ”Um Exército sem cultura é um Exército ignorante”. “O exame unilateral é não saber olhar as questões sob todos os seus aspectos”.
Quanto ao exame unilateral do texto completo, revela que Mao não é um teórico ou, pelo menos, não é um inventor. Os raros trechos teóricos, “Sobre a Prática”, “Sobre a Contradição”, limitam-se a vulgarizar e simplificar o Materialismo e o Empiriocriticismo de Lenin. Como todos os seus textos são obras circunstanciais, de combate, destinadas a veicular uma pressão política precisa sobre essa ou aquela tendência concreta no seio do PC Chinês ou fora dele. Na verdade, a ideologia leninista-stalinista, adotada definitivamente, nunca foi repensada como ideologia por Mao.

Quando ele parece estar fazendo ideologia, é, na verdade, pura tática.
Apenas ocorre, como acontece com todos os comunistas: ele reveste qualquer mínimo detalha de fraseologia abstrata. Como fazer, em 1929, para que o Exército Vermelho, ocioso, não fosse se divertir nas cidades, mas ficasse no campo, onde era mais útil? Mao escreve uma Resolução: “Eliminando as Concepções Errôneas do Partido”. Entre essas concepções errôneas se encontra, entre o “Subjetivismo” e “Os Resquícios do Marxismo”, o “Individualismo”, cujo principal componente é o “gosto pelos prazeres”, que se manifesta essencialmente pelo fenômeno que “leva nossas tropas a se dirigirem para as grandes cidades”.

A própria teoria das Cem Flores, por mais... florida que seja em sua formulação, não é uma verdadeira teoria. Ela se destinava, em 1957, a acalmar aqueles que exigiam maior liberdade de discussão dentro do Partido e invocavam principalmente os acontecimentos na Hungria para condenar o autoritarismo. Mao aprova a repressão do levante de Budapeste.. Faz concessões retóricas aos descontentes. Mas, logo em seguida, os repreende, aplicando invariavelmente um mesmo raciocínio ortodoxo.

No discurso em que ele fala das “Cem Flores”, intitulado “Da justa solução dos conflitos no seio do povo” – 1957 -, como em textos anteriores – “Da Ditadura Democrática Popular” -1949 – ou “Contra o Estilo Esteriotipado no Partido” – 1942 -, esse raciocínio, sempre o mesmo, é o seguinte: a discussão no seio do Partido é livre, mas, na prática, as objeções contra o Partido provêm de duas fontes: dos adversários da Revolução, que não devem ter o direito de se expressar, e dos partidários sinceros da Revolução, que nunca estão realmente em desacordo com o Partido. Portanto, os métodos autoritários são um “centralismo democrático” absolutamente legítimo e, para o povo, “a liberdade é correlata à disciplina”.

Mesmo esquema em filosofia. Pode-se criticar o marxismo? É claro, porque “o marxismo não teme a crítica”, “se ele pudesse ser derrubado pela crítica, ele não serviria para nada”. Portanto, discuti-lo será sempre em vão, já que ele é invulnerável. Por que, então, dar-se ao trabalho de discuti-lo?

Na arte e na literatura também as Cem Flores podem desabrochar intelectualmente, mas como é fundamental não deixar que se misturem “ervas daninhas” às “flores perfumosas”, Mao logo retorna a uma ditadura cultural semelhante à de Jadnov. A idéia do “exército cultural’ de Mao é muito antiga. Mas também não é inovadora: a cultura é sempre o reflexo da realidade política e social. Uma vez concluída a revolução econômica, a cultura deve aliar-se a ela. Essa visão é totalmente idêntica à do leninismo militante, sem qualquer variação ou toque pessoal.

Deixemos uma coisa bem clara: não estou fazendo nenhum julgamento político sobre a China, e talvez eu seja até mesmo “chinês”, quem sabe? Mas o estudo dos textos me obriga a dizer que, do ponto de vista filosófico, não existe nenhuma “versão chinesa” do marxismo. Não existe mesmo.    


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...




.

acp

Lixo.

O inferno é pouco e pequeno para os comunas

acp

.

Anônimo disse...



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acp

Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

acp

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acp

Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

acp

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