terça-feira, 9 de agosto de 2016

O melhor de "Sobre Históiria", de Eric Hobsbawn

Eric Hobsbawn, que morreu aos 95 anos 

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Eric Hobsbawn, nascido em 1917, em Alexandria/Egito, escreveu vários livros e foi professor em diversas Universidades da Europa e dos EUA. Um de seus livros é o “Sobre História”, editado no Brasil pela Companhia das Letras. Desse livro, selecionei, há tempos, alguns pensamentos e escrevi a matéria abaixo – nunca publicada -, com o título de O Melhor de “Sobre História” – Livro de Eric Hobsbawn, que agora encontrei, numa folha dobrada e já amarelada, guardada entre suas páginas:
     
A crença de que uma sociedade tradicional seja estável e imutável é um mito da ciência vulgar. O domínio do passado é incompatível com a idéia do progresso contínuo.
    
São necessárias duas pessoas para aprender as lições da História ou de qualquer outra coisa: uma para dar informação, outra para ouvir.
    
Não é possível uma discussão séria da História que não se reporte a Marx, ou, mais precisamente, que não parta de onde ele partiu. E isso significa uma concepção materialista da História.
    
Uma coisa que a experiência histórica ensinou aos historiadores é que ninguém, jamais, parece aprender com ela. No entanto, temos que continuar tentando. A profissão de historiador em grande parte se desenvolveu como um agrupamento de pessoas para servir e justificar os regimes.
    
 Devemos tomar o cuidado de distinguir entre previsões baseadas em análises e previsões baseadas em desejos.
    
A previsão de tendências sociais é, em um aspecto, mais fácil que a previsão de acontecimentos, uma vez que repousa precisamente na descoberta que é a base de todas as ciências sociais: a de que é possível generalizar entre populações e períodos de tempo, sem se incomodar com o emaranhado constante das decisões, eventos, acidentes e possibilidades e na capacidade de dizer algo sobre a madeira sem conhecer cada uma das árvores.
    
Uma desvantagem conhecida das previsões de longo prazo é a quase impossibilidade de conseguir uma escala temporal adequada. Podemos saber o que é possível que aconteça, mas não quando. Que EUA e URSS se tornariam gigantes entre as potências mundiais foi corretamente previsto na década de 1840 com base em suas dimensões e recursos, mas só um tolo teria se empenhado em fixar uma data exata como, digamos, 1900. Esperança e previsão não são a mesma coisa.
    
A História trata, em sua acepção mais ampla, como e porque o homo sapiens passou do paleolítico para a era nuclear.
    
Os homens suprimiriam, ou até mesmo contestariam os teoremas da geometria, se estes estivessem em conflito com os interesses políticos da classe governante – observação atribuída a Thomas Hobbes -.
    
Idéias, pensamentos e conceitos produzem, determinam e dominam os homens, suas condições materiais e sua vida real. Essa concepção, originada em 1846, pode ser sintetizada em uma única frase, repetida com variações: não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência.
    
O processo real de produção não é simplesmente a produção material da vida em si mesma. É muito mais amplo. É, segundo Marx, “o conjunto complexo de relações mutuamente dependentes entre natureza, trabalho social e organização social”.
    
Como podemos resumir o impacto de Marx sobre a historiografia 100 anos após sua morte? Podemos formular quatro pontos essenciais: a influência de Marx nos países socialistas é, hoje, sem dúvida, maior entre os historiadores do que jamais foi desde sua morte. Sua influência pode ser percebida não só no número de historiadores que afirmam ser marxistas, que é muito grande, e o número daqueles que reconhecem sua importância para a História, mas também no grande número de historiadores não-marxistas, muitas vezes eminentes, que zelam pelo nome de Marx diante do mundo.
    
O marxismo transformou tanto a viga-mestra da História que hoje é quase impossível dizer se uma determinada obra foi escrita por um marxista ou por um não-marxista, a menos que o autor anuncie sua posição ideológica.
    
Podemos algum dia escrever a História definitiva de alguma coisa, inclusive, é claro, a Revolução Russa? Em sendo óbvio, a resposta é NÃO, pois mal estamos começando a escalar o Himalaia de documentos dos arquivos soviéticos. Portanto, não é possível uma História definitiva. Podemos fazer um juízo da Revolução que deu início à URSS, mas não ainda do seu fim, e isso certamente afetará o juízo histórico. A catástrofe na qual mergulhou a gente comum da antiga URSS ao final do antigo sistema, ainda não acabou.
    
No outono de 1917, uma onda enorme de radicalização popular, da qual os bolcheviques foram os principais beneficiários varreu para o lado o governo provisório, de sorte que, no momento da Revolução de Outubro, tratava-se menos de capturar o Poder, do que recolhê-lo onde havia caído.
    
O Manifesto do Partido Comunista, com 23 páginas – a partir de 1872, mais conhecido como Manifesto Comunista - publicado em fevereiro de 1848, é o escrito político individual mais influente desde a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Revolução Francesa.
    
Qual o impacto que o Manifesto provocará no leitor que o estiver lendo pela primeira vez, agora?  O novo leitor dificilmente deixará de sentir-se arrebatado pela convicção apaixonada, a condensação, a força estilística e intelectual desse admirável panfleto.

O Manifesto Comunista como retórica política possui uma força quase bíblica. Em suma, é impossível negar o seu poder de persuasão.   


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

3 comentários:

Anônimo disse...

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acp

Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

acp

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Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

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Anônimo disse...

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Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

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Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

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Anônimo disse...

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acp

Lixo, só lixo, conspurcado lixo.

O inferno é pouco e pequeno para os comunas

acp

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