sábado, 27 de agosto de 2016

O Vigor de um Movimento de Massa


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja 

O texto abaixo é um resumo de um dos capítulos do livro “Fanatismo e Movimentos de Massa”, escrito em 1951 por Eric Hoffer e editado no Brasil em 1968 pela Editora Lidador Ltda. Especialistas consideraram que o livro tem a mesma dimensão de “O Príncipe“, de Maquiavel.
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O vigor de um movimento de massa deriva da propensão de seus seguidores para a ação unida e o auto-sacrifício. Quando atribuímos o sucesso de um movimento à sua fé, doutrina, propaganda, liderança, crueldade, e assim por diante, estamos nos referindo apenas a instrumentos de unificação e a meios utilizados para inculcar uma disposição ao auto-sacrifício. É talvez impossível compreender a natureza dos movimentos de massa a menos que se reconheça que sua principal preocupação é fomentar, aperfeiçoar e perpetuar a facilidade para a ação unida e o auto-sacrifício.

Conhecer os processos pelos quais essa facilidade é gerada é aprender a lógica interna das atitudes e práticas características de um movimento de massa ativo. Com poucas exceções, qualquer grupo ou organização que tenta, por uma ou outra razão, criar e manter unidade compacta e uma constante disposição para o auto-sacrifício, geralmente manifesta as peculiaridades – tanto elevadas como baixas – de um movimento de massa.

Por outro lado, um movimento de massa perderá muito daquilo que o distingue de outros tipos de organização quando começar a cortejar o interesse próprio como legítimo motivo de atividade. Em tempos de paz e prosperidade, uma Nação democrática é uma associação institucionalizada de indivíduos mais ou menos livres. Por outro lado, em tempos de crise, quando a existência da Nação é ameaçada, e ela tenta reforçar sua unidade e gerar no seu povo a disposição ao auto-sacrifício, isso quase sempre assume o caráter de um movimento de massa. O mesmo se aplica a organizações religiosas e revolucionárias, se se transformam ou não em movimentos de massa depende menos da doutrina que pregam e do programa que planejam do que do grau de sua preocupação do que a unidade a disposição ao auto-sacrifício.  

O ponto importante é que nos extremamente frustrados a propensão para a ação unida e o auto-sacrifício nasce espontaneamente. Deve ser possível, portanto, obter-se alguma idéia sobre a natureza dessa propensão e da técnica a ser empregada para a sua deliberada provocação, delineando a sua eclosão espontânea na mente frustrada. O que faz sofrer o frustrado? A consciência de um ego irremediavelmente manchado. Seu principal desejo é escapar a esse ego – e é desejo que se manifesta numa propensão à ação unida e ao auto-sacrifício.

A repugnância por um ego indesejável, e o impulso para esquecê-lo, mascará-lo, eliminá-lo e perdê-lo, produzem a disposição de sacrificar o ego e a vontade de dissolvê-lo, perdendo a distinção individual num todo coletivo compacto. Além disso, o afastamento do ego é geralmente acompanhado por uma serie de atitudes diversas e aparentemente não relacionadas, que uma sondagem mais próxima revela serem fatores essenciais no processo de unificação e de auto-sacrifício.

Em outras palavras, a frustração não só dá ensejo ao desejo de unidade e à disposição para o auto-sacrifício, mas também cria o mecanismo para a sua realização. Fenômenos diversos, como a depreciação do presente, a facilidade de criar ilusões, a inclinação ao ódio, a facilidade de imitação, a credibilidade, a tendência a tentar o impossível, e muitos outros que tumultuam a mente dos homens intensamente frustrados, são, como veremos, agentes unificadores e promotores de atitudes ousadas.

Quando decidimos provocar nas pessoas certa facilidade para a ação unida e o auto-sacrifício, fazemos todo o possível – quer saibamos disso ou não – para induzir e estimular o afastamento do eu e tentamos cultivar nelas as diversas atitudes e impulsos que acompanham o espontâneo afastamento do ego nos frustrados. Em suma, tentaremos mostrar que a técnica de um movimento de massa ativo consiste, basicamente, na provocação e cultura de tendências e reações indignas à mente frustrada.

É de se esperar que o leitor discorde de muita coisa dita neste texto. Sentirá,talvez, que muita coisa foi exagerada e muita coisa foi ignorada. Mas este não é um texto didático com autoridade; é um texto de pensamentos e não se afasta das meias verdades, desde que elas pareçam sugerir um novo ponto de vista e ajudem a formular novas perguntas. Diz Bagehot - Walter Bagehot -Somerset, 3 de fevereiro de 1826 – Langport, 24 de março de 1877) foi um jornalistaempresário, eensaísta britânico, que escreveu extensivamente sobre o GovernoEconomia e Literatura – que “para ilustrar um princípio é    preciso exagerar muito e omitir muito” -.

As capacidades para a ação unida e para o auto-sacrifício parecem seguir sempre juntas. Quando ouvimos falar de um grupo que é particularmente desprezador da morte, podemos geralmente concluir justificadamente que o grupo é intimamente ligado e profundamente unificado. Por outro lado, quando enfrentamos um membro de um grupo compacto, provavelmente descobriremos que ele despreza a morte. Tanto a ação unida como o auto-sacrifício requerem o desprezo do ego.

Para tornar-se parte de um todo compacto, o indivíduo tem que abandonar muita coisa. Tem que renunciar ao isolamento, ao julgamento individual e, muitas vezes, às posses individuais. Instruir uma pessoa para a ação unida é, portanto, treiná-la para atos de contra-negação. Por outro lado, o homem que pratica a auto-abnegação, elimina a dura concha que io mantém afastado dos outros e, assim, torna-se assimilável. Todo agente unificador é, portanto, um promotor do auto-sacrifício e vice-versa.

A técnica de fomentar a disposição à luta e à morte consiste em separar o indivíduo do seu ego de carne e osso, em não lhe permitir que seja o seu eu real.

Isso pode ser conseguido pela profunda assimilação do indivíduo num corpo coletivo compacto, dotando-o de um ego imaginário; implantando nele uma atitude depreciativa para com o presente e fixando seu interesse em coisas que ainda não existem; interpondo um painel de fato-comprovado entre ele e a realidade – doutrina -; e impedindo, mediante a insuflação de paixões, o estabelecimento de um equilíbrio estável entre o indivíduo e seu ego - fanatismo -.   


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

3 comentários:

Anônimo disse...



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Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

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