terça-feira, 6 de setembro de 2016

Cachorros e Donos


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana

Ele se definia como "cachorreiro militante", num tempo em que "militante" não carregava o ranço atual. Aos berros, gritando a todo pulmão, a voz esganiçada, encarando o seu belíssimo labrador - que se estendia no tapete da sala a seus pés e fitava o dono com olhos meigos -, dizia no tom mais furioso: "Amigo muito querido! Cachorrinho mimoso!

Com sua inteligência e notória superioridade moral, tenha a fineza de vir para pertinho de mim!", e, em vez de gesticular em direção a si mesmo, apontava na direção da porta. O cachorro erguia-se de um salto e saía assustado. Depois, com voz doce, no tom mais amorosamente paternal, o dono falava: "Seu infame detestável... Cachorro estúpido... Some daqui, infeliz, que te arrebento a pontapés...", e estalava o dedo. O cão regressava ao tapete felicíssimo e parecia enamorado de seu dono.

Já partiram ambos e devem estar a divertir-se na eternidade. Mas aquela "brincadeira" ficou registrada como um interessante experimento: palavras bondosas, ditas em tom furioso, afugentavam o cachorro; palavras aviltantes, pronunciadas com brandura, acalmavam e conquistavam o animal - incapaz de apreender o sentido literal das palavras. Havia ali uma técnica sutil de dominação.

Pois bem. Assisto na TV ao pronunciamento de um espertalhão com ares proféticos a dizer quase aos berros, a voz alterada pela raiva, com estudados gestos de indignação, mais ou menos isto: "Esse impeachment é político! Um julgamento político!". É certo! Não há reparo no que se refere à literalidade de suas palavras. O impeachment foi concebido há mais de dois séculos como "processo político". Ele não conta, pois, nenhuma novidade. A dissonância está em que, no plano dos fatos, não existe a ignomínia correspondente ao tom das suas palavras - técnica sutil de dominação.

Seria inadmissível, isto sim, que esse processo eminentemente político atropelasse o regramento jurídico do país. Mas o impeachment de Dilma Rousseff, no tocante ao seu afastamento, respeitou com máximo rigor o "ordenamento jurídico pátrio" (como costumam falar os coleguinhas). Aqui, não me estou referindo ao mérito, mas à condução do processo. Os membros do Senado, no papel constitucionalmente previsto de julgadores, fizeram sua escolha. Cada um de nós pode tomá-lo por justo ou injusto, segundo entenda. Mas friso: no TOCANTE AO AFASTAMENTO foi absolutamente regular. A antijuridicidade deu-se noutro aspecto: o ordenamento jurídico foi atropelado quando, com a anuência do presidente da Suprema Corte (Ricardo Lewandowski), senadores estupraram a Constituição para aplicar apenas a metade do que prevê o parágrafo único do art. 52 da Carta da República.

Agora, que sentido tem o tom de denúncia na fala do espertalhão? Só o de dominar! A quem? Ora, existe uma cachorrada pronta para obedecer, retesar o rabo, rilhar os dentes e começar a latir palavras ofensivas: "Fascista! Golpista!", entre outras originalidades. Sim, nosso profeta sabe por que fala no tom de quem comanda cachorros. Eis a política da sabujice...


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

Um comentário:

Anônimo disse...

QUEM VOTOU EM DILMA VOTOU EM THEMER E QUEM VOTAR NA MARINA EM 2018 VAI DE LAMBUJA LEVAR O JOAQUIM BARBOSA E QUEM VOTAR NO LULA VAI LEVAR O MOURO... O VICE VIGARISTA VAI TENTAR A REELEIÇÃO DE PARCERIA COM O GILMAR MENDES... ESSE PAPO NÃO É CACHORRADA É A BODAIADA CRUZANDO COM OS LOBOS EM PELE DE CORDEIRO... VICE VIGARISTA COM MUTRE O GOLPISTA ISTO É CACHORRADA...