domingo, 4 de setembro de 2016

Condição necessária e não suficiente


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Clovis Purper Bandeira

Após um inverno por demais longo e tenebroso, antevemos a primavera.
Estamos livres, cumpridas todas as formalidades legais e políticas, do malfadado reinado petista que nos infelicitou por tanto tempo.

Não nos iludamos, porém, acreditando que a nova estação nos trará dias radiosos, felicidade e lindas flores. Seguiremos amargando as consequências de nossas más escolhas por, no mínimo, mais dois ou três anos, seja qual for o governo que se seguir ao da presidenta.

Em Lógica, este é o problema das condições necessárias e das condições suficientes. Nem toda condição necessária é suficiente, e viceversa.

Examinemos a seguinte afirmação: todo carioca é brasileiro.

Ser carioca é condição suficiente para ser brasileiro, pois basta que alguém seja carioca para que seja também brasileiro. Além disso, ser brasileiro é condição necessária para ser carioca, pois ninguém pode ser carioca sem ser também brasileiro. Por outro lado, ser carioca não é condição necessária para ser brasileiro, tampouco ser brasileiro é condição suficiente para ser carioca.

Dessa maneira, é lógico que o afastamento definitivo da quadrilha petista do poder é necessário para encetar o longo e difícil processo de retomada do desenvolvimento nacional, mas não é, definitivamente, condição suficiente para tal.

Os resultados nefastos do assalto aos cofres públicos e do aparelhamento do Estado ainda se farão sentir por longo tempo.

Nada nos garante, também, que o filme tenha acabado. Todos os armários têm que ser abertos cuidadosamente, pois não sabemos quando e onde toparemos com novos esqueletos.

Desculpe-me, caro leitor, por ter apelado a um pequeno passeio pelos caminhos da Lógica, mas julgo muito difícil fazer comentários sobre o combate de artes marciais a que assistimos nas sessões do Senado, o despreparo de quase todos os debatedores quanto ao assunto em discussão, um dos mais graves que um Estado pode enfrentar sob o presidencialismo, e o triste espetáculo de ver brasileiros de pensamentos diferentes sendo separados por grades e placas metálicas para que não se engalfinhem.

Essa, a meu ver, é a pior herança da máfia lulopetista: a divisão da sociedade brasileira em vários grupos antagônicos, todos donos da verdade absoluta, sem condições de diálogo, dispostos a partir para a violência sem tentar discutir suas discordâncias civilizadamente. Tudo isso criado, incentivado e explorado politicamente pelos bolivarianos esquerdistas, na tradição do dividir para conquistar.

Acabar com os antagonismos artificialmente criados, discutir os reais, aí estão alguns dos grandes desafios que se apresentam em nosso futuro próximo, condições ainda necessárias para resolver nossos grandes problemas.


Clovis Purper Bandeira, General, é Editor de Opinião do Clube Militar.

Um comentário:

Ricardo Vélez-Rodríguez disse...

Excelente artigo, com o qual concordo. É tempo de refletirmos, à luz da razão (abandonada definitivamente pelos lulopetralhas), a fim de tirarmos o Brasil do lamaçal em que o afundaram treze anos de desgovernos petistas. É tempo de darmos a volta por cima. O único meio que nos tirará do buraco é a razão e o nosso amor pelo Brasil!