sexta-feira, 7 de outubro de 2016

100 anos de Ulysses e as Milícias

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Paulo Roberto Gotaç

O Senhor Ulysses Guimarães completaria ontem, 06/10, 100 anos de idade. 

Político profissional, com vários mandatos, celebrizou-se pelo protagonismo na campanha das "Diretas já" e foi o arquiteto da atual Constituição, com somente 28 anos de existência, ou seja, ainda bastante jovem para um documento tão fundamental. 

Considerando que o movimento pelo voto direto foi, no meu modo de interpretar, uma cortina de fumaça para um projeto que já estava previamente decidido nos bastidores do poder, a eleição indireta pelo Colégio eleitoral, sob a batuta do natimorto presidente Tancredo Neves, e que as frequentes necessidades de exaustivas aprovações de PEC's indicam a existência de graves lacunas e equívocos no texto da Lei Magna, sou de opinião, apesar do inegável prestígio do inesquecível aniversariante, e em respeito à sua memória, que o legado em relação às duas mais importantes obras de sua vida não foi dos melhores. 

Que me perdoem as viúvas de Ulysses mas essa é a minha despretensiosa visão.

Milícias

Segundo o IBGE, aproximadamente 6% da população brasileira, ou seja mais de 11 milhões de pessoas, vivem em aglomerados sub-normais, eufemismo criado pelo órgão para designar o que se entende como favela ou comunidade. 

É mais que população da Suíça (cerca de 8,5 milhões), que a de Portugal (em torno de 10 milhões) e o triplo da do Uruguai. 

Situam-se normalmente nas periferias de cidades, polos de mercado de trabalho, em locais como encostas, praias e mangues, e surgem através de vários tipos de iniciativas, desde atos de grilagem até invasões ilícitas em regiões de preservação como a recentemente denunciada, dos mananciais de água do cidade de São Paulo. 

As soluções propostas, diferentes das adotadas em épocas passadas, quando era possível a simples remoção das populações, se focam hoje no ordenamento do espaço geográfico, no cumprimento da lei decorrente, a fim de evitar a expansão, e no investimento em infraestrutura, com ênfase na acessibilidade ao local de moradia e no saneamento básico, quando as concentrações atingem proporções consideráveis. São iniciativas invariavelmente prometidas por políticos em época de eleição, raramente implementadas depois das posses. 

Enquanto isso, surgem núcleos, conhecidos em algumas comunidades como milícias que, aos poucos, impõem leis, disputam o poder e cobram serviços, muitas vezes mediante ações violentas, no vácuo do poder público, omisso. Como esse panorama vai evoluir dentro do quadro de corrupção que somente agora começa a ser combatido, embora com forte resistência por parte dos implicados poderosos, deixa a sociedade em estado de apreensão em relação ao futuro das próximas gerações.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Concordo com o capitão Paulo Roberto. Até hoje nenhum político, nenhum partido, apresentou um projeto de nação para este país chamado Brasil. Todos, inclusive o Sr. Ulisses Guimarães almejavam apenas o poder senão, onde está o projeto de nação? A constituição de 1.988 não é cidadã ou se é cidadã não é cumprida como se notou recentemente sua violação por parte do ministro do STF Sr. Ricardo Levandowski, presidente do Senado Sr. Renan Calheiros bem como pela Sra. ex-presidente Dilma Roussef e seu companheiro de partido e corrupção Sr. Lula da Silva. Está aí a herança de Ulisses Guimarães, um PMDB corrompido abraçado com o PT e a nação jogada às traças como na maioria dos "governos" que não passam de um aglomerado de interesses escusos salvo uma ou duas exceções.

Índio/SP