sábado, 8 de outubro de 2016

A essência da Guerra Irregular


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Desde o término da II Guerra Mundial acumulou-se uma volumosa literatura sobre a natureza da guerra irregular e os princípios da sua condução. Desde Mao-Tsetung ao suíço Major H. Von Dach; desde Che Guevara ao coronel grego Georgios Grivas-Dighenys, do autor militar americano Charles W.Thayer ao alemão Helmuth Rentsxh, práticos e teóricos do fato bélico moderno estudaram o problema da guerra irregular conduzida por bandos e investigaram um notável fenômeno, o de que em tal guerra, bandos mal armados e mal-vestidos, comandados por soldados amadores eram, com grande freqüência bem sucedidos contra forças superiores comandadas por profissionais.

Quem buscar, na riqueza da literatura contemporânea sobre guerra irregular, uma definição convincente da natureza dessa forma de condução de guerra, vai surpreendentemente descobrir que a maioria dos teóricos que tratam da guerra irregular ainda nos deve uma definição nítida sobre o que estão falando. Todo mundo acha que sabe o que é uma guerra irregular. Traçar, contudo, uma linha nítida entre guerra irregular e levante revolucionário, de um lado, e guerra convencional, de outro, é evidentemente difícil.

A guerra irregular é normalmente concebida como um conflito armado no qual as partes não constituem grandes unidades, mas pequenos e muito pequenos grupos de ação, e cujo desfecho não é decidido em poucas e grandes batalhas; ao contrário, a decisão é buscada e afinal concretizada através de um número muito grande de pequenas ações individuais, roubos, atos de terrorismo e sabotagem, bombardeios e incursões. A guerra irregular é a ‘guerra das sombras”. Ao invés da arremetida vigorosa, a multiplicidade de não menos perigosas estacadas de alfinetes, ao invés da superioridade de armas e, em conseqüência, de poder de fogo, no sentido mais amplo, existe a superioridade e um movimento que o inimigo já não tem condições de correr atrás.

Entretanto, em todas as suas caracterizações, a guerra irregular só tem insinuada a sua descrição; nem é ela claramente definida e nem sua natureza é exaustivamente estabelecida.

A guerra irregular é, de qualquer maneira, guerra. E guerra real, não um “substituto da guerra”, nem uma “guerra de procuração”, nem ainda “uma operação que se aproxima da guerra”, “uma situação que só não é guerra” ou qualquer outra expressão de se pudesse usar numa “circunscrição semântica” de modo a privilegiar a ‘guerra de grande escala’, por qualquer razão, como a única “guerra real”, na qual grandes unidades militares e meios de destruição manuseados por soldados uniformizados desempenham o papel decisivo.

Alguns teóricos efetivamente reconhecem que a guerra irregular é uma guerra real, mas não querem ver a guerra irregular como uma forma de guerra. somente como uma forma da condução da guerra, no  contexto de uma guerra maior – o que poderia comparar com a guerra de submarinos ou a guerra de bombardeios da F Ae.

Nesse sentido, Samuel Huntington distingue de maneira mais nítida entre “forma de guerra e mera forma de condução de guerra”. Ele define as formas de guerra como “uma violenta interação entre dois grupos políticos organizados”, que diferem “em termos da natureza dos seus participantes, natureza dos seus objetivos, os esforços que desenvolvem para atingir a esses objetivos e, em termos mais amplos, os recursos que empregam”.

Cada uma dessas formas de guerra constitui “a soma total das interações militares entre os participantes”. Huntington entende formas de condução da guerra, por outro lado, somente como “variações da atividade militar”, que são determinadas por forças armadas e táticas militares particulares. Não podemos acompanhar Huntington, quando acredita, com base nessas definições que guerra irregular é ”nitidamente uma forma de guerra e não um tipo de guerra”.

O fenômeno da  guerra irregular moderna é tão complexo de ser cientificamente compreendido, precisamente porque encontramos guerra irregular hoje, em alguns casos, somente como forma de conduzir a guerra, mas e outros casos, como forma especial de guerra, no qual, pelo menos, uma das partes que combate, emprega determinados métodos, com todo o poder que se acha à sua disposição, com o objetivo de exaurir o inimigo e desgastá-lo inteiramente, de tal modo, que com o correr do tempo, e como resultado do enfraquecimento progressivo não apenas sua capacidade física mas também a psicológica, ele se torna incapaz de uma volição política e militar clara, e assim se torna incapacitado para a luta.

Há situações em que encontramos guerra e não apenas como forma de condução da guerra; sob certas circunstâncias, uma guerra convencional limitada pode-se tornar uma forma excepcional de condução da guerra – a condução da guerra irregular.

Nosso interesse central aqui se prende à guerra irregular como uma forma de guerra. A guerra é uma “situação excepcional” da lei internacional. O uso da violência numa situação de paz caracteriza um ou numerosos atos de exceção, que não afetam a condição da paz, como tal, na integridade da sua natureza.

A guerra, por outro lado, como situação excepcional, interrompe a paz. É uma situação na qual as relações entre Estados e povos, “em sua totalidade”, são percebidas e de desenvolvidas sob re outras formas e segundo regras diferentes das existentes a paz. Nesta última, a forma básica e o fundamento, em muitos aspectos das relações entre estados é a relação entre e a “unidade” de vontade de diversos Estados, a unificação de vontades, cuja expressão normal é o “tratado”. Na guerra, a afirmação da vontade pelo emprego da violência por “um” Estado ou um “grupo de Estados” toma o lugar da unificação das vontades, e o objetivo daquela violência é o de “dobrar” a vontade de outro Estado ou grupos de eEtados, para dobrar a vontade do adversário ou adversários.

Se, como vem repetidamente sido sustentado em incontáveis tentativas de definição, política é “o ganho, preservação ou perda de de Poder”,. Configuração e constituição da sociedade por meio do Poder – então, a guerra é, sem sombra de dúvida, senão, uma forma de política, de toda maneira, um meio de fazer política: porque ele é sempre uma luta pelo Poder.

Mas o Poder não é senão uma influência grandemente ampliada, um tipo, forte o bastante, para induzir os outros a se submeterem – consciente ou inconscientemente, voluntariamente ou mediante compulsão – à vontade de quem exerce essa influência e a se comportar segundo a vontade da outra parte. O que está em jogo na guerra, e na política também, é fundamentalmente essa influência potencializada imposta ao inimigo. É na guerra irregular que a conexão entre guerra e política aparece mais nítida; a guerra irregular é, num certo sentido, a guerra do político, não a guerra do soldado.

A essência da situação da guerra consiste no “abrangente recurso à violência” que ameaça praticamente todas as situações legais do Estado e o torna o fundamento de todas as relações entre os Estados que a conduzem entre si. A violência não necessita necessariamente ocorrer como a das “armas”: a guerra não precisa ser sempre contestada sob a forma de um conflito “militar”: o que é de sua essência é que o uso, o que é de sua essência é que o uso da violência substitua o encontro pacífico, que é a base das relações entre Estados em paz.

Um simples ato de violência ou, ou mesmo um pequeno número de tais atos, ainda não, enquanto relações pacíficas são mantidas, por outro lado – e aqui ETA o que é de particular importância para o problema da guerra irregular – a atuação da guerra existe efetivamente quando a violência que os Estados que se confrontam lançam mão, com abrangência, não é apenas – ou simplesmente não é – a violência militar.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

5 comentários:

Anônimo disse...

Numa guerra irregularformada por bandos mal armados e mal-vestidos praticando sabotagens e terrorismo, é invencível pois se misturam com os habitantes ou população tornando-se totalmente invisiveis.

Anônimo disse...


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acp

Um seu artigo escreveu!

acp

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Anônimo disse...


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Um seu artigo escreveu!






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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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Anônimo disse...







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Anônimo disse...


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acp

Absurdo!

Os britânicos duas 2 venceram, na Malásia e na província norte-irlandesa.

Os estadunidenses militarmente no asiático sudeste venceram. Infelizmente deixaram que subversivos isto distorcessem na educação e no jornalismo e nas ditas ahrtes com o esquerdismo.

Uribe mostrou como na Colômbia vencer. O dele ex-da Defesa ministro tudo a perder colocou ao acordo com terroristas assinar. Foi pelo Povo rejeitado. Um patético prêmio abiscoitou.

Por fim, nunca por último, as Forças Armadas do Brasil militarmente derrotaram terroristas aqui. Infelizmente deixaram que subversivos prosseguissem na educação e no jornalismo e nas ditas ahrtes com o esquerdismo.

Terroristas e subversivos podem e devem e têm de ser derrotados!

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Anônimo disse...
Numa guerra irregularformada por bandos mal armados e mal-vestidos praticando sabotagens e terrorismo, é invencível pois se misturam com os habitantes ou população tornando-se totalmente invisiveis.
3:52 PM

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Absurdo!

acp

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