segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A Guerra Psicológica


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O “arsenal psicológico”, em cujo imago se situa a propagação de uma idéia e que torna todo sacrifício que se exige parecer significativo e necessário, tem o seu correlato na “guerra psicológica”. No âmbito do arsenal psicológico é a própria população, principalmente as FF AA que são visadas.

Já a primeira tarefa da guerra psicológica consiste em abalar a motivação para o serviço militar di adversário, com o argumento de que tentem convencer os soldados e a população do outro lado de que a idéia central que lhes serve de motivação é falsa, mentirosa, vazia de significação.

Quando essa idéia deriva de uma fórmula política, esta deve ser posta sob fogo cruzado e outra fórmula política deve ser posicionada, normalmente em nome da liberdade. O objetivo é tornar claro aos soldados do adversário de que uma vitória da causa porque ele luta vai representar, para ele, repressão, pelo menos em certas esferas da sua vida, subjugação e pobreza.

Quando a idéia que serve à motivação militar do adversário e baseia nos conceitos de nação e terra-mãe, os objetivos passam a ser:
- mostrar de maneira convincente como tais idéias são destituídas de credibilidade, vazas, ultrapassadas;

- substituí-las por outras idéias, será assim sustentado, que correspondem melhor à realidade e às necessidades da época. Um apelo a algum tipo  de compromisso internacional, qualquer que seja o campo, também tem aqui o seu lugar, lado a lado com o lançamento de que a suspeição de que a Nação e a terra-mãe do governo adversário são apenas disfarces para os objetivos egoístas, expansionistas e até criminosos, com que se extremam os objetivos das pessoas, sempre tão altruistas, nobres e idealistas.

Se a idéia de liberdade e libertação – independente de quem  e de que – desempenhar um papel fundamental na motivação militar do adversário o esforço da guerra psicológica consistirá em acusar convincentemente de responsável por uma onda de repressão e qualquer tipo, pretendida ou já realizada, de modo que os soldados e a população do adversário  comecem a questionar a veracidade do apelo à liberdade, em que acreditaram previa mais irrefletidamente.

O êxito será particularmente obtido se conseguir condenar o adversário aos olhos do mundo, e assim, em última análise, a própria população por repressão racista, nacionalista, social e econômica a uma minoria. Em determinadas circunstâncias, essa propaganda e tornará particularmente eficaz quando a alegada minoria reprimida for pequena e, desde o início, indefesa.

Um meio comprovado de abalar a vontade inimiga de defender, reside em mostrar a idéia – pela qual os soldados estão prontos para lutar e a população para aceitar os sacrifícios decorrentes – como utópica, irrealista; anunciar repetidamente a imutabilidade e a irreversibilidade de determinadas realidades e apelar à razão, ao senso da realidade e à sobriedade dos membros das FF AA adversárias ou da população, como um todo.

Finalmente, buscar-se-á apelar à necessidade de segurança das pessoas, particularmente pessoas desse nosso tempo. Para esse fim serão utilizados todos os méis de propaganda disponíveis para ilustrar graficamente os imensos perigos à espreita de soldados e cidadãos adversários caso o governo deles inicie, conduza ou prossiga um governo militar como planeja fazer. Nessa “operação insegurança”, as apregoadas “reduzidíssimas chances” de sobrevivência tem a sua segurança gravemente comprometida (em outras épocas tais chances seriam evidentemente maiores e só poderiam ser garantidas caso o governo caso o governo do adversário aquiescesse em ceder.

Além de tudo isso, tais ações de propaganda serão complementadas por operações terroristas para intimidar os soldados e parte da população, deixando claro o risco que estão correndo se continuarem a apoiar o governo. Se na Angola de 1969, três quintos de todos os atos de terrorismo, desencadeados do Congo e da Zâmbia por partisans, tivessem sido dirigidos contra a população negra angolana. tal “insegurança” teria significado com toda a certeza um dos objetivos básicos dessa operação de controle nitidamente centralizador.

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O texto acima é um dos capítulos do livro “A Guerra Irregular Moderna”, de autoria de Friedrich August Von Der Heydte, editado em 1990 pela BIBLIEX.
A Guerra Irregular, segundo o autor, vem substituindo, gradativamente, a guerra convencional, porquanto não se prende às leis e às normas internacionais já estabelecidas. Em sua advertência, o autor cita as diferentes formas de atuação desse tipo de guerra, que já se fez presente, inclusive na América Latina.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...

Lembro ter lido, na década de 80, artigo no caderno cultural do jornal O Estado de São Paulo, questionando a utilidade da existência de Forças Armadas em um profetizado governo global. A atual degradação salarial dos militares brasileiros não cumpriria esse plano de desmantelamento?

Anônimo disse...

Enquanto o tempo passa, os "zumbizinhos" dominados do PT continuam com as invasões das escolas, sem saber qual a realidade das coisas, correndo o risco de perderem o ENEM em troca de transformarem alguém(?) em "lider" estudantil para uma carreira política podre futura.