sábado, 1 de outubro de 2016

Déficit da Petros atinge R$ 25,5 bilhões


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Salgado

Finalmente, antes tarde do que nunca! A nova gestão da Petros disponibilizou, ontem, 29/9/2016, os diversos relatórios (atualização do sistema até junho de 2016) que permitem àqueles que tem algum interesse em acompanhar/analisar/reclamar o que está ocorrendo com o seu investimento de uma vida toda (traduzido aqui no pagamento dos seus benefícios), que o façam.

As notícias não são boas, o déficit, desmentindo o que publicou o Sr. Henrique Jäger, ex-presidente da Fundação, saltou 12,83% entre dezembro/2015 e junho/2016. Ou seja, o que estava ruim, na verdade ficou muito pior. Em números, o PPSP que fechou 2015 em negativos R$ 22,6 bilhões, atingiu em 30/6/2016 negativos R$ 25,5 bilhões.

Sem publicar qualquer relatório para sustentar a informação, aquele ex-presidente, em maio/2016 apontou uma rentabilidade de 5,50%, valor acima da meta atuarial. Pintou o barraco que estava desabando com tintas extravagantes para esconder o que estava ocorrendo.

Sequer sentamos para discutir o iminente equacionamento do déficit de 2015 que seremos chamados a cobrir a partir de 2017 e assistimos nossos benefícios se corroerem vertiginosamente. Para piorar, temos a proposta indecorosa de aumento zero no benefício, contra um IPCA no período de 8,97%. O IPCA está calculado atuarialmente na recomposição anual dos benefícios, seja para repactuados, seja para os não repactuados. Portanto não é esse aumento que impacta nossas contas na Fundação.

Ao não recebermos essa recomposição a partir deste mês de setembro, significa um novo prejuízo, igual ou maior ao do equacionamento que iremos cobrir. Pagaremos a conta duas vezes e a Petros, como verdadeira cafetina se locupletará com a nossa desgraça, 25% dos participantes não repactuados estão nessa situação. Tudo isso porque não concordamos com a forma que queriam nos impor para abrirmos mão dos nossos direitos.

O STF retirou o aposentado da discussão dos seus benefícios nas varas trabalhistas e o empurrou para a justiça comum, porém ele continua a depender dos ACT´s. Isso é mesmo uma grande incoerência.

Dolorido em tudo isso é o comunicado simplista feito pelos conselheiros eleitos. Estão mais preocupados em assumir a paternidade pela publicação dos relatórios que a Petros fez ontem ao invés de explicar o salto dado pelo déficit. A perspectiva contínua de alguma eleição provoca a cegueira nos eternos candidatos. Cobramos isso em representação enviada à PREVIC que, para variar, tentou se esquivar da resposta, obrigando-nos a reiterar o assunto em 16/9/2016, conforme anexo.

O mercado de ações deu uma vigorosa recuperada no primeiro semestre de 2016, o que desmente totalmente o que eles vêm afirmando sobre a responsabilidade da renda variável na sua composição. O índice Bovespa fechou em dez/2015 em 43.662 e atingiu o valor de 59.621 em 29/9/2016, portanto 34,6%de valorização no período. E agora José?

O grande problema, quase que insanável, da nossa renda variável é a sua completa falta de liquidez. Ao se olhar a rubrica Participações percebe-se claramente o problema que está deixando o plano de pés e mãos amarradas, com possível queima de ativos saudáveis e com total liquidez para saldar compromissos do PPSP.

Nem tudo, porém está perdido, ao menos a nova diretoria da FUNCEF, ao invés de se manter paralisado pelos problemas, está tomando coragem e se propõe a fazer aquilo que vimos cobrando das diversas gestões da Petros, incluindo esta nova, agora presidida pelo Sr. Wálter Mendes. É chegada a hora para varrermos a sujeira que se incrustou embaixo dos tapetes. Não temos mais tempo para aguardar, Sr. Presidente da Petros. Necessário levantar os responsáveis e cobrar-lhes os atos temerários praticados contra os donos da Fundação Petros.



É evidente que há mais culpados externamente, gente totalmente acovardada, que se esconde atrás de seus cargos e não fiscaliza as Fundações como é da sua competência. Discursam para plateias vazias ou descompromissadas com o problema e o resultado é esse. Muda governo e o festival de safadezas perdura.Contra eles porém a briga é mais difícil, assim só nos resta juntarmos forças e fazermos nossa parte.

Sr. Wálter Mendes, o Efeito Greenfield tem alguma chance de provocar na Fundação Petros, agora sob sua inteira responsabilidade, resultado semelhante ao que está ocorrendo na Funcef?

Apesar da sua entrevista (em anexo), da qual retirei a observação colada abaixo, evidente que não dá para enxergar algum resultado dessa sua afirmação. A única notícia que temos é até frustrante, pois a Operação Greenfield foi resultado exatamente de investimentos feitos pelas Fundações, incluindo a nossa, que provocaram rombo de R$ 868 milhões em 2015, situação de fato investigada pela Ernst & Young mas que teve o relatório, já finalizado, engavetado por conta da gravidade das questões apuradas.

Aliás os conselheiros eleitos vêm cobrando o assunto e só estão encontrando respostas evasivas.

Sérgio Salgado é Aposentado da Petrobras.

Um comentário:

Sérgio Alves de Oliveira disse...

Esse enorme rombo e tanta roubalheira nos fundos de pensão,com muita gente da política e do governo envolvida,jamais poderia ter ocorrido sem a participação direta dos dirigentes do fundos,por ação ou omissão. Na verdade ninguém que estivesse fora da gestão direta dessas entidades,conforme previsto nos seus estatutos , teria poderes e competência para representá-las nos seus negócios,inclusive nos investimentos dos seus ativos. Os fundos de pensão têm personalidade jurídica própria de direito privado,distinta dos seus patrocinadores, e de qualquer órgão governamental ou partido político. Na apuração e dimensionamento das culpas, os dirigentes dos fundos de pensão responsáveis por essas "negociatas" obrigatoriamente terão que ser os primeiros a sentar no banco dos réus.Os "outros " réus terão que ser identificados conforme cada caso.