segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Desmantelamento da Esquerda


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Encerrado o segundo turno das eleições municipais no Brasil e com olhos também voltados para o cenário internacional podemos afirmar que a esquerda vive sua mais profunda crise de identidade. No Brasil ela praticamente desapareceu da opinião do eleitor e o resultado fora nada mais nada menos massacrante, isso se explica em tese pela desmoralização e nível elevado de corrupção,com a ruptura interna de tamanho imprevisível.

Mas o quadro não é apenas local,nos vizinhos países da américa do Sul a desconstrução da esquerda é mais candente, no Uruguai,Argentina,Peru, Colombia ficando um dedo no Chile cuja presidente também vive momentos de turbulência e de insatisfação popular generalizada. Qual teria sido,além da corrupção,o fator desencadeante da amarga derrota da esquerda e sumiço do mapa?

Os discursos são bons quando feitos por marqueteiros que sabem colorir o cotidiano e apresentar maravilhas para aliviar a rotina e tonificar um sentimento de vitória. O fim do financiamento privado colocou um preto e branco e total falta de recurso financeiro,sendo que candidatos mais fortes economicamente fizeram a diferença. E esse fenômeno não é apenas no Brasil,vejamos os EUA de Trump que passa momento de incerteza mas chegou até aonde está pela força do patrimônio e investimentos realizados no âmbito de lograr sucesso.

O desaparecimento das esquerdas na América do sul é um retrato profundo de sua diáspora e sequelas de organizações malsucedidas em termos de distribuição da riqueza e gastos públicos sem fim.O Brasil atingiu o déficit público de 3 trilhões de reais uma soma exorbitante para uma desaceleração enorme da produção e crescimento, pois que a visão da esquerda não se importava com o endividamento e sim com as conquistas dos menos favorecidos pelo sistema.

No entanto,o método é primário e não funciona,o papel do Estado não é de transformar pobres em ricos ou de classe média mas sim de distribuir equanimemente a riqueza e não a miséria. Na gestão que tivemos o governo dava migalhas e tentou baratear a conta de luz e congelar preços de combustíveis deu no que observamos a conta de luz subiu vertiginosamente ao passo que a petroleira brasileira se afundou não apenas por essa situação, mas substancialmente em virtude da corrupção desabrida.

As esquerdas não possuem compromisso de governabilidade e sim de interinidade para fazer programas populares e demagogia nos quais operam as circunstâncias,mas não basta dar o peixe é preciso ensinar a pescar. E com a leniência em torno da corrupção a coisa piorou bastante. Ao contrário do tempo de Cristo no qual Zaqueu devolvia 4 vezes o que fora roubado aqui não devolvem nada e quando capturam o dinheiro fora do País é pouco frente aos rombos e estardalhaços provocados na corrente sanguínea da economia a qual tem estado de hemorragia e não parece melhorar.

Para manter o barco em marcha será preciso tirar muita bagagem inócua e não ficar a deriva, passo seguinte encontrar uma bússola e finalmente ter suficiente combustível para se chegar ao destino traçado. Com o envelhecimento da população e o aumento da inflação o governo se rende ao seu déficit e paga juros capitalizados para o sistema financeiro e também em cascata cobra dos estados e municípios,um verdadeira ciranda financeira e um circulo vicioso que se retroalimenta até um dia o momento definitivo da autofagia.

As esquerdas estão desmanteladas pois não organizam o Estado,não geram riqueza,não se ocupam com o bem estar da sociedade,e não conhecem regras elementares de competência,fugindo dos mercados avançados, barateando-se no populismo do Mercosul ou no antagonismo dos Brics. O Brasil é seguramente maior que sua crise mas a visão do governo prejudicou e muito ao desígnio de manter emprego e de formar massa de trabalho capacitada.

A tempestade criada pela justiça do trabalho é inigualável com milhões de demandas e um custo absorvido exclusivamente pela União, desde aquele ganha salário mínimo até o que recebe 40 mil ao mês e depois se dirige na justiça especializada para demandar em torno do seu direito. A ruína da esquerda vem numa hora adequada para o centro se reforçar e a direita não embaralhar planos, ideias e soluções, toda radicalização é imprópria e os exemplos parte dos EUA e de alguns países europeus.

Na modernidade da tecnologia e na revolucionária globalização poucos lugares do planeta poderão construir uma democracia voltada para esquerda. Enfim, num mundo financista e de um capitalismo exacerbado,o papel do Estado consiste em saber tributar, distribuir e matar a corrupção, infelizmente os que nos governaram há pouco não souberam fazer a lição de casa e as urnas foram a voz viva do povo.

Carlos Henrique Abrão doutor pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, é desembargador do TJSP 


Laercio Laurelli – Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (art. 59 do RITJESP) – Professor de Direito Penal e Processo Penal – Jurista – articulista – Idealizador, diretor e apresentador do programa de T.V. “Direito e Justiça em Foco”

Um comentário:

Anônimo disse...

Encerrada as eleições tudo continuará na mesma pois o judiciário vai continuar em todos os municípios dos estados no comando das patifarias que independem de partidos, restos de loteamento são pleiteados, o judiciário concede, o prefeito desapropria e indeniza todos saem com o bolso cheio, narcotráfico, contrabando, jogos ilegais e outros cambalachos tudo pelos 4 poderes...