domingo, 16 de outubro de 2016

E La Nave va...


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

A comunidade científica brasileira se aloja numa torre de marfim, no interior da qual  a sociedade não sabe bem o que se passa. Ao formular  humildes desculpas às exceções que toda regra implica, os que lá se abrigam são, via de regra, extremamente vaidosos, hedonistas  e rastreadores de congressos sobre as respectivas áreas, realizados em grandes metrópoles, regiões exóticas e prístinas, de preferência no exterior, cujos resultados para a população, origem dos recursos, via órgãos de apoio à pesquisa, como o CNPq, são praticamente nulos e, na maioria das vezes, servem somente para que nossos paladinos acadêmicos acrescentem nada além de um termo às equações ou uma frase aos relatórios de "papers" já apresentados em outra ocasiões, todos eles filhotes de um trabalho inicial, normalmente elaborado há décadas, garantindo assim a  perpétua  aprovação à participação nos encontros subsequentes.  

Em épocas difíceis, seus mais jurássicos representantes, transformados através dos tempos em eminências pardas da pesquisa científica, vêm a público e tentam restabelecer os generosos canais que, por alguma razão, secaram, ameaçando seus projetos turísticos, e passam a lançar boias salva-vidas de apoio aos que mantinham ininterrupto o fluxo de  privilégios, ou tentam encontrar novas fontes dentro do esquema de poder. 

No caso brasileiro, os mecenas oficiais anteriores estão afastados por terem sidos pegos na contravenção, como bandidos comuns, por fazerem parte de um esquema de corrupção e roubo de estatais, sem paralelo no mundo. 
No momento, são questionados por um certo juiz federal de Curitiba e investigados por uma equipe de procuradores que, volta e meia, no fragor da juventude, se excedem e expõem suas razões com cores exageradas. 

A tribo corrupta foi afastada e um dos jurássicos, temendo a inevitável revisão das prioridades, motivada pela crise decorrente do desgoverno passado, resolveu sair em sua defesa e se fez acompanhado, para auxiliar nas argumentações  de um personagem ressuscitado, padre dominicano, contemporâneo de artistas e cientistas renascentistas, decidindo, por meio de um texto histérico publicado em jornal de grande circulação, de certa forma, ameaçar o juiz com o fogo, como aconteceu com seu ídolo histórico que  também se notabilizou por denunciar a corrupção na igreja católica mas que se diferencia, segundo o nosso doutor, do magistrado  paranaense pela imparcialidade, atributo que nega ao patrício, acrescentando estar ele a serviço de poderosos partidos políticos representativos da "Zelite"  que extirpou do poder os inocentes antigos mantenedores, e que provavelmente será também por ela descartado, logo que seu arrivista líder contraventor for condenado, interrompendo, na sua visão, a corrente de nutrientes que  mantém vivo o algoz judiciário. 

Infelizmente, é assim que age nossa elite científica quando sai da torre e luta pela sobrevivência de suas vantagens. 

E la nave va...


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado 

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