quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Legadobama


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Ao término de oito anos de mandato do Presidente democrata Barack Obama, o seu legado não é muito animador e muito menos auspicioso. Assistimos ao crescimento da concentração de riqueza por grandes corporações, o surto desenfreado da pobreza, refugiados perambulando
por todos os cantos do planeta, uma América Latina falida pela esquerda despudorada em saquear o dinheiro público e mais tratados de protecionismo e uma forte interrogação na incógnita da disputa atual entre Trump e Clinton.

Sem duvida alguma falhou. O presidente norte americana focou em proteger somente o quintal da América do Norte e se esqueceu literalmente das nações mais pobres como o continente africano e também dos latinos. Afora isso uma guerra sem tréguas do estado islâmico e o fracasso com relação à primavera árabe. A reconstrução da economia pós 2008 trouxe um amargo sabor da desconstrução em vários países e faixas de fronteiras dos continentes.

A guerra fria aumentou sensivelmente e não tivemos a capacidade da capilaridade de parceiras internacionais, alias nos montamos nos Brics e no Mercosul, hoje em crise e sem perspectivas de futuro. A geopolítica norte americana priorizou o Transpacifico, se aproximando mais da China e India aumentando as disputas com a Rússia e com um aperto de mão em Cuba cuja reação futura é por todos desconhecida.

No entanto, os ataques terroristas tiveram uma incursão jamais vista nesse tempo, notadamente na Europa e todas as tentativas de por fim não obtiveram sucesso, na medida em que a indústria bélica tem seus interesses em disputa e as duas potencias China e Russia fazem um verdadeiro tour de force contra os americanos.

A pobre e desolada américa latina se ressente de uma política firme, constante e sólida de crescimento, além da forte concentração de renda e projetos políticas publicas sociais em declínio, afora as crises governamentais que fazem implodir os laços de miséria. Dizem que os democratas espelham mais a cara do Brasil e não os republicanos, mas não foi assim com Obama, diga-se de passagem, um talento formado em Harvard criador do obamacare e com grande tirocínio e discernimento nos conflitos, mas não foi o que se viu pelo menos doméstico entre policiais e negros dos EUA.

A radicalização toma susto e saltos de qualidadade: de um lado uma direita perigosa e doutro uma esquerda também sem fundamento na Europa querendo dar lições de governança e pujança. Em quem confiar ou acreditar eis a questão. Seguramente a globalização e o crescimento quase mórbido das corporações colocou em frangalhos o Estado e dilacerou as vísceras da democracia colocando a nu a incapacidade de gestão e a dificuldade de integração entre os mercados.

As empresas brasileiras cada vez mais endividadas e o capital nacional pulverizado nas mãos de empresas estrangeiras o leque de opção é diminuto e não temos como reagir diante de tantas circunstancias que pipocam mundo afora. Agora estamos abertos ao dialogo e a expansão das fronteiras ,cedo ou tarde teremos que fazer a lição de casa e sem hesitação mostrar ao mundo do que somos capazes e aumentar nossas exportações, cuidar do agronegócio e ter infraestrutura convincente.

E tudo dependera de um fator fundamental por cobro a despudorada corrupção e os laços de compadrio entre o estado e as empresas. Desmontar essa bomba de um relacionamento espúrio sem risco e de lucratividade abusiva a custa da coletividade teve um preço salgado e que gerará crise por uma década pelo menos de acordo com os especialistas.

Não nos aproximamos das grandes potências, exceto na copa do mundo e nos jogos olímpicos, ambos já passaram e ficarão as imagens carcomidas de gastos públicos, propinas e supérfluos, além de excessos que um dia terão de ser pagos ou pelos estados ou pela União.

Seja muito benvinda crise brasileira, do modelo federativo e do conceito republicano,para que as comunas fiquem desatreladas dos estados e esses da União, cada um deles construa sua independência e autonomia financeira com o olhar sempre voltado para a sociedade civil e a população carente de tudo, de empregos e de uma boa prestação de serviços.

Marchamos no escuro, agora talvez há um facho de luz que ilumina o fundo do túnel, mas de qualquer sorte o estranhamento com as grandes  potencias e notadamente com os americanos nos levou à bancarrota.

A sucessão norte americana comprova o fim de bons políticos e a tragédia que o poder econômico pode provocar principalmente na política e no aspecto da governabilidade.

Dessa forma se não mudarmos as expectativas e a cultura da lei de Gerson dificilmente reconstruiremos as pilastras do desenvolvimento e do crescimento nacionais.

Carlos Henrique Abrão doutor pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, é desembargador do TJSP 


Laercio Laurelli – Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (art. 59 do RITJESP) – Professor de Direito Penal e Processo Penal – Jurista – articulista – Idealizador, diretor e apresentador do programa de T.V. “Direito e Justiça em Foco”

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