quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Os políticos e a reforma da previdência


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gilberto Rodrigues Pimentel

O País permanecerá no vermelho até 2021, alertam analistas econômicos, acrescentando que somente a PEC do Teto de Gastos não será suficiente para conter o desequilíbrio de caixa. Encargos com Pessoal e com a Previdência são os maiores vilões das contas públicas. É Raul Veloso, um dos mais sérios especialistas que há no País nessa área, quem afirma que a reforma da Previdência deveria vir na frente. Diz ele que, sem uma completa mudança de rumo, não há teto que sobreviva. Seria a falência total do Estado.

O problema reside em como enfrentar assunto tão explosivo, sobretudo depois que a operação Lava Jato escancarou para toda a sociedade aquilo que de certa forma já se conhecia há muito tempo: o sistema político brasileiro está completamente apodrecido. Para confirmar tal assertiva é suficiente verificar quantos parlamentares têm contas a acertar com a Justiça.

Ora, para mim, é pura ilusão imaginar que se possa mexer impunemente naquilo que alguém tenha conquistado com luta e suor, no decorrer de uma vida inteira, para si e para sua família. Mesmo que se possa invocar que seja esse o único caminho para a salvação do país. Ainda mais quando se sabe que nesse Congresso, comprovadamente, existem desonestos e até ladrões, muitas vezes envolvidos em crimes contra a própria Previdência.

Qualquer cidadão comum precisa trabalhar 30 ou 35 anos para se aposentar. Os políticos brasileiros não são cidadãos comuns, como afirma a revista Congresso em Foco, e asseguram pensão especial com muito menos tempo. Para eles, não há nem fator previdenciário. Afirma, ainda, a revista que existem no Congresso, cerca de 250 deputados e senadores que alcançaram a aposentadoria a partir de oito anos de contribuição. A despesa é paga pelo contribuinte. A lista de deputados e senadores aposentados apresentada pela revista é imensa, vários deles recebendo R$ 33.763,07 a cada fim de mês. É isso mesmo, amigo, não há engano.

Duvido muito que os parlamentares tenham legitimidade para mexer no bolso alheio sem começar pelo seu próprio, que nem chega a ser deles em alguns casos. A Reforma da Previdência, de tão importante, deve ser vista hoje como a Mãe das Reformas, pois põe em jogo tudo aquilo que constituiu o sentido da vida de cada um de nós e também daqueles que de nós dependem.

Tratar de tema tão sensível não é para qualquer um, é coisa para líderes e estadistas de fato. Coisa rara hoje em dia entre nós. Grandes homens sabem muito bem que o sacrifício de um povo só se exige depois que o seu próprio ficar bem caracterizado. Tenho assistido a muitos debates técnicos sobre o tema, mas creio que pecam os analistas por deixar de lado esse aspecto essencial da questão.


Gilberto Rodrigues Pimentel, General, é Presidente do Clube Militar.

2 comentários:

Martim Berto Fuchs disse...

1-Fim de todos privilégios. Não somos a Índia para estar divididos em castas.
2-A Previdência Social tem que trabalhar visando os seus contribuintes e por tabela, toda sociedade.
3-Não pode ser usada pelos governantes de plantão. Estes tem que ser proibidos de se utilizar dela, ainda mais com fins políticos, como até agora.
4-Os administradores da Previdência Social deverão ser encarados como com as mesmas responsabilidades dos chefes dos Poderes. Não é lugar para afilhados políticos, pior ainda quando IGNORANTES e capachos.
http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2016/02/69-fips-fundo-de-investimento-e_2.html

O SOMBRA disse...

NÃO MEXAM COM QUE ESTÁ QUIETO!