segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Por fora, mas sincera


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant´Ana

Entre estudantes que ocuparam uma escola no Espírito Santo, uma menina espevitada sentenciava diante das câmeras de TV: "Essa PEC [241] congela os gastos públicos por 20 anos e..." É claro que falava com sinceridade. Tão sincera quanto enganada! Mas quem terá metido aquilo em sua cabeça?

Roberto Freire, deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS, escreveu: "A esquerda mais avançada, conectada ao século XXI e ao mundo do futuro, defende, neste exato momento, o ajuste econômico e a responsabilidade fiscal propostos pelo governo de Michel Temer para tirar o Brasil do buraco. Apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, que busca racionalizar os gastos públicos, não é uma bandeira empunhada por esquerda ou direita - mas por todos os que temos compromisso com um país mais justo, sustentável e digno para os seus cidadãos. E esse é apenas um dos exemplos que evidenciam a diferença entre uma esquerda autoritária, arcaica e dogmática e aquela mais democrática, dinâmica e plural."

Evoco Roberto Freire de cujo esquerdismo ninguém duvida. Aliás, a menina espevitada não deve saber que ele foi, em 1989, o candidato do Partido Comunista Brasileiro à Presidência da República. Será um reacionário?

Freire tem razão. Apoiar a PEC 241 não é bandeira de direita nem de esquerda, mas de quem quer reduzir desigualdades coibindo abusos e tornando a economia equilibrada. Ora, a PEC "busca racionalizar os gastos públicos", como diz ele. Mas não congela: fixa um teto para os gastos. Noutras palavras, submete as despesas primárias da União a um teto determinado pelos gastos do ano anterior corrigidos pela inflação. Detalhes que esconderam da menina espevitada...

Não é que a PEC não mereça reparos. E não se dirá que é a redenção de todos os males. Até porque, sozinha, de pouco ou nada adiantará. Mas quem, sem motivação meramente ideológica, estaria contra a sua existência? Como ser contra uma regra que diz "se não há dinheiro, não faça dívidas"? Olhem para a Venezuela, que tem as MAIORES JAZIDAS DE PETRÓLEO DO MUNDO. Governada por cabeças de grêmio estudantil que ignoram o que seja "responsabilidade fiscal", acabou afundada na maior miséria econômica e política. Tanto lá (com o chavismo) quanto aqui (com o PT e assemelhados), a cartilha aplicada é a do Foro de S. Paulo. Sim, eis a infeliz coincidência: as lideranças que atacam a PEC 241 são as mesmas que defendem o regime venezuelano. Toda a gritaria é feita pelos bolivarianos, que afundaram o Brasil.

Os meninos que estão "ocupando" escolas - que jamais se revoltaram contra o péssimo ensino praticado por seus professores - fariam melhor se parassem de brincar de revolucionários e fossem estudar um pouco.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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