segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A China depois de Mao


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi publicado no livro “História do Marxismo – O Marxismo Hoje”, escrito por Eric Hobsbawn. O texto é de autoria de François Godement, Professor de Ciência Política desde 1992, François Godement recebeu nomeações de ensino na Universidade da Califórnia , no Instituto Nacional de Línguas Orientais e Civilizações (INALCO) até 2006, no Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI) 1985-2005, e em Sciences Po, Paris.

É graduado pela Ecole Normal e Supérieure de la rue d'Ulm (Paris) , Foi estudante de pós-graduação na Universidade de Harvard  e tem um Ph.D. na história contemporânea. Sua pesquisa centra-se em assuntos estrangeiros da China, fatores domésticos de concepções estratégicas e internacionais da China.
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Analisar a evolução atual do marxismo na China é, por causa dos limites incertos do objeto a definir, uma tarefa bastante árdua. Existe, com efeito, um primeiro estágio do marxismo, ligado às vicissitudes políticas de modo muito mais estreito do que ocorreu outrora na Europa Ocidental ou na Rússia. Esse marxismo,modelado pelas necessidades da luta, surgiu por volta do final dos anos 30 e, embora resultado de uma elaboração coletiva, foi difundido e conhecido como “O Pensamento de Mao-Tsetung”.

Na realidade trata-se de um processo de síntese, no qual confluem os grandes temas do pensamento de Lenin – reatualizados em função do espaço e do ritmo de desenvolvimento da China -, fortes elementos de pragmatismo empirista – no qual é facilmente identificável a inspiração do pensamento democrático americano, de J. Dewey e W. James, dominante no início do movimento revolucionário – e, finalmente, a generalização da experiência acumulada pelo movimento comunista chinês, que tivera de enfrentar duas crises de dimensões inauditas: o fracasso dos sovietes urbanos, em 1927-1928, e a Longa Marcha, em 1934-1935. Esse primeiro tipo de marxismo começa a entrar em crise profunda durante a revolução cultural. A fase que se abre com a morte de Mao, no final de 1976, não parece oferecer elementos favoráveis a essa forma de pensamento político, que acompanha o declínio da imagem global do maoísmo.

Um segundo estágio do marxismo chinês constituiu-se lentamente, depois da proclamação da República Popular. Os primeiros anos do novo regime assistiram à edificação de um tipo de ensino superior completamente renovado com relação ao sistema tradicional: a introdução de disciplinas acadêmicas, como a história contemporânea, a filosofia, a sociologia e a economia política, ocorreu de fato por meio da adoção de modelos intelectuais provenientes da União Soviética e d movimento comunista e progressista do Ocidente.

Tratou-se, contudo, de um fenômeno de breve duração, posto em questão poucos anos depois, no início do “Grande Salto para a Frente” -1958 -, ainda que, sobretudo nos anos mais recentes, algo tenha voltado a se mover, freqüentemente por iniciativa de pessoas que, depois de terem desempenhado um papel determinante nos anos 50, reapareceram de pois de 20 anos de doloroso isolamento, não raramente acompanhado de perseguições, que recordam inevitavelmente os malefícios do stalinismo na URSS. Esse “marxismo de cátedra”, que é também um marxismo do desenvolvimento social, tem todas as possibilidades – pelos motivos que exporemos adiante – de se expandir amplamente nos próximos anos.

No momento, porém, ele deve se limitar a fortalecer gradualmente sua própria presença. Com efeito, somente há 5 anos é que voltaram a existir na China as premissas para a sua retomada, ou seja, a existência de uma Universidade capaz de oferecer um ensino aos estudantes, grupos de pesquisa ativos no campo das ciências sociais, um bom número de traduções de obras marxistas publicadas no exterior, fenômenos que desapareceram completamente durante a revolução cultural. Por isso, pode-se apenas tentar esboçar as perspectivas desse marxismo, cujas realizações concretas são bastante limitadas.

Por outro lado, as mudanças ocorridas nos últimos anos provocaram uma intensificação sem precedentes – com relação ao período posterior a 1949 – do debate político em todas as suas formas. Esse degelo, que é, em muitos aspectos, superior ao da União Soviética em 1953, introduziu elementos de marxismo implícito, capazes de fornecer a base para uma análise crítica da sociedade socialista chinesa. No interior dessa corrente crítica, é necessário operar uma nova distinção entre elementos provenientes dos ambientes reformadores do Partido, defendidos e encorajados principalmente por Deng Xiaoping, e, ao contrário, os que são resultado de uma elaboração espontânea da intelectualidade progressista e de alguns extratos populares urbanos, iniciada já durante a última fase de vida de Mao.

Os pontos de contato entre essas duas correntes começam, de fato, a emergir desde as manifestações de Pequim, em abril de 1976, quando os nomes de Chou Enlai e de Deng Xiaoping, foram contrapostos, pela primeira vez, aos dos seguidores de Mao. Mas, mesmo quando o reformismo do Partido e o reformismo dos intelectuais atuaram de modo convergente – como no caso da longa luta antidogmática que desembocou na destituição do presidente do Partido, Hus Guofeng, designado inicialmente pelo próprio Mao como seu sucessor -, as duas correntes críticas permaneceram distintas, seja por causa dos antagonismos e das ambições pessoais dos vários protagonistas, seja em função da diversidade dos objetivos concretos perseguidos por cada uma delas.

Por isso é necessário analisar mais de perto os termos da análise da sociedade feita por cada corrente, a fim de determinar melhor quais os elementos suscetíveis de fornecer um ponto de referência para um marxismo in fieri.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

Anônimo disse...











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acp

Ao lado de apresentar ao povo as barbaridades dos terroristas é necessário permitir e incentivar qiue o povo se arme e se defenda.

Os terroristas precisam enfrentar um povo em armas.

acp

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Anônimo disse...



















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O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação. Escolheu a carabina Puma .38

acp

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Anônimo disse...















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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Anônimo disse...













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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

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