quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A Pretensa Missão Histórica do Proletariado



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é um resumo da matéria “A Pretensa Missão Histórica do Proletariado”, de autoria de Jacob Gorender – que foi dirigente do Partido Comunista do Brasil -, publicada no livro “Marxismo sem Utopia”, editado em 1999 pela editora ABDR.
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Mais do que a objetividade científica, é a propensão utópica que vai se manifestar na exaltação dos atributos do proletariado para redimir toda a humanidade. Por isso mesmo, Marx e Engels não foram capazes de avaliar a grandiosidade da tarefa de que os incumbiam, ou seja, a tarefa única na história humana de fazer uma classe explorada e oprimida se converter em classe dominante, capaz de modelar a sociedade à imagem e semelhança.

(...) Esta conclusão não derivou de uma análise científica do desenvolvimento capitalista, mas de um discurso filosófico e escatológico sobre a natureza e o destino da humanidade.

A exaltação idealizante do proletariado se tornou uma constante na literatura marxista, sem precisar recorrer obrigatoriamente a paráfrases da religião ou a imperativos éticos. O proletariado seria a única classe a substituir as visões parciais pela visão da totalidade social. O proletariado seria um sucedâneo do Espírito Absoluto hegeliano, como este foi um sucedâneo de Deus.

(...) Com relação aos camponeses, Marx deixou explícita sua idéia a respeito da impotência deles na luta de classes. A forma econômica e o tipo de vida social, aos quais estão atados, impedem que os camponeses se organizem como classe de maneira independente e os incapacitam para o exercício da liderança revolucionária. A condição de classe dos camponeses não permite que sejam classe dirigente, sujeitando-os a uma representação externa a eles.

Marx e Engels apostaram no proletariado, tendo em vista os trabalhadores das fábricas surgidas da Revolução Industrial inglesa.

Em primeiro lugar, conforme salientam enfaticamente no Manifesto Comunista, seus dois autores notaram que, ao contrário de outras classes, o proletariado cresce com o crescimento da grande indústria. Superando a dispersão dos artesãos, a indústria fabril concentra e disciplina os operários. Com o desenvolvimento do capitalismo, como escreveu Marx em O Capital, também aumenta a revolta da classe operária “sempre numerosa, educada, unida e organizada pelo próprio mecanismo de produção capitalista”. Assim, o modo de produção capitalista preparava os próprios coveiros. A classe operária se incumbiria de dar fim à exploração à qual era submetida e, ao se emancipar, também emanciparia toda humanidade.

Lenin afirmou que, espontaneamente, a classe operária não chegaria à consciência revolucionária de classe socialista. Deixada a si mesma, a classe operária somente seria capaz de alcançar a consciência sindicalista, a consciência da necessidade de luta conjunta pelas reivindicações econômicas. Seguindo um curso apenas espontâneo, seria inevitável a subordinação do proletariado à ideologia burguesa por intermédio da consciência sindicalista. Uma vez que a teoria socialista era resultado unicamente da atividade da intelligentzia, a consciência revolucionária socialista deveria ser introduzida na classe operária, trazida a ela de fora para dentro.

Lenin atribuía tal incapacidade à força da ideologia burguesa, mais antiga, mais elaborada e dotada de recursos de comunicação muitíssimo maiores.
Esta argumentação visava demonstrar a necessidade do partido revolucionário, que se dedicasse não só a economia, à maneira dos sindicatos, porém, prioritariamente, a introduzir no proletariado a consciência de classe revolucionária.

(...) Porém, mais a fundo, vamos encontrar algo que os teóricos revolucionários do marxismo evitaram admitir e, no entanto, nas circunstâncias já é impossível negar. Isto é, que a classe operária é ontologicamente reformista. Toda experiência histórico-mundial demonstra que, dia a dia, no transcurso cotidiano de sua existência, a classe operária não ultrapassa as fronteiras do reformismo. Quanto mais desenvolvida e poderosa a classe operária, mais reformista é a sua conduta política, maior sua preferência pelos benefícios de possível obtenção dentro do regime capitalista e mais taxativa sua rejeição de iniciativas revolucionárias. Ou seja, a condição ontológica reformista da classe operária não se enfraquece, mas se fortalece com o seu desenvolvimento.

Semelhante comportamento não é contraditório com a posição de classe do proletariado no quadro do modo de produção capitalista.. Marx estava certo quando se dedicou a estudar o antagonismo imanente e inextirpável entre o proletariado (classe explorada) e a burguesia (classe exploradora). Mas, diversamente do que pensava, este antagonismo conduz o proletariado a lutar contra sua exploração nos limites somente da existência do sistema capitalista. O que não elimina a exploração, porém tende a aperfeiçoá-la e perpetuá-la. O fato essencial é que o movimento operário é parte integrante do mundo burguês da mercadoria e que constitui terrível engano dos marxistas atribuir-lhe uma essência anticapitalista.

(...) O crescimento do proletariado é compatível com a estabilidade do sistema capitalista e serve de índice de seu progresso. Quanto mais operários a produzir mais-valia, quanto mais florescente o regime burguês. Ao invés de criar condições revolucionárias, o crescimento do proletariado consolida a formação social capitalista, tanto sob o aspecto puramente econômico, como também sob todos os aspectos sociais, inclusive os políticos e os ideológicos. O proletariado não constitui um corpo estranho na estrutura socioeconômica burguesa, porem a integra normalmente.

O oposto se dava com a burguesia industrial no quadro de modo de produção feudal. O seu crescimento a colocava em contradição também crescente e, por fim, em choque com o regime feudal. A solução desta contradição só poderia ocorrer com a supressão daquele regime, o que veio a acontecer através das revoluções burguesas. A burguesia industrial foi um corpo estranho na estrutura socioeconômica feudal e sua expansão desintegrou tal estrutura.

Enquanto a burguesia foi uma classe efetiva e eficientemente revolucionária, o revolucionarismo do proletariado é, por enquanto, inexistente ou, quando menos, problemático. Constatação histórica da qual nós, os marxistas, precisamos extrair as devidas conclusões, se quisermos estabelecer a coerência teórica que hoje nos falta.

Constitui uma contradição lógica formal reconhecer, até com muita ênfase, que o proletariado nunca alcança, por si só, espontaneamente, a consciência de classe revolucionária e, no entanto, atribuir-lhe a missão histórica de fazer a mais radical das revoluções. Uma classe que é impotente para formar a própria consciência revolucionária, só pode ser considerada pela natureza do ser real, como uma classe também impotente para fazer a revolução.

Lenin e seus companheiros bolcheviques se esforçaram para introduzir a consciência revolucionária no proletariado russo. Tiveram tanto êxito que, no momento da tomada do Poder, em novembro de 1917, não mais do que um único dentre os 21 membros do Comitê Central do Partido Bolchevique procedia da classe operária...

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

5 comentários:

Anônimo disse...








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acp

Ao lado de apresentar ao povo as barbaridades dos terroristas é necessário permitir e incentivar qiue o povo se arme e se defenda.

Os terroristas precisam enfrentar um povo em armas.

acp

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Anônimo disse...
















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acp

O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação. Escolheu a carabina Puma .38

acp

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Anônimo disse...












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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Anônimo disse...










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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

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Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

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Anônimo disse...

Somente "intelectuais" de mentalidade tacanha não consideram um pesadelo uma sociedade que tenha como horizonte ser moldada à imagem e semelhança do proletariado.