sábado, 19 de novembro de 2016

A "Terceira Força Interessada" durante a transição para o combate


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

A dependência dos guerrilheiros a uma Terceira Força interessada é um dos problemas político-militares centrais para a chefia da guerrilha. Werner Hahlweg – a quem devemos a melhor abordagem histórica do desenvolvimento da guerra irregular ao longo dos séculos – observa com correção que a sorte dos guerrilheiros que lutaram em todas as frentes contra tropas nazistas, foi prevalentemente determinada pelas concepções políticas e militares da Grã-Bretanha e, na última fase da guerra, dos EUA, por um lado e Rússia Soviética de outro.

“A guerrilha, na II Guerra Mundial, que conquistou imensas massas de populações, conseguiu uma significação político-estratégica no conflito 1939-1945, e também cresceu até chegar a dimensões que tiveram a sua importância própria, malgrado permanecer, em última análise, como objetivo de decisões políticas internacionais de escalões mais elevados.

De uma maneira geral, a dependência dos guerrilheiros a uma terceira força interessada não se reduz no curso da guerra irregular. Ao contrário, cresce de fase para fase. Dedijer informa sobre os desesperados apelos por ajuda, feitos por Tito à União Soviética na fase de transição para o conflito aberto.

Olhando fatos passados, verifica-se que embora tivesse sido bom pra a Iugoslávia, bem como para toda Europa que esses pedidos de apoio inicialmente não tivessem merecido atenção – de modo que Tito foi forçado a enfrentar os alemães com seus próprios recursos – os relatos de Dedijer, por outro lado, demonstram o quanto o próprio Tito se considerava dependente da ajuda de uma terceira força interessada.

O problema do suprimento pelo ar – e também o da condução da guerra pelo ar – desempenhou um papel central nos pedidos de ajuda de Tito. Na verdade, na guerra pelo ar, a dependência ao suporte de uma terceira força se mostrava de modo particularmente nítido.

No momento em que o guerrilheiro começa a organizar frações de subunidades e grandes unidades para o combate aberto, a Força Aérea adversária se transforma no inimigo mais perigoso para eles. Um grupo de ação de 5 homens não pode ser detectado desde um helicóptero. Uma unidade de guerra irregular de valor batalhão, que não encontre uma adequada cobertura no terreno que a proteja da observação do ar ou que seja forçada a abandonar a sua cobertura, será detectada por qualquer missão de reconhecimento e vítima de toda aeronave de combate que ataque uma área contaminada,por suspeita, de concentração de guerrilheiros  ou que, ao arrepio da lei internacional, mas com eficácia, extinga, através de bombardeios, praticamente todo sinal de vida numa área de 300 quilômetros quadrados, ou talvez mais até.

O problema que aqui se coloca aos guerrilheiros é complexo.Por um lado, é importante que eles se cubram da observação e se protejam dos efeitos dos ataques aéreos do inimigo; por outro, existe a questão da possibilidade tanto de uma defesa ativa contra a aeronave inimiga, bem como uma compensação pela falta da sua Força Aérea própria para missões de reconhecimento, perseguição e combate – isso em conexão cerrada com a defesa aérea.

Cobrir-se da observação aérea é muito fácil: a camuflagem de boa qualidade e caráter permanente já é parte do quotidiano do guerrilheiro tanto quanto o deslocamento na escuridão. Abrigos subterrâneos oferecem uma boa proteção contra ataques aéreos do inimigo. referimo-nos antes a eles, tendo em mente um outro tipo de associação; eles são característicos de algumas guerras irregulares conduzidas ao final da II Guerra Mundial e representam uma confirmação da assertiva de Carl Schmitt quanto ao caráter “telúrico” ligado à terra, do guerrilheiro.

Uma defesa aérea ativa é muito mais difícil para os guerrilheiros. A tecnologia moderna desenvolveu recentemente uma série de equipamentos leves para tropas de montanha, portáteis mas também de grande custo, que são também apropriados particularmente, para a guerra irregular. Numa conspiração “vinda de cima” tais armas poderiam ser armazenadas, preliminarmente, em bases de suprimento.

Mas como, numa conspiração ”vinda de baixo” se pode sequer imaginar que os guerrilheiros obtenham tais armas em quantidade suficiente se não através de uma terceira força interessada? Num ou nutra situação os guerrilheiros podem conseguir capturar tais armas do adversário, por meio de incursões. Mas, por meio apenas de incursões dificilmente conseguiriam obter o  número necessário de kits completos, depois da transição para o combate aberto, particularmente no que tange a um volume adequado de munições.

Os guerrilheiros dificilmente conseguirão desenvolver a sua própria Força Aérea, ainda que em padrões mais simples, sem a assistência de uma terceira força interessada e até mesmo quando, depois da transição para o combate aberto, uma ou mais aeronaves adversárias caiam intactas em suas mãos e exista disponibilidade bastante de pilotos treinados em suas próprias fileiras. Aeronaves e pilotos não bastam. A garantia de uma manutenção adequada, as quantidades necessárias de combustível e áreas de pouso, criam mais problemas de difícil solução a longo prazo, sem a intercessão de uma terceira força interessada.

Em contraposição a isso, o guerrilheiro não precisa necessariamente, pelo menos para reconhecimento e combate, da mesma e dispendiosa aeronave de fabricação mais recente, tais como as Forças Armadas regulares dispõem hoje para a “guerra grande”. Reconstruir aviões esportivos civis bastam para essas finalidades. 

Nas últimas duas fases da guerra irregular, helicópteros e aeronaves a hélice, rápidas, leves, que transportam foguetes e são armadas de metralhadoras, são perfeitamente adequadas para o reconhecimento e para o combate porque a flexibilidade que possuem lhes permite furtar-se às armas do inimigo. Voando a baixa altitude não precisam sobrevoar seus alvos, e são praticamente invulneráveis a caças a jato.

A dependência dos guerrilheiros a uma terceira força interessada, que se torna dada vez mais nítida à medida que a guerra irregular mais se desenvolvendo, não gera efeitos apenas militares, mas também políticos, tanto no que se refere à relação entre os guerrilheiros e seus adversários, e a relação destes com a terceira força interessada, como também no que respeito às relações dos guerrilheiros com o seu poderoso patrocinador. 

O apoio crescente prestado pela terceira força interessada leva a uma tensão cada vez mais fácil de observar entre o adversário dos guerrilheiros e essa terceira força. Essa tensão, que um dia, quando o nível de apoio aos guerrilheiros escalar até o nível de um “ataque indireto” contra o adversário, pode evoluir para uma súbita explosão – politicamente, militarmente, desta ou daquela forma.O apoio aos guerrilheiros da Bósnia, prestado pelo governo da Sérvia constituiu o gatilho imediato para a irrupção da Primeira Guerra Mundial.

As relações também entre os guerrilheiros e a terceira força interessada podem ser severamente comprometidas ao longo do tempo pela dependência crescente daqueles a esta. O guerrilheiro não luta durante um período de anos pela liberdade de poder trocar apenas uma forma de submissão por outra. A história da guerra irregular do nosso século oferece muitos exemplos que evidenciam que os guerrilheiros mudaram a terceira força interessada, por medo que isso viesse a acontecer, exatamente como alguém troca de cavalo, e algumas vezes a guerra irregular teve continuidade contra o país que os havia apoiado na primeira fase. 
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O texto acima é um dos capítulos do livro “A Guerra Irregular Moderna”, de autoria de Friedrich August Von Der Heydte, editado em 1990 pela BIBLIEX.
A Guerra Irregular, segundo o autor, vem substituindo, gradativamente, a guerra convencional, porquanto não se prende às leis e às normas internacionais já estabelecidas. Em sua advertência, o autor cita as diferentes formas de atuação desse tipo de guerra, que já se fez presente, inclusive na América Latina.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

Anônimo disse...







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acp

Ao lado de apresentar ao povo as barbaridades dos terroristas é necessário permitir e incentivar qiue o povo se arme e se defenda.

Os terroristas precisam enfrentar um povo em armas.

acp

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Anônimo disse...















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acp

O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação. Escolheu a carabina Puma .38

acp

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Anônimo disse...











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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Anônimo disse...









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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

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