quarta-feira, 2 de novembro de 2016

As Forças Armadas dos Guerrilheiros


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

A guerra irregular não conhece mobilização eu comece em determinado  momento e se complete num determinado ponto do tempo. Para organizar as FF AA dos Guerrilheiros, todos os combatentes potenciais  e toda a população deve ser conquistada. A obtenção de novos combatentes reais re a massa de combatentes potenciais – a mobilização – constitui uma guerra de conquista de mentes e almas, que se desenrola ao longo de todo o tempo do conflito.

A mobilização exige tempo. Muito tempo.  Só por essa razão a guerra irregular, para usar uma expressão de MAO é “para os que têm muito fôlego”. Enquanto a “guerra grande” é labareda brilhante que, uma vez irrompida, espalha-se de imediato por todo o prédio, a guerra irregular é como fogo sem chamas que, despercebido de início, vai devastando o caminho por onde passa e devorando aos poucos o edifício.

Dentro dessas “forças armadas” de guerrilheiros que se constituem ao longo do tempo, três diferentes grupos de pessoas que participam da batalha têm que ser distinguidos – e a lei internacional deles ainda não tomou conhecimento.. O núcleo base envolvido em combates são os pequenos e operacionalmente independentes grupos de ação armada. Eles sozinhos encarregam-se dos assaltos à mão armada, sabotagem, ações terroristas execuções e outras ações violentas.

O numero total desses combatentes ativos deve ser o menor possível. Clausewitz, nas abordagens das batalhas em Vendeé, já havia destacado essa regra dos baixos efetivos da guerra irregular. Em 1808 havia 5 soldados franceses para cada guerrilheiro espanhol, na Malásia, no começo dos anos 50, nunca houve mas do que 5 mil partisans defrontando 250.000 soldados e policiais. No final dos anos 50, no máximo 30.000 guerrilheiros argelinos lutavam contra aproximadamente 500.000 soldados franceses. Grivas-Dighenis informa em seu livro sobre a luta de libertação cipriota que seus grupos ativos ao longo de toda guerra irregular na ilha, consistiam em “um punhado de combatentes” – que nunca dispuseram de mais de 100 armas automáticas e 560-600 armas de caça e a correspondente quantidade de equipamento de sabotagem.

Que se defrontou com um exército excelentemente organizado de 40.000 homens. Como regra, esses grupos de ação eram organizados e treinados para determinados tipos de missão mais adiante descritos. Seus membros são, em certo sentido, “especialistas em guerra irregular”. O efetivo e o armamento dos grupos de ação são definidos segundo a respectiva missão.

Definir efetivos com correção e obter o armamento adequado fazem parte do gênio dos guerrilheiros. Quanto menor o efetivo com relação ao adversário e quanto menos a massa da população fica do lado dos guerrilheiros tanto menor os grupos de ação devem ser, e por isso, mais bem treinados e armados.

Os grupos de ação armados necessitam do apoio de um número muito maior de simpatizantes ativos para darem seguimento à sua atividade. Os simpatizantes ativos não tomam parte em conflitos armados, mas assumem efetiva responsabilidade pela necessária obtenção de informações e pelo conhecimento do inimigo em benefício dos grupos de ação armada.

Eles refazem ligações de comunicações perdidas, transmitindo as ordens da liderança aos grupos e os relatórios dos grupos à liderança que, como regra, é por eles desconhecidos. São também eles que suprem os grupos de ação de gêneros e outras necessidades e, às vezes, de armamento que eles próprios esconderam, munições, abrigos e cuidados médicos para os feridos. Eles, em última análise, possibilitam os grupos de ação a entrar rapidamente em operação e desaparecer que modo igualmente súbito, ao lhes proporcionar locais de homizio.

Os simpatizantes ativos também representam o vínculo entre os grupos de ação e a população: eles são – conforme as instruções para o Vietminh metafórica e adequadamente definem – a “antena”, que liga o guerrilheiro ao povo.

Uma diferença deve ser estabelecida entre esses simpatizantes ativos, que são os olhos, ouvidos e a boca dos grupos de ação, e os simpatizantes passivos, cuja tarefa é nada ver, nada ouvir e principalmente nada saber. Eles apóiam os grupos de ação e os simpatizantes ativos, sendo cegos, surdos e mudos. As razões para esse comportamento – medo ou simpatia pelos terroristas – são irrelevantes.

Segundo a conhecida máxima de Mao-Tsetung, os simpatizantes são para os grupos de ação armada como a água para o peixe. Quem pretende conduzir uma guerra irregular somente com os grupos de ação e sem um número suficiente de simpatizantes, já está derrotado antes de ela começar.

O segredo do sucesso dos guerrilheiros não se esgota em eles poderem dispor de cada um dos grupos citados . Quem quiser vencer uma guerra irregular tem de conhecer as corretas proporções numéricas entre grupos de ação e simpatizantes. Simpatizantes ativos em número exageradamente grande em relação aos grupos de ação tornarão o reconhecimento mais fácil para o adversário; em número exageradamente pequeno põe em risco o reconhecimento, as comunicações e o suprimento dos grupos de ação.

Não há regras práticas definindo a proporção correta entre grupos de ação e simpatizantes ativos e passivos.  Cada operação e cada situação de per si exigirão uma proporção específica. Calcular corretamente as relações para cada caso consiste em requinte da liderança mais alta dos guerrilheiros.
Grupos de ação e simpatizantes ativos e passivos juntos formam as Forças Armadas dos guerrilheiros. Até mesmo o simpatizante passivo participou com o seu comportamento típico da guerra irregular; isto é, ele é um guerrilheiro.

Também ele é membro do partido, um militante. Tanto a liderança dos guerrilheiros como a de seus adversários têm de levar tais grupos na devida conta no seu planejamento de combate; deixar de considerá-los seria um erro desastroso para qualquer dos lados. Por outro lado, poderá custar a vida ao membro de um desses grupos se, por um momento, ele se esquecer de que é um guerrilheiro e, assim, subordinado à disciplina dos guerrilheiros.

O número de membros dos grupos de ação amada e dos simpatizantes ativos e passivos modifica-se de dia para dia na guerra irregular, não apenas por causa das baixas, mas também como resultado da troca permanente de pessoal. Os grupos de ação e os simpatizantes ativos e passivos não constituem grupos e constituição fixa e diferenciação nítida – o que é com freqüência desprezado. É característico da guerra  irregular a existência de uma permanente flutuação entre os três citados grupos, eu se distinguem somente em função das diferentes intensidades momentâneas de seu engajamento político.

Os grupos de ação são recrutados dentre os simpatizantes ativos. É somente esse intercâmbio permanente de pessoal que mantém em ação, por longo tempo, um grupo operacional. Por raciocínio análogo a transição de simpatizante passivo para ativo é fluido. Também aqui a oportunidade faz o ladrão.

Há espaços de tempo em toda guerra irregular em que os grupos de ação armada não existem. Ou os primeiros grupos de ação foram destruídos ou dissolvidos, tornando-se seus membros meros simpatizantes. A guerra irregular p estar quase paralisada. Aí, subitamente, novos grupos de ação irrompem depois desse período de calmaria, num instante de total surpresa para o adversário.

Inesperadamente, o combate subterrâneo eclode outra vez. Saber escolher esses períodos “de silêncio” e determinar com exatidão a sua duração é uma arte que o líder guerrilheiro tem de dominar. Ele tem de entender não apenas como manter em dia a liberdade de ação, mas amém que uso fazer dela. 
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O texto acima é um dos capítulos do livro “A Guerra Irregular Moderna”, de autoria de Friedrich August Von Der Heydte, editado em 1990 pela BIBLIEX.

A Guerra Irregular, segundo o autor, vem substituindo, gradativamente, a guerra convencional, porquanto não se prende às leis e às normas internacionais já estabelecidas. Em sua advertência, o autor cita as diferentes formas de atuação desse tipo de guerra, que já se fez presente, inclusive na América Latina.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

Anônimo disse...





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acp

O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação.

acp

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Anônimo disse...





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acp

Nunca existiu o falso decalogo do genocida.


Nada a ver com quê fazer:
http://www.tau.ac.il/~russia/cvs/Faculty/Halfin/chp4.doc
Trata-se de um texto sobre bolcheviques e psique.

Links mortos:
http://www.historia.uff.br/grad_discipl_hist_contemp1.php
https://www.marxists.org/espanol/lenin/1900s/quehacer/


Fácil é ver que fazer e estágio são diferentes textos, e não um só com dois títulos. Nada do falso decalogo neles consta. Leiam-se seus sumários.

quê fazer:
Contents
• Preface
I. Dogmatism And “Freedom of Criticism”
II. The Spontaneity of the Masses and the Consciousness of the Social-Democrats
III. Trade-Unionist Politics And Social-Democratic Politics
IV. The Primitiveness of the Economists and the Organization of the Revolutionaries
V. The “Plan” For an All-Russia Political Newspaper
• Conclusion
• Appendix: The Attempt to Unite Iskra With Rabocheye Dyelo
• Correction to What Is To Be Done?
https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1901/witbd/index.htm
https://www.marxists.org/espanol/lenin/obras/1900s/quehacer/index.htm
https://www.marxists.org/espanol/lenin/obras/1900s/quehacer/que_hacer.pdf
https://www.marxists.org/francais/lenin/works/1902/02/19020200.htm
https://www.marxists.org/italiano/lenin/1902/3-chefare/cf-index.htm
https://www.marxists.org/portugues/lenin/1902/quefazer/index.htm

estágio:
Contents
PREFACE 187
PREFACE TO THE FRENCH AND GERMAN EDITIONS 189
I. CONCENTRATION OF PRODUCTION AND MONOPOLIES 196
II. BANKS AND THEIR NEW ROLE 210
III. FINANCE CAPITAL AND THE FINANCIAL OLIGARCHY 226
IV. EXPORT OF CAPITAL 240
V. DIVISION OF THE WORLD AMONG CAPITALIST ASSOCIATIONS 246
VI. DIVISION OF THE WORLD AMONG THE GREAT POWERS 254
VII. IMPERIALISM AS A SPECIAL STAGE OF CAPITALISM 265
VIII. PARASITISM AND DECAY OF CAPITALISM 276
IX. CRITIQUE OF IMPERIALISM 285
X. THE PLACE OF IMPERIALISM IN HISTORY 298
https://www.marxists.org/archive/lenin/works/1916/imp-hsc/index.htm
http://www.marx2mao.com/M2M(SP)/Lenin(SP)/IMP16s.html
https://www.marxists.org/francais/lenin/works/1916/vlimperi/vlimp.htm
https://www.marxists.org/italiano/lenin/1916/imperialismo/index.htm
https://www.marxists.org/portugues/lenin/1916/imperialismo/index.htm

Isto igualmente nada do falso decalogo trata:
http://verdademundial.com.br/2013/10/a-verdadeira-historia-sovietica-documentario/
https://www.youtube.com/watch?v=79HC57EagRQ

Isto igualmente nada do falso decalogo trata:
http://resistir.info/mreview/editorial_mr_jan04.html
http://www.monthlyreview.org/nfte0104.htm

acp

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Anônimo disse...




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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Anônimo disse...


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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o

escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o

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Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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