segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Engels: A desigualdade econômica na gênese da violência


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Deixando de lado os casos patológicos, quase todos os fenômenos de violência são o resultado ou configuram a reação a uma violência original: a violência econômica. Não é casual que um dos primeiros tratados científicos sobre a violência, a “Teoria da Violência”, de F. Engels, seja desenvolvido na “Segunda Seção” do Anti-During, sob o título geral de ‘Economia Política”.

Diferentemente de Heráclito de Éfeso, origem da linha sucessória da dialética, que colocava o conflito como origem das diferenças sociais, para o conflito e a própria violência que o dinamiza não são a origem, mas a resultante da divisão social em classes. Para o pensamento marxista, a primeira violência, o fundamento de todas as violências, não se realiza no plano da força, mas no das relações econômicas.

Aquela primeira violência é perpetrada no âmbito da produção e com objetivos econômicos: é a distribuição desigual da produção. Essa desigualdade distributiva divide o espectro social em favorecidos e excluídos. A partir dessa divisão da sociedade em classes economicamente distinguíveis, a violência e controlável apenas com um forte aparato repressivo. A primeira manifestação da desigualdade distributiva é a propriedade. Para Engels a propriedade não é resultado de uma violência expropriatória, mas apenas fruto de mudanças nas condições de produção e de troca. Portanto, suas causas são especificamente econômicas e em momento algum há intervenção da violência. Pelo contrário, a violência terá como causa a existência da propriedade: “a violência poderá transformar, sem dúvida nenhuma, o estado possessório, mas não engendrará nunca a instituição da propriedade”.  

Dada essa divisão da sociedade, a classe beneficiada pela distribuição desigual da riqueza – os proprietários e exploradores – canalizará a violência como força institucional para manter o status quo e preservar sua propriedade. A classe exploradora, como dominante, se esforçará para evitar que os desfavorecidos pela distribuição consigam, como diria Engels, “transformar o estado possessório” que caracteriza essa sociedade. Esse esforço se materializará no uso da violência, na formação de um poder armado destinado a proteger os interesses da classe privilegiada. Mas esse poder não pode surgir como uma “organização armada espontânea”, do seio da sociedade, mas como “força pública especial”, pois, como adverte Engels: “Esta Força Pública Especial se faz n porque desde a divisão da sociedade em classes é impossível uma organização armada espontânea da população”. É a força que Lenin denominará ”destacamentos especiais de homens armados” em oposição à população organizada e espontaneamente armada. A presença dessas formações denuncia a existência do Estado. Esse não é um artifício externo à sociedade nem uma de suas características inevitáveis. Ele surge do seio da sociedade como garantia da ordem violenta imposta pela divisão social em classes. Como diz Engels:
    
- “O Estado não é, de modo nenhum, um Poder imposto de fora à sociedade; tampouco é “a realidade da idéia moral”, como Hegel afirma. É, isto sim, um produto da sociedade em determinada etapa de desenvolvimento; é a admissão de que essa sociedade se envolveu numa contradição insolúvel consigo mesma, cindiu-se em contrários inconciliáveis que ela é impotente para banir. Mas para que esses contrários, classes com interesses econômicos em conflito, não se devorem e à sociedade numa luta infrutífera, tornou-se necessário um poder, que aparentemente está acima da sociedade, que abafe o conflito e que o mantenha dentro dos limites da “ordem”; e esse poder, nascido da sociedade mas que se coloca acima dela, e que cada vez mais se aliena dela, é o Estado”.

Se o Estado é a organização e a administração da força repressora, sua manifestação é, simultaneamente, produto e denúncia da existência de contradições inconciliáveis no seio da sociedade: “O Estado surge precisamente, onde, quando e na medida em que as contradições de classe objetivamente não podem ser conciliadas. E inversamente: a existência do Estado prova que as contradições de classes são inconciliáveis”(Lenin).

Nessa perspectiva, o Estado funcionaria como árbitro entre as classes antagônicas, procurando o equilíbrio e a harmonia entre elas. Porém, a única harmonia possível baseia-se na igualdade distributiva. Esta eliminaria, de uma vez, a cisão social, a existência de classes e, concomitantemente, o próprio fundamento do Estado. A função deste é justamente reprimir a violência desencadeada pela desigualdade distributiva que lhe é inerente. Daí que o Estado não funcione para toda a sociedade, pelo menos não no mesmo sentido, mas que esteja a serviço apenas de uma das classes, obviamente os favorecidos pela distribuição da produção. Como disse Engels:
    
- “Como o Estado nasceu da necessidade de conter os antagonismos de classe, e como ele, porém, ao mesmo tempo, nasceu no meio do conflito dessas classes, ele é, em regra, o Estado da classe mais poderosa, economicamente dominante, a qual, por meio dele, se torna também a classe politicamente dominante, e assim adquire novos meios para a repressão e exploração da classe oprimida. O Estado representativo é o instrumento de que se serve o capital para explorar o trabalho assalariado”.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

Anônimo disse...








.

acp

Ao lado de apresentar ao povo as barbaridades dos terroristas é necessário permitir e incentivar qiue o povo se arme e se defenda.

Os terroristas precisam enfrentar um povo em armas.

acp

.






.

Anônimo disse...
















.

acp

O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação. Escolheu a carabina Puma .38

acp

.






.



Anônimo disse...












.

.

acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

.


.






.

Anônimo disse...










.

acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

.

.

acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

.


.

acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

.




.




.



.




.




.



.




.




.




.



.




.




.



.




.




.



.




.




.




.


.




.




.