domingo, 13 de novembro de 2016

Falha da Inteligência


Como os Espiões Americanos falharam diante do Ataque de 11 de setembro

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

A Comunidade de Inteligência norte-americana não possuía a informação essencial quanto esta se fazia necessária – em tempo real. 
No fim de setembro de 2001, depois de duas semanas de investigações incessantes sobre os ataques terroristas ao World Trade Center e ao Pentágono, a Comunidade de Inteligência continuava confusa, dividida e incerta sobre como os terroristas operaram, quantos eram e o que poderiam vir a fazer em seguida. Havia, no entanto, um consenso: a Comunidade de Inteligência não estava nem um pouco preparada para impedi-los.

Em 23 de setembro de 2001, Colin Powell declarou na televisão que mostraria fatos convincentes ao mundo e ao povo americano, responsabilizando Osama Bin Laden pelos ataques: “Estamos reunindo todas as informações que temos; as informações da Inteligência, as geradas pelo FBI e por outras agências mantenedoras da Lei”. Mas o documento oficial anunciado com tanta antecipação nunca apareceu. Um funcionário do alto escalão da CIA revelou, na época, que a Comunidade de Inteligência ainda não conseguira informações bem fundamentadas sobre o planejamento e o financiamento das operações terroristas: “Um dia saberemos, mas no momento não temos ciência de nada”.

A princípio, os investigadores suspeitaram que os suicidas apenas haiam tido sorte. “Mesmo nos sonhos mais espetaculosos, você acha que eles seriam capazes de se saírem bem em quatro seqüestros?, perguntou um funcionário.

Um outro ponto de vista girava em torno do Pentágono e da CIA, que creditava aos seqüestradores anos de planejamento antecipado e prática, e uma campanha de desinformação depois do fato. “Era impossível detectar aqueles sujeitos – eram profissionais”, disse um funcionário logo após os ataques. “Não há mais do que cinco ou seis homens numa célula. Três conhecem o plano, os outros três, não. Eles ficaram adormecidos durante anos e anos”. É quase consenso que os terroristas tinham um grupo de apoio, e o fato de o FBI não conseguir identificar os companheiros que foram deixados para trás nos EUA, foi imediatamente visto como outra evidência de um planejamento cuidadoso.

Muitos investigadores se perguntaram se algumas das primeiras pistas descobertas sobre a identidade e a preparação dos terroristas – como manuais de vôo – não foram deixadas de propósito para serem encontradas. Segundo especulou um ex-funcionário de alto nível da Inteligência na época: “Qualquer vestígio deixado para trás foi largado deliberadamente, para que o FBI seguisse a pista”.

Os ataques questionaram o quer os investigadores acreditavam saber sobre a capacidade de Osama Bin Laden. “Esse cara fica sentado numa caverna no Afeganistão, e é ele que está por trás da operação?”,perguntou um funcionário da CIA. “É grandioso demais. Ele não pode ter agido sozinho”.
A CIA de 2001 não conseguia dar conta do trabalho. Desde a dissolução da União Soviética, uma década antes, o órgão vinha se tornando cada vez mais burocrático, pouco disposto a passar por riscos, e promovera funcionários que compartilhavam desses valores (“A consciência da complacência”, disse um funcionário). Reduzira com regularidade a confiança no pessoal da Inteligência que trabalhava no exterior e restringira o número de funcionários membros do serviço clandestino, agora conhecido como Diretório de Operações, ou DO, cuja missão é recrutar espiões.

Não seria fácil colocar os agentes de volta no campo. Durante a Guerra Fria, agentes da CIA foram indicados como funcionários da cultura ou diplomacia em embaixadas americanas em grandes cidades e muito de seu trabalho foi desenvolvido em eventos sociais. Agora, no Afeganistão ou em qualquer lugar do Oriente Médio, para a CIA ser eficiente teria que falar a língua local e ser capaz de se misturar. O agente não deveria ter nada em comum com os americanos ou com a embaixada americana, caso houvesse uma. Sua identificação poderia significar a morte. Na época dos ataques é possível que não houvesse um único funcionário nessas condições, operando nos círculos fundamentalistas islâmicos.

A reputação da CIA foi mais atingida ainda após o 11 de setembro, pelo que se provou ter sido uma série de alegações extremamente mistas sobre o Centro de Antiterrorismo da CIA, fundado em 1986 depois de uma onda de bombardeios internacionais, seqüestros aéreos e raptos.
Mas o CTC (do inglês Counter Terrorism Center – Centro de Antiterrorismo) não estava autorizado a recrutar agentes estrangeiros ou lidar com eles.

Essa tarefa era do DO (Diretório de Operações) e das bases no Oriente Médio, que tinham suas próprias prioridades. Em 1986, Robert Baer, que falava árabe e era considerado talvez o melhor agente de campo no Oriente Médio, foi recrutado pelo Centro Antiterrorismo. Em suas memórias – See no Evil -, publicadas em janeiro de 2002, Baer retrata o que se passou após sua chegada. Em certo trecho dessas memórias, Baer escreveu: “... Em vez de combater terroristas, lutávamos contra a inércia burocrática, um inimigo implacável...”.

Em suas memórias, Robert Baer, que foi premiado com a Medalha da Carreira de Inteligência, também descreve a “preguiça letal” que tomou a base da CIIA em Paris no início dos anos 90: não se recrutavam agentes novos; “os agentes que ainda constavam nos registros haviam perdido o acesso e ninguém parecia se preocupar”. Os apartamentos foram fechados e o grampeamento cessou por todo Oriente Médio e Europa. “Nunca saberemos as perdas que tivemos ao não capitalizar sobre o colapso soviético. Os ex-funcionários soviéticos de alto escalão com informações de Inteligência e outros dados, foram repelidos. As deserções deles foram recusadas. Foi surpreendente e, ao que eu saiba, ninguém combateu as medidas”.

Pouca coisa mudou quando Bill Clinton assumiu. O CTC foi amparado com mais dinheiro e mais efetivo depois do atentado a bomba no World Trade Center em 1993, mas permaneceu uma unidade burocrática cujos funcionários não necessitavam saber línguas estrangeiras.
Após 1995 houve uma “ordem de limpeza” na CIA. Antes que um novo ativo pudesse ser recrutado, um funcionário teria que buscar aprovação de um Grupo de Revisão Graduado. “Era como um cardiologista da Califórnia decidindo se um cirurgião podia abrir um peito em New York”. 

Os potenciais agentes eram avaliados por funcionários que não tinham experiência prática em operações secretas. “Os americanos simplesmente odeiam a Inteligência”, segundo pensou Robert Baer. Na opinião dos funcionários de Operações, as armas mais importantes na guerra contra o terrorismo internacional estavam sendo avaliadas por homens e mulheres, como um dos funcionários aposentados colocou, não pegavam o carro para ir até um restaurante em Washingtoon à noite porque temiam os crimes na área.

Funcionários experientes que insistiam em continuar a recrutar espiões descobriram que obter a aprovação, mais do que convencer alguém, era questão de ir de comitê em comitê. “Você tinha que escrever tanta papelada que as pessoas ficavam mais tempo na base redigindo relatórios que nas ruas”, segundo revelou um funcionário aposentado.

Até 2001, o DO fora duramente atingido por uma serie de demissões e a aposentadorias de pessoal do alto escalão. Ao tentar reagir ao 11 de setembro, a CIA não tinha funcionários qualificados para alocar em postos em suas principais divisões e bases pelo mundo. Dois agentes aposentados foram trazidos de volta ao Serviço num sistema de rodízio como medida temporária na pequena base de Karachi, Paquistão, um foco central de atividade terrorista – Karachi foi o local onde foram assassinados dois americanos, um deles funcionário da CIA.

Um ex-funcionário do serviço clandestino de alto escalão, declarou: “Nunca resolveremos a questão do terrorismo até que o DO seja reestruturado. A primeira linha de defesa e a mais essencial é o pessoal da Inteligência”.
O ex-senador Bob Kerry, que serviu por 4 anos como vice-presidente da liderança democrata no Comitê de Inteligência, admitiu: “A Guerra-Fria acabou e fechamos o Afeganistão. Isto é, todas as operações de Inteligência foram praticamente interrompidas. De Bush a Clinton, o que aconteceu foi uma das decisões mais constrangedoras da política exterior americana; tão ruim quanto o Vietnã”.

Finalmente, já na gestão de Robert Mueller na chefia do FBI, ele próprio constatou que o FBI tem muito a melhorar. “A missão agora não é somente algemar as pessoas e jogá-las na cadeia, mas evitar atos futuros de terrorismo. Várias pessoas aqui não estão preparadas para mudar seu jeito de trabalhar e isso é frustrante para muitos agentes, com sua visão do mundo em branco e preto”. A prioridade do FBI agora é obter informação para evitar um próximo evento. A transição levará a muitas aposentadorias forçadas. Um problema inevitável é que as mudanças mais significativas de Mueller – como o recrutamento e contratação de especialistas em línguas estrangeiras, estudos de áreas e informática – não resultarão em dividendos senão em anos.

Um homem da CIA afirmou que “o escritório é maravilhoso na solução de crimes depois que foram cometidos, mas não é bom na infiltração”.
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SEYMOUR HERSH é o autor do livro “Cadeia de Comando”, de onde foram extraídos os dados que compuseram o texto acima. Desde o início dos anos 1990 escreve longos textos investigativos para o The New Yorker, inclusive um artigo presciente, em 1993, que descrevia como o Paquistão desenvolvera seu programa nuclear, e outro, em 1999, sobre o declínio da análise dos dados de Inteligência obtidos pela Agência de Segurança Nacional. Ao todo, escreveu oito livros, incluindo “Cadeia de Comando”. O livro “O Preço do Poder” permanece como a investigação definitiva sobre as atividades de Henry Kissinger durante a era Nixon.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

5 comentários:

Anônimo disse...





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acp

Ao lado de apresentar ao povo as barbaridades dos terroristas é necessário permitir e incentivar qiue o povo se arme e se defenda.

Os terroristas precisam enfrentar um povo em armas.

acp

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Anônimo disse...

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acp

O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação. Escolheu a carabina Puma .38

acp

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Anônimo disse...









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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Anônimo disse...

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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o

escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

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Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o

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Ou pesquise e publique artigo de outrem.

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Anônimo disse...

Até agora não entendi se os americanos são competentes ou negligentes com sua segurança.