domingo, 27 de novembro de 2016

Jornalismo de Opinião


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Claudio Belodi

A imprensa precisa repensar sua insaciável liberdade de expressão, ou melhor de se expressar.

O fenômeno Trump provou que a imprensa é ideológica e tem se distanciado do seu papel de informar. Quase 100% das mídias americanas e suas associadas foram derrotadas no pleito estadunidense. Venceu o white trash, justamente onde imaginavam que suas opiniões estavam sedimentadas.

E Trump não disse, mostrou. Perplexidade aos figurões da opinião.- onde erramos ou porque erramos, para justificar seus leitores. A voz do silêncio quase sempre sai vencedora, coisa que opinantes ainda não tem alcance de interpretação, porque o material que dispõe para suas afirmações é, geralmente, de flancos aficionados.

É o tal jornalismo de opinião, que se mete em todos os assuntos sem comprometimento, preservados pelo direito de expressão, cujas opiniões se julgam isentas de qualquer falácia, desde que possam se expressar como e quando quiserem.

Não, o erro é sintomático. Modernamente o jornalista não é um técnico formado para descrever notícias, mas opinar politicamente sobre fatos do cotidiano, especialmente a escola da política pública, onde todos se engajam com seu viés ideológico, com notório alcance nas massas abestadas.

Os noticiários modernos, em qualquer mídia estão recheados de opinantes, de ditos especialistas, cujos espaços são tomados, e muitas vezes na mesma página com opiniões controvertidas, que coloca o leitor em dúvida com a idoneidade da imprensa.

Os apaixonados respondem que ela se democratizou. Ora, a imprensa não precisa se democratizar, porque a garantia de liberdade de expressão já é plena democracia, o que impõe a responsabilidade de não desvirtuar os princípios de respeito com a preferência do seu público e, portanto, em suma, não incitar a intolerância.

Não se trata de um revés, mas o desacerto de particulares com visões de interesse oblíquo distorcer a informação, usando a servil imprensa como veículo de convencimento, que faz parte do leitorado pensar estar na mão certa, quando na realidade é levado coercitivamente inclinar-se a defender causas de relevância da intelligentsia.

A imprensa, com o seu direito de liberdade, não pode se julgar impoluta pelo livre exercício do ofício, isso a obriga a conter suas alocuções à própria censura, em respeito ao seu leitorado, que não deve ser enganado por supostos jornalistas, elementos indispensáveis, mas acima de tudo comprometidos com a isenção.

Poucos são aqueles talhados para não trapacear em mão única, projetando o verdadeiro sentido da informação – seja ela noticiosa, investigativa ou opinativa.


Claudio Belodi é Empresário no setor de Tecnologia e Arquitetura Ambiental. 

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