sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Maldição do Petróleo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Nada contribuiu mais para retardar o surgimento de um ambiente democrático em lugares como a Venezuela, a Nigéria, a Arábia Saudita e o Irã do que a maldição do petróleo. Enquanto os monarcas e ditadores que dirigem esses Estados petrolíferos puderem enriquecer explorando seus recursos naturais – em vez de explorar o talento e energia naturais de seu povo – serão capazes de eternizar-se no Poder.

Podem usar o dinheiro do petróleo para explorar todos os instrumentos do Poder:o Exercito, a Polícia e os Órgãos de Informação, e jamais precisam introduzir a verdadeira transparência ou a partilha do Poder. Tudo que têm a fazer é tomar posse da torneira do petróleo e conservá-la para eles. Nunca precisam criar impostos para seus povos, e por isso o relacionamento entre governantes e governados fica altamente distorcido.

Sem taxação não há representação. Os governantes na verdade não precisam dar atenção ao povo e nem explicar de que forma estão gastando o dinheiro, porque o dinheiro não veio dos impostos. Por isso, os países que se concentram em seus poços de petróleo sempre têm instituições débeis ou inexistentes.

Os países que se concentram em seus povos precisam desenvolver verdadeiras instituições, direitos de propriedade, império da lei, tribunas independentes, educação moderna, comércio exterior, investimento estrangeiro, liberdade de pensamento e pesquisa científica, a fim de obter o máximo de seus homens e mulheres. Num ensaio no Foreign Affairs intitulado “Saving Iraq from Lts Oil” (Salvando o Iraque de seu petróleo) de julho-agosto de 2004, os economistas especializados em desenvolvimento Nancy Birdsall e Arvind Subramanian mostram que “34 países menos desenvolvidos hoje em dia possuem recursos significativos de petróleo e gás, que constituem pelo menos 30% de sua receita total de exportação. Apesar de sua riqueza, no entanto, em 12 desses países a renda per capita anual permanece abaixo de 1.500 dólares. (...) Além disso, dois terços desses 34 países não são democráticos. E dentre os que o são, somente três estão classificados na metade superior da tabela de liberdades políticas compilada pela Freedom House”.

Em outras palavras, a imaginação é também filha da necessidade quando o contexto no qual se vive simplesmente não permite que a pessoa se dedique a fantasias escapistas ou radicais, elas não o fazem. Vejamos onde a imaginação mais criativa está ocorrendo agora no mundo árabe-muçulmano: nos lugares onde há pouco ou nenhum petróleo. Como indiquei anteriormente, o Barein foi o primeiro país do Golfo Árabe a descobrir petróleo, e foi também o primeiro onde o petróleo se esgotou.

Atualmente, é o primeiro Estado Árabe a fazer reformas trabalhistas abrangentes, a fim de desenvolver a capacidade de seus próprios operários, o primeiro a assinar um acordo de livre-comércio com os EUA e o primeiro a realizar uma eleição livre e honesta, na qual as mulheres têm direito a candidatar-se e a votar. E quantos países na mesma região se encontram paralisados ou, na verdade, revertendo as reformas? A Arábia Saudita e o Irã, inundados de dinheiro do petróleo.

Em 9 de dezembro de 2004, numa época em que os preços do petróleo haviam subido a cerca de 50 dólares o barril, a revista The Economist publicou um relatório especial sobre o Irã, no qual observava: “Sem o petróleo aos preços elevados de hoje, a economia iraniana estaria em maus lençóis. O petróleo fornece cerca da metade das receitas do governo e pelo menos 80% dos ingressos da exportação. Porém, novamente sob a influência de fanáticos no Parlamento, o dinheiro do petróleo está sendo usado para financiar subsídios perdulários em vez de desenvolvimento e altas tecnologias altamente necessárias”.

Vale a pena notar que a Jordânia começou a levantar o nível do seu sistema educativo e a privatizar, modernizar e desregular sua economia a partir de 1989 – exatamente quando os preços do petróleo eram baixos e o país não podia contar com doações dos Estados do Golfo produtores de petróleo. Em 1999, quando a Jordânia assinou seu Tratado de Livre Comércio com os EUA, suas exportações para esse país totalizaram 13 milhões de dólares. Em 2004, a Jordânia exportou mais de um bilhão e dólares em mercadorias para os EUA – produtos fabricados pelos jordanianos.

O governo da Jordânia também instalou computadores e internet de banda larga em todas as escolas. Ainda mais importante, em 2004 a Jordânia anunciou uma reforma exigindo bom comportamento escolar dos líderes de orações nas mesquitas. Tradicionalmente, os estudantes de ensino médio da Jordânia tinham de fazer um exame para entrar na universidade, e os mais bem sucedidos se tornavam médicos ou engenheiros. Os de piores notas iam ser líderes de orações nas mesquitas.

Em 2004, a Jordânia resolveu instituir gradualmente um novo sistema. Daí em diante, para ser líder de orações, o jovem terá primeiro que obter um grau de bacharel em outra matéria, e somente estudar a lei islâmica no nível de graduação, a fim de que um número maior de jovens talentosos entre para o clero e para afastar os que seguiam a carreira religiosa por haverem fracassado em outras. Esta é uma importante modificação de contexto que dará frutos ao longo dos tempos nas narrativas que os jovens jordanianos ouvem em suas mesquitas. “Foi preciso que passássemos por uma crise para aceitar a necessidade de reforma”, disse o Ministro do Planejamento da Jordânia, Bassen Awadallah.

Não existe melhor mãe para as invenções do que a necessidade, e os líderes do Oriente Médio somente farão reformas quando os preços decrescentes do petróleo os obrigarem a mudar seus contextos. As pessoas não mudam por ouvirem conselhos para fazê-lo. Mudam quando se convencem de que é preciso. Como dia o professor de Assuntos Internacionais da Johns Hopkins, Michael Mandelbaum: “As pessoas não mudam quando dizemos a elas que há uma opção melhor. Mudam quando concluem não têm outra opção”. Se me derem o barril de petróleo a 10 dólares eu lhes darei reformas políticas e econômicas, de Moscou a Riad e ao Irã. Se os EUA e seus aliados não cooperarem para baixar o preço do petróleo cru, suas aspirações de reformas em todas essas áreas nascerão mortas.

Há outro fator a considerar neste debate. Quando para prosperar é preciso fazer coisas cm as próprias mãos e em seguida comerciar com os demais, em vez de furar um poço de petróleo no quintal, isso inevitavelmente amplia a imaginação e aumenta a tolerância e a confiança. Não por acaso os países muçulmanos representam 20% da população mundial, mas somente 4% do comércio do planeta. Quando os países fabricam coisas que ninguém mais deseja comerciam menos, e menos comércio significa menos troca de idéias e menos abertura para o mundo.

As cidades mais abertas e tolerantes do mundo muçulmano hoje em dia são os centros de comércio: Beirute, Istambul, Jacarta, Dubai e Barein.As cidades mais abertas e tolerantes da China são Hong Kong e Xangai. As mais fechadas do mundo estão na Arábia Saudita central, onde os cristãos, hinduístas, judeus ou outros não-muçulmanos não podem expressar em público suas convicções religiosas e nem construir um lugar de culto, e no caso de Meca nem sequer podem entrar.

As religiões refinam e dão fundamento à imaginação. Quanto mais a imaginação de qualquer religião – hinduísta, cristã, judaica, muçulmana ou budista – se forma numa bolha isolada ou numa caverna escura, mas probabilidade terá essa imaginação de partir em direções perigosas. As pessoas conectadas com o mundo e expostas a diferentes culturas e perspectivas têm muito mais probabilidade de desenvolver a imaginação do 9/11. Os que se sentem desconectados, para os quais a liberdade pessoal e a realização constituem fantasia utópica, têm mais probabilidade de desenvolver a imaginação do 11/9.
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O texto acima foi publicado no livro “O Mundo é Plano - Uma Breve História do Século XXI”, escrito por Thomas L. Friedman, editado em 2005 no Brasil pela Editora Objetiva. Thomas L. Friedman conquistou três vezes o Prêmio Pulitzer por suas colunas de política externa no jornal The New York Times. É autor de três livros sucessos de vendas.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

Anônimo disse...









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acp

Ao lado de apresentar ao povo as barbaridades dos terroristas é necessário permitir e incentivar qiue o povo se arme e se defenda.

Os terroristas precisam enfrentar um povo em armas.

acp

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Anônimo disse...

















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acp

O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação. Escolheu a carabina Puma .38

acp

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Anônimo disse...













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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Anônimo disse...











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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

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