sábado, 26 de novembro de 2016

Mao Tse-Tung - A Guerra Popular Prolongada

Mao era mau e fazia o mal!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Assim como Lenin é o teórico da revolução e Che Guevara a imagem do amor revolucionário, Mao Tse-Tung pode ser considerado o formulador da guerra revolucionária dentro da corrente de pensamento marxista.
Provavelmente, ninguém mais do que ele, nessa tradição, pensou a estratégia para concretizar a máxima de que “a tarefa central e a forma mais alta de toda revolução é a tomada do Poder pela força armada, isto é, a solução do problema por meio da guerra”. Para ele, nas circunstâncias em que se encontrava a China, o único caminho possível para lograr uma situação de independência e igualdade para o povo chinês era a via armada.

O imperialismo tinha desenvolvido uma posição tão fortificada para as classes dominantes que impedia o exercício da política sem derramamento de sangue. Nessas condições, as armas constituíam, para ele, o instrumento principal de canalização da luta.

Sua história, como combatente constante das lutas deste século na China, aproximou-o tanto do militarismo que ele próprio reconhece que “há quem nos ridicularize qualificando-nos de partidários da teoria da onipotência da guerra revolucionária; isso não é ruim; é bom, é marxista”. Nas suas análises da situação de conflito, tanto da guerra revolucionária quanto da guerra contra a invasão japonesa, ele pensa a ação política e a ação militar como uma unidade.

Sua biografia, a cultura do povo chinês, a longa história da guerra nacional, as particularidades da luta de classes na China, levaram-no à seguinte conclusão: “A experiência nos diz que os problemas da China não podem ser solucionados sem as Forças Armadas”. Para pensar os problemas políticos de uma perspectiva bélica, ele se aprofundou nos estudos militares, refletindo sobre os fundamentos e princípios da guerra. Esses princípios, que ele reformula para adaptá-los à realidade chinesa, são simples e elementares, tão antigos como a própria história da guerra, na qual se inspira.

Sua originalidade consistiu na obediência a esses princípios e sua aplicabilidade, conforme as circunstâncias e suas mudanças, combatendo as tendências conservadoras e aventureiras que ameaçavam a reta condução da guerra. Talvez o longo tempo em que conviveu com a guerra, desenvolvendo simultaneamente as tarefas de comando militar e político, o tenha influenciado na sua definição da política com uma paráfrase da célebre fórmula de Clausewitz: ”pode-se dizer que a política é guerra sem derramamento de sangue“.

Com base nessa definição, pode-se pensar que, para Mao, durante a atividade política continuam a reger todas as características da guerra, mas sem combate. Mas essas características, fora do contexto da radicalidade da luta de classes, tornam sua definição de política praticamente inaplicável. 

Um dos aspectos que ocupam a reflexão polemológica é a relação entre a guerra e a ética. A questão central consiste em determinar se todas as guerras são injustas ou se algumas podem ser consideradas justas; em que casos uma guerra pode ser moralmente justificável ou condenável; que critérios determinam a justiça ou injustiça das guerras e em que condições elas poderiam ser universalizáveis. O objetivo da teoria da guerra justa é determinar os critérios de legitimidade da guerra. Essa teoria foi juridicamente abonada pelo jusnaturalismo que se interessava pelo dever ser do direito de guerra

Em relação à natureza ética da guerra, Mao Tse-Tung se enquadra nessa teoria, que também é aceita, entre outros, por Santo Tomás, Lenin. Trotsky e o Papa, os quais consideram – obviamente por diferentes motivos - que é possível decidir sobre a moralidade da guerra, isto é, se uma guerra pode ser considerada justa ou injusta. Mao afirma que ”a história conhece apenas duas classes de guerra: as justas e as injustas. Apoiamos as guerras justas e nos opomos às injustas.

Todas as guerras contra-revolucionárias são injustas; todas as guerras revolucionárias são justas”. Mas como aplicar essa definição na eventualidade de confronto armado entre países socialistas, ambos considerados revolucionários? Lembremo-nos da tensão entre a China e a URSS, e dos combates na fronteira com o Vietnã.

É difícil definir “guerra revolucionária”. A discussão para precisar esse conceito ocupa boa parte da bibliografia das ciências sociais, com resultados discutíveis. Distinguir “guerra revolucionária”, “guerra nacional”, guerra de libertação” não é tarefa fácil, até porque pode acontecer, como Lenin já tinha percebido, que um conflito comece como uma “guerra de libertação” para se transformar, com o passar do tempo, numa guerra civil com confronto de classes, isto é, em “guerra revolucionária” , Mas em Mao não fica claro o critério pra distinguir os tipos de guerra, aliás, para ele, parece não haver diferenças essenciais.

Referindo-se à tese de Stalin, segundo a qual “na China a revolução armada combate a contra-revolução armada”. Mao afirma que: “Essa tese do camarada Stalin é perfeitamente correta. É igualmente correta para a expedição ao Norte, para a guerra da Revolução Agrária e para a atual Guerra de Resistência contra o Japão. Todas são guerras revolucionárias, dirigidas à contra-revolução e nelas participa sobretudo o povo revolucionário”.


Independentemente de sua pertinência histórica, parece-nos que esta conduz a um raciocínio circular: Qual é o critério pra uma guerra ser revolucionária? Enfrentar a contra-revolução e contar com a participação do povo revolucionário. O que é a contra-revolução? Aquela que se opõe à revolução.  O que é povo revolucionário? Aquele que participa da guerra revolucionária. Parece-nos que, sem sair do pensamento de Mao, torna-se difícil quebrar essa circularidade.
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O texto acima é um dos capítulos do livro “A Política Armada – Fundamentos da Guerra Revolucionária”, escrito por Hector Luis Saint-Pierre, editado em 1999 pela Editora UNESP. Saint Pierre é professor na Universidade Estadual Paulista.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

Anônimo disse...









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acp

Ao lado de apresentar ao povo as barbaridades dos terroristas é necessário permitir e incentivar qiue o povo se arme e se defenda.

Os terroristas precisam enfrentar um povo em armas.

acp

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Anônimo disse...

















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acp

O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação. Escolheu a carabina Puma .38

acp

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Anônimo disse...













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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Anônimo disse...











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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

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Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

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