quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O Tabuleiro de Moro


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant'Ana

O enxadrista sabe que, em muitos casos, a melhor defesa é o ataque, inclusive por aumentar o risco de o adversário, forçado a reagir, acabar cometendo erros. Pois essa é a lógica dos advogados de Lula e suas provocações e ataques a Sergio Moro. Só que há uma diferença: o xadrez, cavalheiresco esporte de fidalgos, prima pela elegância. Com regras claras, sem ambiguidades, não deixa margem a transgressões, e ninguém se vê presa de armadilhas desleais. É um decoroso embate de talentos. Já a jogada dos procuradores de Lula é outra coisa: eles buscam a brecha (pré-existente ou cavada por eles) para digerir a reputação do juiz, ou quem sabe algo ainda pior.

Os defensores de Lula maliciosamente apontam, contra Moro, a prática de "abuso de autoridade", o que, em tese, acarreta pena de prisão de até
seis meses. Por seu lado e ao mesmo tempo, legislando em favor da canalha, Renan Calheiros e seus comparsas estão empenhados em instituir pena ainda mais gravosa para mal descritos "abusos de autoridade" - lei desenhada para liquidar com a Lava-Jato.

Volto aos advogados. Ao que parece, os doutores querem levar Sergio Moro a perder a cabeça e se precipitar numa decisão que lhes faculte, a eles, alegar a suspeição, o impedimento ou qualquer subterfúgio para afastar o juiz do processo. Os advogados, nesse caso, cuidam não somente do interesse que o "cliente" tem na ação judicial (livrar-se dos crimes de que é acusado), mas também servem ao seu perverso projeto de poder.

Ora, o lulo-petismo, que é mais do que Lula, enxerga o Brasil como uma Venezuela em potencial (felizmente, não chegamos lá, do contrário Sergio Moro já estaria silenciado e não existiria a Lava-Jato). Fato é que eles parecem apostar em que algum ministro do STF possa encorajar-se a praticar "alquimia jurídica" e exarar uma decisão esdrúxula em favor do "cliente", eis por que vale a pena (pensam eles) produzir factoides, tumultuar audiências, forjar versões com o auxílio da mídia amiga, gingas de falsa malandragem, pretextos de rábula, qualquer coisa que dê azo a que algum julgador extravagante tenha a servil covardia do judiciário da Venezuela, país em que os adversários do regime bolivariano são torturados e metidos na cadeia na mais descarada afronta ao direito de defesa, o mais desavergonhado abuso de poder.

Quem já esqueceu o papelão de Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, ao conduzir o processo de impeachment de Dilma Rousseff? É verdade que a pantomima foi coletiva, com a determinante participação de senadores. Naquele ato, representando a Suprema Corte, Lewandowski reinventou um artigo da Constituição, quando seu dever era resguardar a Carta da República e impedir interpretações casuísticas.

Como se vê, a expectativa dos advogados de Lula - de provocarem decisões anômalas em favor do cliente - não está solta no ar. É por isso que eles vão seguir com sua retórica de porta de cadeia, apresentando argumentos de pouca ou nenhuma substância jurídica.

Nesse xadrez, cada qual, à sua conveniência, move as peças que lhe restam. De um lado, alguns tentam passar o país a limpo, combater a corrupção e fortalecer a democracia, ao passo que, de outro, uns quantos mostram não ter o menor constrangimento para defender seus interesses mais egoístas - como, por exemplo, deputados e senadores empenhados em anistiar o caixa dois, e criminalistas ocupados em superdimensionar as garantias de seus clientes, uns e outros trabalhando em favor da impunidade. A depender dessa gente, o Brasil será transformado no paraíso dos bandidos refinados.

Até quando? Mas até quando a maioria de boa inclinação moral vai permanecer desinformada, ressentida e limitada a criticar "os políticos" na frente da TV?


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

Um comentário:

Anônimo disse...

Por midia amiga leia-se folha de sp. Estão mancomunados com o traso comunista, mas não passarão.