quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Quem vai pagar pelo prejuízo da Daslu?


2ª Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Em mais um capítulo das versões inéditas sobre o escândalo da holding Laep Investments Ltd, o Alerta Total relata uma história surreal: a operação de bastidores articulada para causar prejuízos que forçassem a derrocada e entrega, a preço de banana ou na “mão grande”, de uma das mais consagradas marcas de luxo do País, a Daslu, adquirida em 2011, para ser recuperada.  

Em setembro de 2013, o fundo GLG/EMSS3 conseguiu em Bermudas, pais sede da Laep, uma liminar para a liquidação (falência) da Laep, mediante o argumento de que era credor de uma dívida vencida e que a empresa e sua administração, segundo uma ação movida pela PFE-CVM no Brasil, estavam praticando desvio de bens e recursos. Para impressionar a Corte de Bermudas, chegou até a transcrever textos da ação no Brasil.

Impressionada, a Corte concedeu a liminar. Os então administradores da Laep foram afastados e ela passou a ser gerida pelo liquidante. Por peculiaridades da lei de Bermudas, ele foi indicado e pago pelo fundo GLG/EMSS3 – considerado um dos mais influentes do mundo.

Passados 18 meses de muito esforço, a Laep conseguiu demonstrar que o GLG/EMSS3 tinha mentido, escondendo da Corte que o crédito que alega deter, na verdade, estava suspenso por uma decisão de Tribunais Brasileiros. Além disso, a ação da PFE-CVM contra a Laep corria sob segredo de justiça, sendo suspeita e deturpada a reprodução de seus textos.

Demonstrou também que o liquidante agia contra o interesse da Laep e de seus stakeholders, visando a entregar a D\slu de bandeja para o GLG/EMSS3. Diante das evidências, a Corte de Bermudas decidiu afastar o liquidante e a liquidação.

Possivelmente instruído pelo GLG/EMSS3, o liquidante nunca prestou nenhuma conta dos atos que praticou à frente da Laep, deixando um legado de obscuras trambicagens, cujas consequências estão sendo cobradas na Justiça.

O até então bem sucedido processo de recuperação da Daslu foi extremamente prejudicado pela ação da PFE-CVM que bloqueou os ativos da Laep, dentre eles a própria Daslu. A decisão foi provocada sob a alegação de que estaria protegendo interesses de minoritários. Na prática, contudo, o bloqueio judicial levou a Daslu a perder praticamente toda a sua capacidade financeira e creditícia, comprometendo gravemente as suas operações.

Concomitante ao bloqueio de ativos promovido pela PFE-CVM, a Laep e suas subsidiárias, Daslu inclusive, passaram a ser geridas pelo liquidante pago pelo GLG/EMSS3. Diante de tantas dificuldades, os administradores e gerentes da Daslu que tinham o direito a uma participação societária no negócio passaram sua participação adiante, na busca por novos investidores. Agiram preocupados com o agravamento da situação que temiam explodir em suas mãos.

Pessoas que só tinham experiência em gerenciar o dia-dia de um negócio de varejo, sem qualquer vivência em transações societárias, e sem poder falar com a antiga administração afastada por decisões judiciais, acabaram caindo no conto do vigário. Passando-se por experientes gestores de empresas em dificuldades, os Srs. Crezo Suerdiek Dourado e Felício Rosa Valarelli Junior ofereceram aos gerentes da Daslu substituí-los em suas responsabilidades. Na verdade, premeditavam tomar a Daslu.

Sob a falsa promessa de que iriam aportar recursos na Daslu, pagar dívidas e avais pessoais dos gerentes, os Srs. Crezo  e Felício tentaram assumir o controle da Daslu em dezembro de 2015. No entanto, além de não terem aportado um centavo sequer na empresa, descobriu-se que planejavam tomar o controle acionário da Daslu aportando em seu capital um imóvel que sequer existia.

Na justiça a Daslu conseguiu impedir a tramoia. No entanto, em sua passagem relâmpago pela Daslu, os Srs. Crezo e Felício conseguiram desviar recursos da companhia, o que agravou ainda mais sua situação.

Embasbacada com o episódio, a direção da Daslu foi pesquisar os currículos dos Srs Crezo e Felício, e tudo o que encontrou foi o seguinte:

- Inquérito Policial nº 540/2012: Investigação instaurada junto à Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro/RJ, sobre fraudes cometidas na gestão da empresa deficitária Verty.

- Inquérito Policial nº 08524/2012: Investigação instaurada junto à 16ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro/RJ, sobre crime de arrombamento de caixa de uma das lojas do Grupo Verty.

- Inquérito Policial nº 275/2012: Investigação instaurada junto à 91ª Delegacia de Polícia de São Paulo/SP, sobre falsificação de documentos referentes à venda da empresa Sweet Angel – Castor Cosméticos Ltda.

- Inquérito Policial nº 028/2016: Investigação instaurada junto a Delegacia dos Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública do Governo da Bahia, sobre falsificação e utilização de carta fiança dada em garantia ao pagamento de compra e venda do Jornal A Tarde.

- Numeração Única: 702-65.2012.811.0026: em trâmite na Comarca Cível de Arenópolis, MT, com objeto de cancelamento de matriculas do imóvel entregue em forma de integralização de capital da DSL.

Processo Disciplinar nº 0117/2014: em trâmite no Tribunal de Ética da OAB/SP, que suspendeu a inscrição de Felício Rosa Valarelli Júnior por locupletamento e ausência de prestação de contas e compensação indevida de honorários.                       

Encontrou também evidências das ligações entre os Srs Crezo e Felício e a Abrimec, associação que supostamente defende interesses de minoritários - objeto de ações judiciais movidas pelos controladores da Laep. 

A conclusão dos diretores da DASLU é que as falsas acusações da Abrimec que resultaram em ações do Poder Público contra a Laep, combinada com os desmandos do liquidante (que não somente permitiu, mas facilitou um verdadeiro golpe), poderá causar o fechamento de lojas e o encerramento dos negócios da Daslu.

Fica só uma pergunta: Quem vai pagar o prejuízo?

Colabore com o Alerta Total

Os leitores, amigos e admiradores que quiserem colaborar financeiramente com o Alerta Total poderão fazê-lo de várias formas, com qualquer quantia, e com uma periodicidade compatível com suas possibilidades.

Nos botões do lado direito deste site, temos as seguintes opções:

I) Depósito em Conta Corrente no Banco do Brasil.
Agência 4209-9, C/C: 9042-5, em favor de Jorge Serrão.

II) Depósito em Conta Poupança da Caixa Econômica Federal ou em agências lotéricas: 2995 013 00008261-7, em favor de Jorge Serrão.

OBS) Valores até R$ 9.999,00 não precisam identificar quem faz o depósito; R$ 10 mil ou mais, sim.

III) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito).

IV) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior.

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 3 de Novembro de 2016.

4 comentários:

jc disse...

Senadora fica irritadinha.........kkkkkkkkkkkk

https://www.youtube.com/watch?v=i8_B7gmnSME&feature=youtu.be

Anônimo disse...

Prezado Serrão,
Essa história absurda nos faz lembrar de outro caso absurdo, em que a empresa de aviação Panair do Brasil foi sumariamente roubada para beneficiar a Varig, nos tempos dos governos militares.
Vale a pena ler sobre o assunto!

Anônimo disse...

Quem vai pagar o preju?? Ora, os proprietários é que não.

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

.Agradeço a resposta à pergunta que formulei em outro dia; pesquisando os nomes mencionados no texto acima, cheguei à conclusão de que em hipótese alguma negociaria com qualquer um, ou ambos. É minha conclusão, friso que penso assim, que ambos são estelionatários extremamente perigosos, agindo em nome de empresas estrangeiras que vivem do estelionato. Sei não, será que os antigos métodos de coronéis nordestinos para resolverem situações similares, não seriam saudáveis e eficientes no caso presente?