sábado, 12 de novembro de 2016

Reforma do Ensino Médio, Conteúdo e Avaliação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Comecemos pela língua portuguesa, idioma oficial da República, conforme Art. 13 da Constituição de 1988, e uma das matérias obrigatórias pela Medida Provisória 746, 22/09/2016 que trata da reforma do ensino médio.
Falar, escrever e entender são as necessidades dos alunos e os objetivos de quem se propõe a ensinar um idioma. Em termos nacionais, os resultados são bons? Nossos alunos falam, escrevem e entendem o idioma pátrio no nível desejado? Se não, quais as causas?

No Exame Nacional do Ensino Médio em 2015, 53.032 participantes tiraram nota zero na redação; em 2014, foram 529.373 com esse lamentável resultado.

Já o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) demonstra que o desempenho em leitura piorou entre os anos de 2009 e 2012. Brasil, 410 pontos, 86 abaixo do primeiro colocado, 55ª posição dentre 65 países/economias.Abaixo do Chile, Uruguai, Romênia e Tailândia. Cerca de 50% dos alunos brasileiros não alcançam o nível 2, sendo que o nível máximo é 6, a demonstrar dificuldade de compreensão de texto.
Em Matemática, 391 pontos, 58ª/65 posição e em Ciência, 405 pontos, 57ª/65. Ou seja, a educação no Brasil está “bem”... na rabeira.
      
Em relação a outros idiomas, repete-se tal cenário?
Pelo distante Dec-Lei Nº 4.244/1942, Art. 11, no Ginásio, 1ª série: Português, Latim, Francês... 2ª, Português, Latim, Francês, Inglês... 3ª, Português, Latim, Francês, Inglês... 4ª, Português, Latim, Francês, Inglês...
E pelo Art. 15, no Curso Científico: 1ª série: Português, Francês, Inglês, Espanhol. 2ª, Português, Francês, Inglês... 3ª, Português...
A duração dos cursos não difere da atual; primário, admissão ao ginásio, ginásio (4+1+4=9 anos), hoje, ensino fundamental e, científico/clássico (hoje, ensino médio, 3 anos). 

Há que se pensar em flexibilizar a distribuição das matérias por curso e interesse do aluno (liberdade que a ideologia esconde), como previsto na MP e quem sabe, até abolir a avaliação dos alunos em determinadas disciplinas ou conteúdos, fazer trabalhos e debatê-los em sala de aula. Metas para os professores. Ensinar é como produzir. Na primeira semana todos os alunos devem escrever e identificar as letras a, e, i, o, u.

Despertar o interesse pela leitura na sala de aula. Professor comentando e corrigindo, ainda que passeando por expressões como anacoluto, mesóclise, hipérbato, zeugma, aliteração.  Agora, formular tal questão no vestibular “A catacrese, figura que se observa na frase “...”, ocorre em:...”. 

O processo de reestruturação do sistema escolar não pode se restringir em aumentar a carga horária e manter e/ou suprimir matérias, mas também na profundidade como devem ser exploradas, bem como o método de avaliação do ensino em especial ao nível de perguntas que sobrecarregam os alunos com conceitos e exigências típicos da “cultura inútil”, às vezes, sob impulso da valorização da disciplina e/ou ego do mestre, principalmente daquele que adora reprovar. 

Um academicismo em dissonância com a realidade da preparação para a vida. Ora, estudar um idioma por 5, 10 anos e não saber falar, redigir e compreender um texto. Não é frustrante? 
      
No passado comentava-se que os “americanos” confundiam a capital do Brasil como sendo Buenos Aires e não Rio de Janeiro. Quiçá o esforço do ensino do tio Sam não fosse decorar as capitais de todos os países do mundo e cobrar do aluno nas provas.

Quantas gerações tiveram que responder ao mestre “Quais os afluentes da margem direita do rio Amazonas?”. Óbvio que memorizar é impositivo na vida, mas que não sirva somente para a competição.

As reformas não podem se restringir a alterações nas denominações dos cursos. Nem se pretender que o país imponha uma porta estreita por onde só passem os superdotados que decoram catálogos telefônicos.

Importante. Que a sociedade reflita sobre a desconstrução da autoridade que detinham os mestres do passado. Eram respeitados e os alunos os recebiam em pé nas salas de aula. Não se via aluno agredindo o professor, nem era notícia de jornal. 


Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado Maior, reformado.

7 comentários:

Anônimo disse...

Na minha época não existia merenda, uniforme e material escolar grátis. Só os extremamente pobres é que recebiam estas benesses da Associação de Pais. Quando o professor entrava para dar aula era o maior respeito. Da diretora tínhamos verdadeira veneração. Todos os meus colegas só queriam estudar e trabalhar. Hoje são médicos, engenheiros, advogados de sucesso. Hoje em dia todo mundo quer merenda, uniformes, transportes, etc... Só querem direitos. Deveres jogam no lixo. Parabéns pelo texto. Está perfeito.

Anônimo disse...

Chinesa expõe educação comunista da América - Embaixada da Resistência (youtube).

Haroldo disse...

O primeiro problema está no comportamento dos alunos.Todas as leis criadas só dão direitos. Não há mais punição, o aluno faz o que quer.os conteúdos foram esvaziados , alunos não sabem mais fazer operações de matemática básica, são alfabetizados mas não letrados. A escola só tem um partido hegemônico o que segue a linha marxista. Como a sociedade não dá ou deu muito valor à educação, deu no que deu. Na revolução de 1964 os militares só se preocuparam com lutar contra a guerrilha física e deixaram de lado a guerrilha intelectual, a mesma que aí está hoje.vai ser dificílimo mudar agora. Só se preocuparam em ser nacionalistas, tudo é nosso e esqueceram que só bastava dizer os impostos são nossos é deu no que deu.Haroldo.

Loumari disse...

Como é visto a educação em Moçambique!

Professor : Qual é o nome do
Presidente de Mocambique?
Alunos : David Simango
Professor muito bem.
Quem escreveu o hino nacional?
Alunos : Mr Bow
Professor : Perfeito.
Quantos meses tem um ano?
Alunos : 5 meses
Professor : Ai Que lindo,
Excelente.
Qual é a capital de Mocambique?
Alunos : Laulane
Professor: Exactamente, estou
admirado convosco, estou a voz ensinar
bem.
Quanto é 2+5?
Alunos : 2+5= 25
Professor : É de louvar.
Bons meninos, vocês vão
continuar assim burros até o governo aumentar
o meu Salario.

Haroldo disse...

Loumari, parece que tanto aí como aqui a educação é só retórica. O salário não vai aumentar só a carga de trabalho.O s alunos, que Deus tenha piedade dos mesmos e da sociedade ao redor. Gostei do seu texto. Haroldo.

Anônimo disse...

Maputo .

Anônimo disse...

Há décadas, li artigo que afirmava que o gasto da elite com a qualidade da educação universal em busca de talentos, como havia feito por décadas, foi alterado, porque agora tinha método seguro de descobrir os melhores cérebros, para investir seriamente apenas neles. Esse desprezo proposital com a formação educacional foi ironizado até no desenho dos Simpsons. E a suposta preocupação democrática da esquerda com a educação é apenas a busca de ocupar espaço hegemônico na área para poder implantar a mentalidade comunista na sociedade.