segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Resenha do livro "Contra Todos os Inimigos", de Richard Clarke


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O livro relata, basicamente, as confissões de Richard Clarkle, que durante três governos foi responsável, na Casa Branca, pelo Antiterrorismo. A resenha foi escrita por Alberto Piris. Segundo o site de busca Google, “Alberto Piris Laespada (Bilbao, 1932) é um militar profissional, convertido, por azares da vida, em escritor, analista e comentarista””.

Em numerosas ocasiões tive a oportunidade de expor de que, em uma não pequena medida, BUSH teve responsabilidade nos atentados de 11-M, em Madri, embora não tenha sido convocado pela Comissão de Investigação criada no Parlamento espanhol para averiguar os pormenores relativos ao fato. Ao não haver perseguido com determinação as raízes da Al-Qaeda quando os EUA atacaram o Afeganistão, e ao haver preferido invadir o Iraque – por motivos não relativos à luta contra o terrorismo – contribuiu ao aumento do terrorismo, que acabou ensangüentando Madri.

Embora com outras palavras, o mesmo é sustentado no livro que aqui se comenta. “A guerra no Iraque foi um erro estratégico de primeira magnitude. Em vez de dedicarmos nossa energia à criação de um contrapeso ideológico para a Al-Qaeda, invadimos o Iraque e abastecemos a Al-Qaeda precisamente do combustível ideológico propagandístico que necessitava”. Combustível que se estendeu por grande parte do mundo islâmico e fortaleceu bandeiras terroristas em países muito diferentes, servindo de abono para o crescimento desta moderna praga internacional.

Richard Clarke foi o principal responsável pela luta antiterrorista na Casa Branca, durante as presidências de George H. Bush, William Clinton e George W. Bush, até renunciar voluntariamente ao seu posto em 2003 a fim de dedicar-se às atividades privadas, dentre as quais a de professor na Universidade de Harvard. Apesar disso, sua carreira política de 30 anos de serviço direto à presidência dos EUA – sempre implicado em questões de segurança – confere ao autor uma ampla perspectiva e um grande conhecimento de aspectos do Poder nos EUA.

Escrito na primeira pessoa, uma vez que é um interessante e vívido tratado de política prática, o livro é uma impressionante narrativa dos acontecimentos que modelaram a recente história da humanidade, relatada por alguém que deles participou de modo direto. Conhecer a dinâmica do Poder na primeira superpotência mundial é o que poderão lograr, após dedicar umas poucas horas à sua leitura, aqueles que não quiserem continuar sendo enganados pelas verdades oficiais.

O autor, conversando com outro alto funcionário sobre a política de Bush e seus conselheiros, se expressou assim: “Continuam sem entendê-lo. Em vez de ir com tudo contra a Al Qaeda e eliminar os pontos vulneráveis do nosso país, querem invadir o Iraque outra vez. Temos uma força militar simbólica no Afeganistão, os talibanes estão se agrupando de novo, não capturamos Bin Laden, nem seu braço direito e nem o chefe dos talibanes.

E não irão enviar mais tropas ao Afeganistão para capturá-los. Sabem até que ponto se fortalecerão a Al Qaeda e outros grupos militares se ocuparmos o Iraque? Agora não temos nenhuma ameaça iraquiana, porém 70% dos americanos acreditam que foi o Iraque que atacou o Pentágono e o World Trade Center. Sabem por que?  Porque é isso que eles querem que a Administração pense”.

Estremece saber ser essa a opinião de um alto funcionário do governo Bush, com ampla experiência antiterrorista, conhecimento interno da política dos EUA e relações pessoais do mais alto nível. Porém o livro não descreve somente a luta antiterrorista dos EUA e seus ostensivos fracassos. Critica cruamente a política exterior do país: ”Madeleine Albright , eu e um punhado de pessoas havíamos feito um pacto em 1996 para tirar Butros-Ghali da Secretaria Geral da ONU”. Admite que manipularam não só a expulsão do Secretário Geral, mas também que Kofi Annan fosse selecionado para substituí-lo. Embora seja uma coisa já sabida, é interessante recordar os manejos dos EUA para controlar a ONU.

É também interessante comprovar que os diplomatas dos EUA tinham algo de especial. “Não eram o tipo de diplomatas que se preocupavam com o protocolo de um jantar, e sim que entendiam de helicópteros armados e interceptação de comunicações”, escreveu o autor deste texto ao referir-se ao então embaixador dos EUA na Indonésia. Tratava-se de um diplomata que sabia como intervir ativamente no país onde estava acreditado e isso lhe conferia prestígio nas altas instâncias do Poder. A nomeação de Negroponte para a embaixada de Bagdad – a mais amplamente dotada de todo o mundo – está na linha dessa longa genealogia de embaixadores “paradiplomáticos”, de nefasta recordação na América Latina e outras partes do mundo.

Por muita eficácia que se deseje dar à ação antiterrorista, existe um limita insuperável em quase todos os países: a burocracia. Quando o Congresso dos EUA pretendia modificar a lei que estruturava o Departamento de Segurança Nacional (criado após o 11 de setembro), “tanto o FBI como a CIA encararam essa reestruturação como um desafio à sua autoridade.

Embora quase sempre enfrentados e pouco dispostos a compartilhar informações sobre terrorismo, a CIA e o FBI podem fazer causa comum quando enfrentam o mesmo inimigo burocrático”. Conclusão evidente: a burocracia e suas lutas internas são o melhor aliado das células terroristas. A esse respeito, algo poderia ser deduzido pelo recém criado CNI espanhol em seus atuais esforços organizativos.

Uma das mais penosas sensações que se experimentam ao ler essa antologia de política prática é o desprezo pela vida humana. Quando os EUA atacaram a Al Qaeda na Somália, Clarkle argumentou: “...Duvido que pudéssemos fazer outra coisa. Matar mais somalies inocentes não teria ajudado grande coisa”. De onde se deduz que se a morte de inocentes “ajudasse”, não se consideraria imoral, porque o prestígio dos EUA não tem preço: “Após a morte de 278 “marines” em Beirute, Reagan havia invadido Granada, para demonstrar que ainda podíamos fazer uso da força”.  Quantos granadinos inocentes morreram para reforçar o prestígio dos EUA? Em três linhas aparece clara a imoralidade de certa política exterior dos EUA: Nem sequer para justificar a ignomínia à usual razão de Estado, e sim à simples vingança pelo orgulho nacional ferido, como ocorreu após o 11 de setembro.

Clarkle desvela sem rodeios o primitivismo mental de Bush e de seu círculo íntimo: “... (Bush) buscava uma solução simples... (dos problemas).Uma vez conseguido isso, era capaz de pôr muita energia em seudesejo de lograr o objetivo. O problema era que muitos assuntos importantes, como o terrorismo, como o Iraque, eram um fino encaixe de sutilezas e matizes importantes. Esses assuntos requeriam análises, e Bush e seu círculo de assessores não tinham um interesse especial em análises complicadas, pois já sabiam as respostas aos assuntos que lhes interessavam; eram crenças geralmente aceitas”.

Os motivos fornecidos pelo governo Bush para a guerra contra o Iraque começaram com o terrorismo, foram alterados para as armas de destruição em massa em, finalmente modificados para o sofrimento do povo iraquiano.

Ao referir-se a Bush e seus imediatos colaboradores, um colunista do Partido Republicano comentou ao autor deste texto: ”Esses tipos são mais endogâmicos, herméticos e vingativos que a máfia”. Pois é com esses tipos que o presidente Jose Maria Aznar selou, nos Açores, um pacto de mútua lealdade, que comprometeu a Espanha. Sua cegueira, então já evidente, fica, de sobra, demonstrada com testemunhos tão demolidores, como os do livro aqui comentado. É de desejar que os novos responsáveis pela política exterior espanhola tenham em conta algo do que aqui se descreve.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

5 comentários:

Anônimo disse...

A exigência da sociedade ianque de garantia de proteção à vida dos soldados americanos é um exemplo de guerra assimétrica com regimes totalitários comunistas ou islamistas.

Anônimo disse...





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acp

Ao lado de apresentar ao povo as barbaridades dos terroristas é necessário permitir e incentivar qiue o povo se arme e se defenda.

Os terroristas precisam enfrentar um povo em armas.

acp

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Anônimo disse...













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acp

O EB tem, ou teve, a estratégia de resistência.

Em caso de invasão de parte do pátrio território por força não-deslocável por convencionais tropas haveria utilização de reservistas e regulares para atividades de erodição de posições.

O CIGS chegou a testar armas para tal atuação. Escolheu a carabina Puma .38

acp

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Anônimo disse...









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acp

Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

acp

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Anônimo disse...







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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o

escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

acp

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Falso! Inexiste tal decálogo!

Nunca houve catalogação de donos de armas. Os comunas distribuíram armas às mancheias ao povo nas revoluções. Depois, tiveram de pedir que as devolvessem, pois não sabiam quem as tinha!

Ao tempo dos bolcheviques inexistiam meios de comunicação de massa, nada de rádio ou tv.

lenin era um conservador em termos sexuais.

Nunca trataram de democracia.

Nunca desmereceram a Rússia

Greves realizaram.

Eram subversivos, não podiam evitar que os czaristas contivessem a subversão, as greves, as bagunças.

Não se puseram contra a moral. Não derrubaram a honestidade. Inexistia votação de interesse dos comunas.

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Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o

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