sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Afago no Crocodilo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

"A primeira vez que me enganares, a culpa será tua; já da segunda vez, a
culpa será minha" (Provérbio Árabe).

Há muitos anos vi na TV o relato de um rapaz que criava, como animal de estimação, um réptil: acho que era um crocodilo, mas podia ser um jacaré. Dá no mesmo. O dono amava o bicho, como é usual com gatos e cachorros. Ao ponto de, quando em viagem, telefonar para a esposa e pedir notícias dele. Tratava-o com carinho e lhe tinha confiança. Até que, num excesso de insensatez, resolveu nadar na piscina junto com o crocodilo. Teve muita sorte, sobrevivendo às mordidas que o mutilaram.

Pois bem. O experiente e avisado político Michel Temer está pagando o preço da imprudência e da omissão. Aliás, pagamos todos nós, porque os efeitos incidem sobre o futuro do país. Ora, até onde se sabe, ele não pertence à canalha do Foro de São Paulo. Tampouco é crível que ignore a maldade dessa gente. Qual é, então, a justificativa para que se haja abraçado com o PT? Em 2010, entrou como vice de Dilma Rousseff (candidata do nefasto Foro de São Paulo). E, embora haja visto o governo petista na intimidade ao longo de quatro anos, ele repetiu a aliança em 2014. Depois, como é sabido, participou do processo de impeachment da incompetente mandatária. Que haverá tirado disso?

Temer assumiu a presidência. E, exercendo uma prerrogativa do cargo, extinguiu o Ministério da Cultura. Óbvio, os ideólogos da esquerda revolucionária aproveitaram para massificar uma acusação: "Este governo não se importa com a cultura!". É uma bobagem, porque, nesse caso, a eficácia da política independe da existência ou não do ministério. Mas deu resultado: repetindo erros, Michel Temer resolveu afagar o crocodilo e recriou a pasta. Pior, entregou-a a Marcelo Calero, um exemplar da esquerda confessional. No que deu? Com a astúcia reptiliana do militante, Calero preparou uma emboscada para o Presidente da República.

É claro que a "advocacia administrativa" praticada por Geddel Vieira Lima (de que Calero acusa temer também) não é fato ordinário e não pode ser ignorada. Calero, um diplomata de carreira, deveria, sim, agir. Contudo, ele teria feito muito pelo Brasil se, em sua atitude, o mais saliente fossem as virtudes do cidadão honrado e a excelente formação do diplomata, não o ímpeto da militância de uma causa messiânica, truculenta e traiçoeira. Por sinal, mesmo em época de corporativismos, sua atitude ilegal e inconsequente não recebeu a solidariedade nem sequer da Associação dos Diplomatas (ADB).

Ele fez mais. O Dep. Alberto Fraga (DEM-DF), designado presidente da CPI da Lei Rouanet, revela que o ex-ministro lhe telefonou três vezes para impedir a instalação da CPI que investigaria a farra milionária no uso da lei de incentivo à cultura. "Ele me pediu várias vezes para não instalar a CPI", diz Fraga, apontando tráfico de influência na atitude do então ministro da cultura. Obstinado, Calero ainda foi à Câmara pressionar deputados do PMDB e de outros partidos para o mesmo fim, mas sem sucesso.

Existe, como foi veiculado pelo Jornalista Cláudio Humberto, uma suspeita no Congresso: a de que o ex-ministro, ligado a grupos hostis a Michel Temer, teria aceitado o cargo com a missão de ficar à espreita de uma oportunidade para tentar implodir o governo. Sim, eu também tenho anticorpos contra teorias da conspiração. Todavia, não há como ocultar que a sua trajetória e os seus vínculos dão verossimilhança às suspeitas. É a lógica. Assim como um crocodilo não consegue fugir à sua natureza, a esquerda confessional jamais se furta de usar métodos escusos para lograr seus objetivos. E Temer deveria saber disso.

Assim como é tolice amansar crocodilos por meio de afagos, é ingenuidade supor que alguém que flerta com revoluções possa ser regido por um padrão ético superior e, por isso, capaz de transcender a visceral cumplicidade do conspirador para mostrar gratidão e temperança. Não sei qual é a medida do ex-ministro, porque não o conheço pessoalmente. Mas não esqueço que a natureza grita mais alto.

O árabe cristão Michel Temer deveria saber uma coisa: ninguém abraça o diabo sem sair chamuscado. Em política, a flexibilidade é virtude, sim. Mas o pragmatismo despojado de valores universais é a ladeira deslizante para o abuso. Pense bem, presidente, antes de mimar crocodilos.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

5 comentários:

Anônimo disse...

A Comparação é muito boa e concordo com ela.Michel Temer não tem apenas um crocodilo ao seu lado,ele está num lago infestado de crocodilos,todos loucos para abocanhá-lo.Se ele não sair depressa desse lago ficará sem chance de sobrevida.

Anônimo disse...

Avisa pra ele e a Dilma, que também vai discursar, que o Fidel já foi pre-preparado para o destino. Já sapecaram fogo e não dá para ver nem a barba, só se cheirar as cinzas venenosas.

Anônimo disse...

Brilhante comparação. No entanto, não podemos nos esquecer que Temer é também um predador perigoso.

Anônimo disse...

"... O árabe cristão Michel Temer..."
Árabe, sim, cristão, não, ele não é cristão, se o fosse, não teria feito aquela idiotice de apoiar os palestinos (sim idiotice, sabe que o mundo árabe não gosta, e, não quer, os palestinos... que dizem defender...), além disso, como se não fosse o bastante, ficar contra Israel (que é aliado dos EUA..., só pra lembrar), é o mesmo que ficar contra o Senhor Deus Imortal (isso "Loumari" deve saber muito mais "do que eu", aliás espero um comentário dela aqui, sobre esse tal "árabe cristão"), voltando ao fio da meada, ficar frontalmente contra Israel (não reconhecer o direito de um Estado legítimo), do ponto de vista militar (a guerra vai pegar o mundo de surpresa...), significa estar contra os EUA, e, seus aliados, sei que estou sendo repetitivo, mas o brasileiro é muito lento na lógica (se não o fosse, não teriam votado duas vezes em um analfabeto alcoólatra, e... mais duas vezes em uma terrorista, ladra e doente mental...), explicitando (aquilo que deveria ser óbvio), em caso de guerra (mundial, pra quem ainda não entendeu a situação, em que nos colocaram), estariamos contra os EUA, Israel, Japão, Inglaterra... (acho que entenderam...)

Anônimo disse...

Vejam, a ajuda estúpida do governo árabe brasileiro (a favor dos terroristas, é claro):
Em todas as resoluções o Brasil votou com o bloco liderado pelos países muçulmanos. Os documentos podem ser lidos na íntegra: http://research.un.org/en/docs/ga/quick/regular/71
Esta semana, a 71ª sessão da Assembleia Geral da ONU tomou mais seis resoluções contra Israel. Declarou-se que a “todas as ações tomadas por Israel para impor as suas leis, jurisdição e administração na Cidade Santa de Jerusalém são ilegais e, portanto, nulas e sem validade”. Também foi exigido que fosse devolvido para a Síria o controle das Colinas de Golã. As outras quatro medidas favorecem os palestinos de diferentes maneiras.
Chamou atenção o fato de o novo presidente da Assembleia Geral, Peter Thompson, ser visto usando um lenço típico palestino enquanto participava de uma audiência. Agora, espera-se que o Conselho de Segurança tomará mais três medidas contra o Estado judeu
As resoluções questionam a soberania de Israel sobre seu território. Novamente chamado de “força ocupante” pela ONU, são feitas exigências para que haja a retomada imediata das negociações de paz entre a Síria, o Líbano e Israel, que incluiria a entrega da região de Golã, conquistada durante a Guerra de 1967. Segundo a ONU, isso seria um “obstáculo” para a paz regional. Nenhuma menção foi feita sobre o fato de haver no local acampamentos de grupos ligados ao Estado Islâmico, que tentaram uma invasão recentemente.
Ao se referir a Jerusalém, os documentos da ONU são claramente pró-Palestina, ignorando os laços milenares dos judeus com o local, ecoando os termos usados nas resoluções recentes da UNESCO.
A representante de Israel na Assembleia da ONU afirmou após a votação que “era uma vergonha como alguns país ainda insistem em não reconhecer a existência de Israel e usam a Assembleia Geral para espalhar acusações infundadas”. Classificou ainda o texto das resoluções de “narrativa tendenciosa”.
Ela continuou, lembrando que “desde 2015, ataques terroristas contra israelenses tiraram a vida de 42 pessoas e deixaram mais de 600 cidadãos feridos. Mesmo assim as resoluções não fazem nenhuma menção a essas vítimas.” Subindo o tom, reclamou que a ONU se nega a mencionar a organização terrorista Hamas que controla boa parta da Palestina.
O delegado dos Estados Unidos, um dos únicos países a votar em favor de Israel, acrescentou que as decisões preocupam. “É manifestamente injusto que as Nações Unidas, uma instituição fundada na noção de que todas as nações devem ser tratados igualmente, por tanAs resoluções questionam a soberania de Israel sobre seu território. Novamente chamado de “força ocupante” pela ONU, são feitas exigências para que haja a retomada imediata das negociações de paz entre a Síria, o Líbano e Israel, que incluiria a entrega da região de Golã, conquistada durante a Guerra de 1967. Segundo a ONU, isso seria um “obstáculo” para a paz regional. Nenhuma menção foi feita sobre o fato de haver no local acampamentos de grupos ligados ao Estado Islâmico, que tentaram uma invasão recentemente.
Ao se referir a Jerusalém, os documentos da ONU são claramente pró-Palestina, ignorando os laços milenares dos judeus com o local, ecoando os termos usados nas resoluções recentes da UNESCO.
A representante de Israel na Assembleia da ONU afirmou após a votação que “era uma vergonha como alguns país ainda insistem em não reconhecer a existência de Israel e usam a Assembleia Geral para espalhar acusações infundadas”. Classificou ainda o texto das resoluções de “narrativa tendenciosa”.

fonte:
http://www.ocorreiodedeus.com.br/2016/12/onu-diz-que-israel-nao-pode-mais.html
https://noticias.gospelprime.com.br/apoio-brasil-onu-resolucoes-contra-israel/
http://www.un.org/press/en/2016/ga11861.doc.htm