domingo, 4 de dezembro de 2016

Militares, Militantes, Meliantes e a Intervenção


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Novamente, grandes manifestações de rua para este domingo são convocadas pela mobilização em redes sociais. Ninguém em bom senso se iluda que haverá imensa quantidade de pessoas como naqueles atos anteriores ao impeachment da Dilma Rousseff. No entanto, é líquido e certo que a qualidade fará diferença. A legitimidade dos protestos e as demandas objetivas, também. O culto ao “Super Moro” (herói que se multiplica no subconsciente do brasileiro) tende a se expandir.

O cenário brasileiro é, no mínimo, esquisito. Alguns analistas – inclusive os militares – insistem na tese de que prevalece uma “maturidade e normalidade das instituições”. Trata-se de uma avaliação estrategicamente temerária. Nunca antes na História deste País houve um conflito tão evidente e aberto entre os poderes executivo, legislativo e judiciário (incluindo-se aí a máquina independente do Ministério Público), enquanto os militares só observam atentamente a tudo.

O conflito direto entre os poderes, sobretudo com o protagonismo do judiciário com o chamado “Efeito Lava Jato”, é uma novidade. A “guerra” não-declarada expõe, exatamente, o que muitos preferem não admitir publicamente – ou porque realmente não enxergam ou porque preferem não botar mais lenha na fogueira do inferno: as instituições republicanas brasileiras não funcionam como deveriam porque foram contaminadas pela combinação de ineficiência estrutural, corporativismo e corrupção sistêmica.

No Brasil, o crime assumiu uma feição mais que organizada. O crime é institucionalizado. Não é mera obra de “facções”. Afeta, diretamente, todos os poderes públicos. Todos, sem exceção, alguns mais, outro menos. A crise estrutural assume uma dimensão mais tensa e grave quando combinada com a debilidade econômica por ela gerada e a crise política de complicada solução sem um “tranco”, um “freio de arrumação”, uma repactuação constitucional. A corrupta, ineficiente e perdulária máquina estatal – fonte e reprodutora dos problemas – não tem mais como se sustentar “roubando” a sociedade, via extorsão de impostos, juros e serviços públicos caríssimos.

Os deuses e semideuses do mercado, muito a contragosto, são forçados a reconhecer uma “piora da situação”. Até a queda da Dilma, com a ascensão de Michel Temer, apostava-se em uma “melhora” a partir do começo de 2017. Agora, indicadores oficiais e análises isentas de mercado confirmam que a recessão vai se prolongar. Além de estamos longe da retomada do crescimento, o fator político da crise afeta diretamente o econômico, alimentando a tensão social. O desmanche das medidas anticorrupção pelo Congresso Nacional foi a senha para a Odebrecht sacramentar a abertura do portão do apocalipse com as delações premiadas de 77 dirigentes, junto com o acordo de leniência do próprio grupo.

A incerteza política e econômica foi deflagrada. A cúpula do Legislativo desafia o Judiciário – que aumenta o já tradicional corporativismo e, de forma inédita, parte para o ativismo público. Magistrados e promotores deixam de se manifestar apenas nos autos dos processos para falarem nas redes sociais – e também nas ruas. Facções criminosas de políticos perderam a vergonha e desafiam o poder togado, focando em suas fragilidades institucionais.

Ainda não está claro qual será o resultado final dos embates. A tradicional “conciliação” entre os poderes nunca esteve tão complicada de ser viabilizada. A aprovação de uma Lei sobre Abuso de Autoridade, a toque de caixa e sem um debate mais demorado, tende a gerar ainda mais estresse na guerra entre os poderes. Se o parlamento também mexer na remuneração dos magistrados e no orçamento do judiciário, a situação ficará mais beligerante ainda.  

Resumindo: Os problemas estruturais continuam os mesmos. O governo Temer perdeu a capacidade de promover as reformas prometidas. O conflito entre Legislativo e Judiciário vai aumentar a quantidade de condenações e prisões, ao mesmo tempo em que vai gerar restrições na legislação para a livre atuação judiciária. Tudo só vai aumentar a ojeriza da população em relação aos políticos. Tal revolta gera perigosas pré-condições para um “ódio” e desrespeito contra a atividade política – que deveria ser legítima, e não criminosa.

É preciso insistir por 13 x 13: Medidas Anticorrupção e Leis sobre Abuso de Autoridade mereceriam um amplo debate antes de serem aprovadas pelo parlamento e sancionadas pelo Presidente da República. Infelizmente, as coisas não acontecem assim no Brasil. Demagogia, malandragem e canalhices tomam o lugar das livres discussões. Novamente, corremos o risco de ampliar o regramento já excessivo, sem efetiva garantia de respeito e cumprimento às leis, além de copiarmos instrumentos legai excelentes para outros países, mas nem sempre adequados à realidade brasileira.

A única saída para consertar o Brasil é uma inédita Intervenção Cívica Constitucional. Publicamente, no entanto, os militares insistem em não admitir tal solução. Recente entrevista do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), General de Exército Sérgio Westphalen Etchegoyen, deixa isto bem claro: “As Forças Armadas têm hoje uma noção perfeitamente clara do seu papel e da grandeza do Brasil. O Brasil não é um país que dependa das Forças Armadas para progredir”.

Considerando que uma das principais estratégias militares de guerra é a dissimulação, as palavras do General poderiam refletir, exatamente, um pensamento contrário. No entanto, tal hipótese parece falsa. Os militares rejeitam qualquer intervenção direta no mesmo estilo de 1964. A História, no entanto, ensina que intervenções pontuais, para freio de arrumação, ocorreram em Honduras, no Paraguai e, por alta pressão popular, na pequena Islândia.

Apesar de inédita por aqui, Intervenção Cívica Constitucional não é uma “jabuticaba” brasileira... Se conseguirmos ir além do mero “iluminismo de zelites”, gerando uma consistente mobilização popular em torno de mudanças estruturais concretas, poderemos criar as pré-condições não-beligerantes para a necessária Intervenção. Caso ocorra uma explosão de violência e o caos social no Brasil – e não estamos longe disto -, aí a Intervenção se torna inevitável. Tudo dependerá da velocidade com que decisões corretas – ou equivocadas – serão tomadas daqui para frente.

Arte de prender Vagabundo


No melhor estilo Homem de Gelo, o Juiz Sérgio Moro assiste à manifestação musical - A Arte de Prender Vagabundo...

Medinho temerário


Todos na rua


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 4 de Dezembro de 2016.

14 comentários:

Sérgio Alves de Oliveira disse...

O que ilustre General Etchegooyen demonstra não passa de pura alienação. Deveria ele perceber que a disposição do artigo 142 da Constituição,que trata da intervenção cívico-militar-constitucional nas 4 hipóteses ali previstas,não se trata meramente de uma "faculdade" de agir das FFAA,porém de um comando,uma obrigação constitucional que elas têm e pela qual são pagos para isso. O "bom tratamento" que as Forças Armadas recebem do Governo,como o recente aumento de vagas para o oficialato.onde suas remunerações são mantidas rigorosamente em dia, e não sofrem com o "desemprego", lamentavelmente não se amplia para o "restante" da sociedade. Neste sentido os militares,que apesar de não viverem em nenhum paraíso,ainda podem ser considerados como integrantes de uma casta privilegiada da sociedade,em relação à qual não estão cumprindo com os seus deveres.

Anônimo disse...

SE OS MILITARES NÃO ESTIVESEM ENVOLVIDOS ATÉ O PESCOÇO JUNTO COM O JUDICIARIO E A MAÇONARIA SERIA UMA SERIA UMA BOA, MAS A MAFIA QUE FAZ TUDO DAR ERRADO É COMPOSTA POR ELES TAMBÉM... CADÊ AS CPIS DO NARCOTRAFICO E DO JOGO DO BICHO??? NÃO DERAM EM NADA E AINDA POR CIMA ESTÃO TRAFICANDO ARMAS E EXPLOSIVOS... SÓ NA CABEÇA DE BOSTA DE UM GAUCHO É QUE NAS FFAA E JUDICIARIO SÓ TEM SANTO...

Q disse...

Vamos seguir com a intervenção popular. Se os generais insistirem em manter no poder essa quadrilha organizada o povo irá derrubar os generais tbm!!!

Anônimo disse...

A arte de prender vagabundo se fosse para valer fecharia o judiciário, pois no Brasil é onde mais existe essa raça... Basta qualquer idiota parar para pensar o porque de tanta demora em um simples processo, porque tanto privilégios já que seu salários já são milionários e porque tanta conivência com crimes e bandidos de todas as espécies e nas FFAA não é nada diferente... ALGUÉM ESTÁ RECEBENDO MUITO OU ESTÁ MUITO ILUDIDO OU NÃO TEM CORAGEM DE DENUNCIAR ESSA MAFIA MALDITA...

Anônimo disse...

Correção: o militares estão dormindo em berço esplêndido...

Anônimo disse...

Tem senador dando chilique por causa das manifestações, os presidentes do senado e da câmara dos deputados já estão desanimados com o que falam em um dia e tem que desmentir no outro.Desmoralização total.

Italo Salomão disse...

Como intervencionista desde 2013 emxergo o atual momento como o mais temerário, logo, mais próximo também de uma solução oliva. O Gal. Etchegoyen não é nem bobo, fala com propriedade, sabe a hora, o lugar e o que dizer e sabe também que próximo está de dona onça beber água. Calma Beth!

Anônimo disse...

domingo, 4 de dezembro de 2016
A MANIFESTAÇÃO E OS DOIS FUNERAIS #ForçaChape



Hoje tivemos protestos em várias cidades e, com maior ênfase, nas capitais. Talvez alguns movimentos em curso atendam aos interesses de grupos que não têm a melhor das intenções, pois defendem medidas que ferem a Constituição e atentam contra a nossa ainda frágil democracia.


Muitos brasileiros podem pensar que "sair atirando" é liberdade de expressão, mas não entendo que seja livre quem segue ondas que surgem por aí sem avaliar as consequências. Com o nobre propósito de apoiar Moro e defender a Lava Jato, há quem aproveite para conduzir as massas a clamar por medidas que, além de desviar o foco do chefão nove dedos, tendem a uma nova ditadura, como a proposta de fechamento do Congresso e o fora Temer. São pautas que estão unindo as ditas esquerda e direita, porém, é evidente que logo estarão brigando pelo poder. Que Deus nos livre do que pode resultar se algo desse tipo prosperar.


Mesmo assim, toda manifestação é válida, desde que seja feita com responsabilidade, e não tem como não enaltecer o atual debate político que mobiliza cidadãos de todas as classes sociais.






Vamos ficar atentos, entretanto, para defender apenas o que é bom para o Brasil e, sem a menor dúvida, ter consciência que o acirramento dos ânimos não é o melhor para o país porque abre caminho para oportunistas, habilidosos na arte de iludir, como aconteceu quando o eleitor resolver acreditar nas bravatas de Luiz Inácio.






Lula, como faz aquela criatura das trevas, dividiu o Brasil em "nós" contra "eles" e sempre apostou na calúnia para destruir a reputação de adversários, bem como em promover a discórdia para conquistar adeptos ao seu projeto de poder. Pois é, o tal "nós" está em Cuba idolatrando a alma de um tirano, ou alguém acredita que algum deles, Dilma ou Lula, se ainda estivesse na presidência deixaria de se ajoelhar ao Fidel para participar do funeral "deles"?



Enquanto isso, o mundo civilizado aplaude quem fala com o coração, por isso não entendo porque, mesmo que tenha virado modinha pregar sobre o perdão, tantos brasileiros vêm aderindo à onda do ódio contra tudo e contra todos. Sinceramente, não entendo a negação como solução, pois nós precisamos ter opções para tudo na vida, precisamos fazer escolhas, até mesmo na política.http://www.sabervencer.com.br/

Anônimo disse...

Oi na linha
Brasil 05.12.16 07:32
A antena do sítio de Lula foi instalada por ordem de Marco Schroeder, ex-conselheiro da Gamecorp e atual presidente da Oi.

Em 2011, imediatamente depois de atender ao pedido de Kalil Bittar, a Andrade Gutierrez promoveu-o à diretoria financeira da Contax.

Na Contax, ele foi responsável por passar uma fortuna às empresas controladas por Lulinha, Kalil Bittar e Jonas Suassuna.

Releia o que O Antagonista publicou no mês passado, a partir dos relatórios da PF:




SUASSUNA EMBOLSOU MAIS DE R$ 60 MILHÕES DA OI
Brasil 25.10.16 21:27

A pedido dos leitores, O Antagonista reproduz abaixo o total embolsado por Jonas Suassuna em contratos com a Oi/Telemar e controladas. Foram mais de R$ 66 milhões que entraram nas contas da Gol Mobile.

Destaque para a Contax, citada em conversas de Otávio Azevedo sobre repasses a João Vaccari Neto. Registre-se que, em abril de 2005, Lula foi ao Acre inaugurar uma filial da empresa de call-center da Andrade Gutierrez.

A Gol Mobile, que recebeu mais de R$ 5,3 milhões da Contax, repassou mais de R$ 2 milhões para a G4 Entretenimento, de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
0 antagonista

Anônimo disse...

Eike quer ressurgir
Economia 05.12.16 07:57
O Estadão noticia que três anos após a derrocada do conglomerado das empresas X, Eike Batista tenta tirar do papel negócios que vão do lançamento de um creme dental que promete regenerar o esmalte dos dentes a um projeto de infraestrutura no Chile.
O ANTAGONISTA

Anônimo disse...

Eike quer ressurgir
Economia 05.12.16 07:57
O Estadão noticia que três anos após a derrocada do conglomerado das empresas X, Eike Batista tenta tirar do papel negócios que vão do lançamento de um creme dental que promete regenerar o esmalte dos dentes a um projeto de infraestrutura no Chile.
o antagonista

Anônimo disse...

Hoje tem Previdência
Economia 05.12.16 07:59
Michel Temer vai apresentar hoje a reforma da Previdência aos líderes da base governista e representantes das centrais sindicais.

O presidente quer mesmo o Congresso trabalhando em janeiro para agilizar a tramitação da proposta.
O ANTAGONISTA

Anônimo disse...

Bancos já demitiram 10 mil
Economia 05.12.16 07:50
Os bancos cortaram 10 mil vagas até outubro, registra O Globo: os investimentos em tecnologia são a aposta para reduzir custos.

O número supera o enxugamento de pessoal em todo o ano passado, segundo o Dieese.
o antagonista

Coronel Humberto Pinto disse...

Ilustre Jornalista
Jorge Serrão

A Ação Militar para Manter a Ordem, como está disposto no lema:"Ordem e Progresso", é ato de ofício, Art. 142 da Constituição, como disse Sérgio AO, sob pena de caracterizar Negligência, no cumprimento do dever.
Depois das Forças Armadas resta o povo "todo poder emana do povo...
A omissão das FFAA fratura a unidade e configura o estado de Guerra Civil. Não parece ser este o fim.
A propósito, comentei no BALÃO LIVRE: http://balaolivre.blogspot.com.br/2016/12/fim-de-um-ciclo.html.